11 de fevereiro de 2011

Os 50 anos do Jornal da Família (resultados das iniciativas)




Para assinalar os cinquenta anos do Jornal da Família, foi lançado em Fevereiro de 2010 uma Campanha de incentivo à angariação de assinaturas e um Concurso: "Concurso Família Nascente".
Eis o resultado da primeira:

1. Maria Eugénia Vieira (Sines) - 68
2. Liónia da Conceição Felicidade (Casegas) - 65
3. Mª Manuela Nunes Caldeira (Braga) - 52
4. Emília de Oliveira Cardoso (Coimbra) - 43
5. Centro Penha de França (Lisboa) - 31
6. Cesaltina Martins (Figueira da Foz) – 29
7. Mª do Céu Marques (Guarda) - 27
8. Centro da Póvoa de Varzim (P. Varzim) - 21
9. Palmira Ribeiro (Faro) - 20
10. Centro de Guimarães (Guimarães) - 18
11. Teodora Pereira (Lisboa) - 18
12. Odete Matias (Lisboa) - 15
13. Deolinda Machado (Lisboa) - 13
14. Maria Margarida Pinto (Roma) - 12
15. Maria Marques Antunes (Funchal) - 10
16. Centro de Elvas (Elvas) - 10
17. Mensageiras da Família (Funchal) - 8
18. Centro do Porto (Porto) - 8
19. Casa de Retiros (Fátima) - 9
20. Maria Isabel P. C. Maurício (Bombarral) - 6
21. Maria Conceição M. Veloso (Vila Real) - 5
22. Natália Espanca (Évora) - 5
23. Arminda Viegas (Faro) - 5
24. Ermelinda Cardoso (Lisboa) - 5
25. Custódia Lopes (Carcavelos) - 5
26. Centro de Faro (Faro) - 5
27. Maria Antónia R. Tomé (Portalegre) - 5
28. Joaquim Simões Marques (Eixo) - 4
29. Emília Andrade (Braga) - 4
30. Natividade de Jesus Liberato (Castelo Branco) - 4
31. Centro de Aveiro (Aveiro) - 4
32. Cândida Amélia (Lisboa) - 4
33. Maria Arieta Henriques (Câmara de Lobos) - 3
34. Centro de Abrantes (Abrantes) - 3
35. Celeste Menoita (Covilhã) - 3
36. Henriqueta Monteiro (Lisboa) - 3
37. Conceição Branquinho (Faro) - 3
38. Clementina Francisco (Castelo Branco) - 3
39. Gracinda Castanheira (Lardosa) - 2
40. Centro da Covilhã (Covilhã) - 2
41. Justina Natália J. Moreira (Agrela) - 2
42. Lar Betânia (Fátima) – 2
43. Clara Amaral (Lisboa) – 2
44. Justa Silva Oliveira (Lisboa) - 2
45. Graciosa Ferreira (Lamego) - 2
46. Maria de Jesus Rodrigues (Odivelas) - 2
47. Dorinda Simões (Lisboa) - 2
48. Mª de Fátima Castanheira (Lisboa) - 2
49. Catarina do Vale (Póvoa de Varzim) - 2
50. Antónia Jesus Roda (Leiria) - 1
51. Nelson Pereira Lopes (Vilarinho do Bairro) - 1
52. Maria do Céu C. Carneiro (Porto) - 1
53. Alzira Costa Vilaça (Braga) - 1
54. Ana Maria Afonso (Abrantes) - 1
55. Etelvina Côvelo da Silva (Lisboa) - 1
56. Maria Antunes (Braga) - 1
57. Teresa Melo (Fundão) - 1
58. Mª do Céu Simões (Lisboa) - 1
59. Maria Alzira E. R. Dias (Santa Iria da Azóia) - 1
60. Filomena Morais (Cabinda) - 1
61. Fernanda Dias D. Oliveira (Escorei) - 1
62. Leonilda Viegas (Lisboa) - 1
63. Armandina Antunes (Lisboa) - 1
64. Maria Teresa J. Freitas (Funchal) - 1
65. Maria Moreno (Lisboa) - 1
66. Natália Silva Pina Cruz (Luxemburgo) - 1
67. Hugo Alexandre Silva (Lisboa) - 1
68. Maria Ângela (Figueira da Foz) - 1
69. Paula Cristina Matias Alves (Lisboa) - 1
70. Vanessa Alice Lobo Machado (Santo Tirso) - 1
71. Balbina Regadas (Guarda) - 1
72. Ana Canossa (Braga) - 1
73. Inês Conceição P. Cordeiro (Bemposta) - 1
74. Guilhermina Ribeiro (Coimbra) - 1
75. Maria Emília Oliveira (Ermesinde) - 1
76. Adelaide Cortez (Porto) - 1
77. Maria Luzia F. F. C. Pereira (Ourondo) - 1
78. Emília Bessa (Lisboa) - 1
79. Maria Palmira Dias Ribeiro (Cascais) - 1
80. José Costa Vilaça (Póvoa de Varzim) - 1
81. Idalina Santos B. Raposo (Lisboa) - 1
82. Cecília Henriques S. Carvalho (Lisboa) - 1
83. Alcinda Teixeira (Covilhã) - 1
84. Isabel Guerreiro (Lisboa) - 1
85. Rosa Antunes (Braga) - 1
86. Maria Isabel F. Carvalho (Cantanhede) - 1

Quanto ao concurso 'Família Nascente':

A viagem do Futuro


Entrou no autocarro e tudo, por instantes, pareceu fácil. Tão simples como pagar o bilhete, mostrá-lo e sentar-se no lugar. Uma sensação de calma - uma calma vazia, artificial, não humana - ficou nela durante uns segundos. Depois, de repente, as casas passavam pela janela, irrompeu em lágrimas e em soluços.
A voz do homem apertava-lhe as mãos "Ana" pedia-lhe essa voz "Assim, o Futuro não dá. Acredita. Não dá"
Ana sente, novamente, aquela vida no seu ventre. Soube logo que tinha engravidado. Já não era uma jovem adolescente grávida de Jorge. Era uma mulher que tratava a vida por tu. Habituara-se a conhecer o seu corpo, os corpos do seu corpo assim como as vidas da sua vida.
E Jorge, o desempregado Jorge, respondera-lhe desde logo: "Não dá. São muitos. Assim, o nosso Futuro, não dá". Ela sabe que não eram muitos. Eram os que tinham de ser. Não acreditava em cálculos - acreditava no que sentia. E sentia que todos eles eram os que tinham de ser. Mas a sua voz era tíbia e a confusão de Jorge era audível. "Não dá. São muitos".
Agarrou o banco da frente com força. Um homem que estava sentado nesse banco virou-se. Percebeu. Puxou de um lenço
"Faça o favor".
Ana olha esse homem que a irrita. Ela vê-o como uma sociedade que lhe pede "Faça o favor de abortar" como "Faça o favor de esconder as suas lágrimas porque são intimidades e as intimidades não se mostram em público. Pode não ser bonito!". Ela esfrega o seu olhar, as suas lágrimas e o seu nariz nas mangas da própria camisola. As lágrimas são dela. O choro é dela. A raiva é dela.
O homem voltou a perceber. Recolheu o lenço. Vira-se. Muda de banco, para um assento livre mais à frente.
Ela poderia fugir. Ana pensa. Mas há cinco cabeleiras encoracoladas - os seus cinco filhos - que não lhe merecem a traição. Poderia recusar. O corpo é dela. No corpo dela só entra quem ela quer. Porque haveria agora de ser diferente? Porque Jorge entrou no seu corpo mas não queria ter entrado. Se ao menos Jorge tivesse vindo com ela...
Olha a estrada que passa. Pode uma viagem voltar ao início?
Já falta pouco. Parece-lhe ouvir Jorge. Vê as placas para o Hospital.
O autocarro pára ao pé do Hospital.
Há vozes sem rosto
que lhe perguntam ou dizem:
Precisa de ajuda?
É melhor acompanharem-na...
Ela não está bem...
Ela sai do autocarro. Há um braço que a apoia à saída. Ela não vê bem. O seu caminho é solitário. No universo inteiro, passa só haver Ana que transporta um ser para abortar naquele edifício que se chama Hospital.
Há alguém que lhe agarra na mala. E há a voz de Jorge
"Ana, talvez dê. Talvez haja Futuro".
Jorge agarra-lhe a mala. Toca-lhe o cabelo. Agarra-lhe o corpo.
"Vamos para casa. Vais ver que há Futuro em nossa casa".
Ana inclina a cabeça sobre o peito de Jorge. Não lhe interessa como ele se conseguiu antecipar. A sua presença é suficiente.
E Ana responde:
"Eu sei que há Futuro".

(Pseudónimo: Lucas Segundo)

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