17 de setembro de 2010

O embuste das SCUTS e o Zé sempre a pagar



Imagem retirada daqui
Sinceramente, nunca compreendi qual seria a razão, porque num país, onde impera o primado do Estado de Direito democrático, onde os portugueses deviam ter os mesmos direitos, deveres, garantias e liberdades fundamentais, haja auto-estradas, onde para nelas se circular, tenha de se pagar portagens e, nesse mesmo país haja auto-estradas onde se transite, aparentemente, “sem Custos para os Utilizadores (SCUTS).
Neste último caso, dizem que as portagens estão a ser pagas pelo Estado. Mas será caso que o Estado seja detentor dalgum quintal ou quinta, onde se produzem

Euros? Ou o dinheiro que existe no erário público, não aparece lá, por obra e graça do Divino Espírito Santo, mas sim porque saiu dos bolsos do Zé Povinho, através dos impostos directos e indirectos, singulares e colectivos, reais e individuais, proporcionais, progressivos ou regressivos?

Sendo assim, quem está apagar as SCUTS, é o Zé Povinho, quer por elas transitem, quer não.
Também foge do nosso raciocínio, como é que, residindo em Castelo Branco, sou obrigado a contribuir para que os lisboetas e portugueses, beneficiem dos “Passes Sociais” para poderem viajar nos transportes públicos urbanos, por preços reduzidos...
Neste sentido, as auto-estradas “Sem Custos para o Utilizador, são uma redonda falsidade, como tantas outras mentiras, injustiças e trapalhadas, de que o País está repleto, nomeadamente, nestes últimos anos...

No consulado do Eng.º António Guterres, com pompa e circunstância, entrámos para o número dos países ricos da União Europeia. Abrimos estradas, furamos montanhas, lançamos pontes, rasgamos serranias, com auto-estradas com quatro faixas de rodagem e os mais sofisticados engenhos tecnológicos, usados em rodovias. O Executivo de António Guterres e de João Cravinho, não quiseram saber de quanto custariam as SCUTS, aos portugueses. Ambos foram distintos alunos do Instituto Superior Técnico, concluindo as suas licenciaturas, em engenharia, com elevadas classificações académicas.
Porém demagogicamente, desprezaram a realidade dos factos e dos números. Tiveram um comportamento muito semelhante ao que presidiu D. João V, em 1717, ao mandar construir, em cumprimento de um voto, o Convento de Mafra, réplica do mosteiro espanhol do Escorial, onde chegaram a trabalhar 50 mil operários, possuindo as suas duas torres, um carrilhão, cada uma, com 114 sinos, que muito poucos ouvem. Mas D. João V, tinha o oiro e os diamantes que vinham das magníficas minas, que haviam sido descobertas, no reinado de D. Pedro II, no Brasil.
E nós agora, o que temos? Guterres proclamou, aos quatro ventos, que estávamos no pântano. Durão Barroso, afirmou, para quem quis ouvir, que estávamos de tanga.
Os governantes actuais, não se fartam de anunciar que estamos em crise financeira, em recessão económica e que é preciso apertar o cinto, fazer sacrifícios orçamentais, que têm de ser impostos constrangimentos aos portugueses, reduzindo salários, baixando as pensões de reforma, de maneira drástica, aumentando os impostos e lançando novas colectas.

Em contrapartida e inexplicavelmente, continuam a ter ideias megalómanas, anunciando a construção da via-férrea, por onde circularão comboios a grande velocidade, fazendo projectos do novo aeroporto, do lançamento da nova ponte sobre o Tejo, da construção de nova auto-estrada para o Porto.
E foi assim, com ideias deste género e outras similares, que muitas regiões do País, como a Beira Interior, se desertificaram, se reduziu à produção agrícola, se encerraram muitas fábricas de lanifícios e se desmoronou a riqueza produtiva, colocando-a quase a nível zero.
E agora que fazer?
Deita-se a mão ao mais fácil, aumentando os impostos, em lugar de se reduzirem as despesas, nomeadamente as despesa do Estado.

O pagamento de portagens, nas SCUTS, só servirá para sobrecarregar o custo de vida, encarecendo os produtos que são consumidos pelos residentes nas regiões, por onde passam as SCTUS, tornando deste modo, mais deficitárias e menos competitivas, as economias destas regiões e, ao mesmo tempo, mais desequilibradas as balanças orçamentais domésticas das famílias que estão radicadas, no Interior do país.
O embutes das SCUTS, como outros desmandos consumados, através de erradas politicas económicas e financeiras, vai sair muito caro aos portugueses.

Imagem retirada daqui
Temos vivido em perfeito delírio financeiro, com planos megalómanos e investimentos faustosos, verdadeiros elefantes brancos, sem qualquer retorno financeiro e sem base de sustentação económica, como foram a construção de alguns campos de futebol.
Embora com uma economia periclitante, temo-nos entregado ao esbanjamento de dinheiro do
Estado ou seja, de todos nós, pagando faustosos ordenados, distribuindo benesses sinecuras e probendas, gratificações e subsídios, como aconteceu com Torres Campos e Mega Ferreira, só por terem sido administradores da EXPO/98. Estamos a pagar vencimentos a quatro Presidentes da República (António Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Aníbal Cavaco Silva), como se estivessem no activo, quando apenas um está no exercício das suas funções.
Foi instituído, com a melhor das intenções, é certo, o “ Rendimento Mínimo Garantido”, agora denominado por “Imposto de Reinserção Social”, que tem sido um fiasco, dadas as fraudes a que ele deu lugar. E nós, Zé Povinho, sempre a pagar, até que um dia, a corda rebente ou o Zé Povinho se lembre de abrir os olhos...

por Fabião Baptista

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