28 de março de 2011

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos. As recentes conquistas profissionais e intelectuais da mulher vieram contribuir para uma maior valorização feminina e para repartir, de maneira mais justa, os deveres do pai e da mãe em relação aos filhos.
Ao homem é agora dada a possibilidade de mostrar as suas capacidades de cuidar dos filhos, o que permite uma maior proximidade entre o pai e o filho.
Embora nos primeiros tempos a relação primordial seja entre a mãe e o bebé, o pai vai a pouco e pouco conquistando alguns privilégios que até então eram apenas reservados à mãe, tais como o banho, o mudar a fralda e o adormecer o bebé.
Os pais sempre tiveram forças educadoras, contudo só agora lhes foi permitido revelá-las. Assim, os pais ao substituírem as mães nas suas tarefas, conquistam a oportunidade de construir uma relação mais íntima e profunda com os seus filhos, o que é muito importante para a criança, pois é crucial que o pai seja também uma figura de afecto e protecção.
Se desde muito pequenas, as crianças estabelecerem este vínculo forte com o pai, o contacto físico com a figura paterna vai facilitar e optimizar as relações de intimidade e de protecção com este, o que outrora era visto como ausente.
Assim o estabelecimento de vários tipos de relação, quer com o pai quer com a mãe vai permitir que a criança se autonomize, desenvolvendo mais competências ao nível da relação. As várias respostas e adaptações do bebé às diferentes solicitações maternas e paternas fazem com que este desenvolva as suas interacções afectivas e cognitivas. Facilita ainda a interiorização de regras e valores familiares que obviamente devem ser as mesmas para o pai e para a mãe, pois assim a criança pode interiorizar o conceito de família e assim ir criando e interiorizando um código de conduta de acordo com os valores transmitidos.
Este envolvimento pai-filho ajuda a criança a encontrar-se na pluralidade das suas experiências de vida, e deve iniciar-se desde a gravidez, pois é a partir deste momento que o pai tem um papel fundamental, pois todas as emoções vividas pela mãe durante a gestação influenciam directamente o desenvolvimento da criança, sendo assim crucial a sua presença desde a gestação até à vida adulta dada à necessidade de referências e valores.
A ausência do pai pode trazer consequências psicológicas à criança, pois esta necessidade de referência masculina para o seu reconhecimento de género. Estudos recentes demonstram ainda que o pai exerce uma influência directa no desenvolvimento da criança, assim em 1992 Brezeltou constatou que as crianças em idade escolar em que o pai cuidava delas, demonstraram um aumento significativo. Assim, podemos referir que, o pai actual é um pai atento e preocupado em entender os seus filhos, é um pai que (re)descobriu o mundo dos afectos e que não abdica de um relacionamento mais íntimo com os seus filhos. A imagem de autoridade, que actuava apenas para pôr ordem na casa e garantir o sustento da família, deu lugar a um pai mais activo que vive de forma empenhada a relação com os filhos.

Alexandra Raquel Gouveia

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