30 de maio de 2011

O que eles fizeram

Sim o que eles fizeram é indescritível. Como pode ter acontecido? 

Os cofres estão vazios. Nem gestos – dizem eles – do maior avanço ideológico, como a homologação da ligação entre pessoas do mesmo sexo, gesto havido de abominável já há milhares de anos ou a destruição da família através do facilitar do divórcio ou da quase descriminalização do aborto, os salvaram da mais negra imagem que hão-de gozar perante o povo português, quando se aperceber, o que ainda não sucedeu, da péssima gestão da coisa pública. 

Vozes que clamam no deserto começam a dar conta, de que, esse resultado não parece tê-los ainda feito descer à realidade. De sorriso nos lábios como se fossem os mais inocentes e o povo que os mandatou, mal, povo esse é que é o grande responsável pela escolha errada, é assim que se apresentam, numa clara inversão de papéis. 

Não releva que sejamos lá fora considerados maus administradores da coisa pública, pouco trabalhadores, e é verdade, gastadores até dizer chega, meninos de bronze que se não podem dar conta de tostão, que ganhando dez gastam onze, amigos da praia, a todo o tempo, que afectámos subsídios da estranja, a tudo menos o devido, compra de viaturas de alta cilindrada, apartamentos, para a concubina teúda e manteúda, viagens à roda do mundo, passagens dos anos, como sultões do petróleo, enfim um esquecer que a árvore das patacas secou por exaustão. 

Os super-ricos questionavam o pagamento de impostos, perdendo-se em impugnações que o tempo validava e que agora assumem um estatuto muito choroso; os madraços enganavam o clínico assistente com patranhas de dores aqui e acolá; a assistência médica era um esbanjar de recursos como quando, num hospital universitário, atiraram para o balde do lixo a maior parte sobrante do soro que me correu antes nas veias, gesto que me encheu de tristeza por saber que tantos não dispunham dele. 

A medicação prescrita, cara, porém gratuita, tantas vezes não era tomada, ainda que o pobre do médico pregasse em contrário; as práticas alimentares descomandadas; de abandono nada. 

O contraste, por exemplo, entre quem podia e não podia pagar propinas no ensino superior era chocante. Havia sempre um papel a atestar que a empresa estava com prejuízos para a outorga de isenção, mas de seguida vinha o apartamento comprado ao familiar escolar, desmentindo essa realidade e que partilhado por uns quantos assegurava estadia gratuita, o pagamento quase total e …claro a dita isenção. 

A voragem do lucro foi uma constante; a pessoa humana uma peça da engrenagem, inconsiderada totalmente e, ainda agora, continua verdadeiramente a não sê-lo. 

Tudo isto e tantíssimo mais que não caberia num livro do tamanho de uma casa havia de levar a mau porto. 

Eles pouco se importaram com isso, como pouco se importaram, até fomentaram, que gente medíocre em detrimento de gente qualificada, ocupasse, por puro compadrio, ocupasse postos de relevo, pingues de remuneração, enquanto que para outros a fasquia era tão baixa que fazia sangrar o coração. 

Agora eles estão preocupados é na votação a atingir, mais do que em esclarecer o povo da situação dramática em que nos achamos. 

Há políticos que nunca tiveram um trabalho; que nunca tiveram um trabalho dependente, de modo que a previsão de auferir salário chorudo supera o estado de pedinte internacional em que nos encontramos. 

Os nossos filhos e netos jamais terão a vida que tivemos, mas terão que ter consciência de que urge mudar de mentalidades, caminhar pela verdade, criar padrões de exigência ética e moral, sem o que seremos quase anulados como Estado. 

Este país precisa de pessoas que assegurem uma superioridade ética, à margem de clichés de ideias pré-definidas, despejadas a esmo, sem lograrem fazer o homem feliz, que integrem a reserva moral de uma nação, que não deixem que volte a cair no charco em que caiu, que afaste e puna, fazendo sentar no banco dos réus, quem a levou ao descalabro, em nome daquele imperativo ético. 

È altura de Páscoa, de Ressurreição, precisamos de carregar a cruz da desgraça que sobre nós se abateu, mas ao contrário do Crucifixado, diante dele se voltando o rosto humano, diz o Profeta, de tão desfigurado pelo pecado dos homens a caminho do Calvário, como estava, sem protesto e nem injúria a caminho da Sua morte, como um manso cordeiro, precisamos de protestar e de nos indignarmos. 

Um país da mais baixa natalidade da Europa, em que algumas das suas mulheres chegam a abortar 3 e 4 vezes num ano, sendo o aborto clínico pago por nós todos, se se pretende uma Segurança Social sustentável, precisa de um estímulo à vida e não à morte. E já agora, pergunto, alguma vez se justificava um corte num qualquer abono de família? 

Reconstrua-se um país, noutros moldes; este país de há anos que não presta. A não ser para alguns …

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