15 de dezembro de 2010

Redescobrir o "Tesouro da Educação"

Tesouro estruturado em vários pilares, cujos conceitos fundamentam a educação do século XXI, uma educação direccionada para uma educação integral, que visa os diversos tipos de aprendizagem.
'Aprender a conhecer,' diz respeito à aquisição dos instrumentos de conhecimento. Instrumentos imprescindíveis a uma aprendizagem assente em raciocínios lógicos, na compreensão, dedução e memória, ou seja, sobre os processos cognitivos por excelência. Mas a par de tudo isso, deve existir também a preocupação de despertar no estudante, não apenas estes processos em si, mas ainda o desejo pessoal de os desenvolver, a vontade de aprender, de querer saber mais e melhor. O ideal deverá ser sempre o de encarar a educação, não apenas como um meio para um fim, mas também como um fim em si mesmo. Uma finalidade que desperta a sede de desenvolver o pensamento dedutivo, ao mesmo tempo que o intuitivo, permitindo - lhe chegar às suas próprias conclusões e a aventurar-se por outros domínios do saber e do desconhecido.
Se o aprender a conhecer nos confere as bases teóricas das questões, o aprender a fazer apetrecha-nos com a formação técnico-profissional indispensável para que possamos transformar as teorias em realidades práticas. Assim sendo, aprender a conhecer e a realizar é importante, mas não o é menos o saber comunicar. Não apenas para reter e transmitir informação, mas também para interpretar e seleccionar as torrentes de informação, muitas vezes contraditórias, com que somos bombardeados diariamente.
A convivência com os outros é um domínio de excelente aprendizagem que consiste num dos maiores desafios para os educadores, uma vez que actua no campo das atitudes e valores. Cabe neste campo o combate ao conflito, ao preconceito, às rivalidades tradicionais. Trata-se de apostar numa educação como veículo de paz, tolerância e compreensão, respeito mútuo e sociabilidade…

No aprender a ser, situa-se uma aprendizagem derivada dos outros tipos, que tem como finalidade o desenvolvimento integral da pessoa, espírito e corpo, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade.
Aprender a ser! Aprender a ser, como e onde? Em que contexto?

Embora tendo presente que não existem receitas mágicas, salientamos três âmbitos fundamentais em que se desenrola a acção educativa, com a pretensão de, ao menos, vislumbrar algumas chaves da educação do carácter moral que, não o esqueçamos, é o objectivo mais importante da acção educativa.
O âmbito primordial por excelência, aquele que é fundamental para que uma pessoa forme o seu carácter moral, é a Família. A intensa componente afectiva da relação familiar estrutura com uma força irrepetível, e normalmente desde o seu nascimento, o carácter de uma pessoa. O que se aprende - ou não aprende - no lar marca, se não de forma absoluta marca, de forma indelével, a personalidade.

No que se refere ao papel e importância da família na formação do carácter das crianças e jovens, deparamos na actualidade com dificuldades acrescidas resultantes da desestruturação da família mercê sobretudo do divórcio e do fenómeno dos lares mono-parentais em crescimento abrupto nos últimos anos.
Por outro lado, o trabalho profissional da mulher e o aumento das horas de trabalho, faz com que os filhos desfrutem cada vez menos da companhia e do afecto de seus pais. O que significa, sem dúvida, que os pais perdem também muitas oportunidades de ir formando o carácter de seus filhos. Um problema de difícil solução!...

Desde o ponto de vista social, impõe-se o esforço geral no sentido de fortalecer a família e de facilitar aos pais a conciliação do trabalho com a sua vida familiar. Mas por outro lado a solução mais viável reside no sentido de responsabilidade dos pais, para manterem e realizarem uma constante intencionalidade educativa. Não podem demitir-se das suas funções de primeiros educadores dos seus filhos e principais responsáveis pela sua educação. Devem conciliar sempre o carinho com a exigência, para irem moldando - na medida em que isto é possível - o carácter de seus filhos. Significa isto que devem inculcar-lhes hábitos de ordem, de esforço para conseguirem as coisas que pretendem, de domínio das suas apetências, fomentar e promover atitudes de respeito e cuidados pelos outros, etc.
Embora nem sempre seja tido em conta, a acção educativa dos pais deve começar no mesmo dia em que o filho vem ao mundo. Uma acção educativa integral que visa a formação da sua personalidade …
O segundo âmbito em que se desenvolve ou deve desenvolver a formação do carácter moral dos jovens é, em princípio, a Escola; o que nem sempre se tem vindo a verificar nos últimos anos, nomeadamente no campo da sexualidade em que se têm verificado alguns atropelos… A educação sexual das crianças e jovens começa em casa e devem ser os pais a escolher o modo e o momento que melhor se adapte a cada filho. Aquilo que designam por educação tem vindo, nalguns casos, a demonstrar tratar-se de deseducação com consequências nefastas. Os pais não podem deixar as crianças e jovens entregues ao acaso! Não podem ignorar o que acontece ou pode acontecer na escola com o seu filho! A verdadeira educação sexual deve estar centrada nas famílias com os respectivos princípios e valores, nunca nas crianças, nos jovens e na escola. A Escola presta apenas um serviço subsidiário à Família, nada mais.
Outro âmbito que neste momento histórico goza de uma grande relevância educativa, são os produtos da indústria do entretenimento, veiculados e difundidos, sobretudo, pelos meios de comunicação social. Produtos a que se tem dado pouca importância no que se refere ao carácter educativo - para bem e para mal - das histórias, das narrativas que incidem na imaginação, emoções e afectos dos meninos e dos jovens! …(Fica aqui um pequeno alerta para os Pais!).
O que, em qualquer caso, não se pode perder de vista é que a educação do carácter moral é um objectivo educativo irrenunciável que requer, com sentido de urgência a cooperação dos Pais, em primeiro lugar, da Escola e dos grandes Promotores da ficção…
O futuro da Educação é o nosso futuro.

por Helena Marques

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