22 de setembro de 2010

Debate sobre “Caritas in veritate” no Parlamento Europeu

Imagem retirada daqui
A sede do Parlamento Europeu em Bruxelas acolheu na terça-feira passada uma conferência sobre a encíclica social de Bento XVI, Caritas in Veritate, organizada pelo Grupo Popular Europeu.
“Creio que esta iniciativa nos deu muito ânimo”, declarou na Rádio Vaticano o líder do grupo, deputado Mario Mauro.
“Demo-nos conta de que as coisas das quais o Papa fala não são apenas necessidades do mundo contemporâneo, mas também necessidades de nossas instituições”, acrescentou.
Para Mauro, levar uma encíclica do Papa para a Câmara do Parlamento Europeu “significa desafiar, de facto, uma mentalidade envelhecida, na qual se tornou moda um concepção dominante que acredita poder subestimar o homem”.
O deputado recordou que as instituições europeias nasceram por um pacto que quer garantir paz e desenvolvimento.
Ele afirmou que “quem nasce com esta origem não pode não reconhecer nas palavras do Papa uma proposta honesta de um caminho de bem para toda a humanidade”.

Uma encílica política

O deputado explicou que no debate desta terça-feira, “em primeiro lugar foi constatado que a Caritas in veritate é uma encíclica política”.
Neste sentido, explicou que a encíclica começa por destacar que a caridade na verdade é um formidável instrumento de promoção da pessoa humana.
“Portanto, se temos em mente o que dizia na Populorum Progressio de Paulo VI, ou seja, que a política é a forma mais elevada da caridade, podemos ler a encíclica nesta chave particular, que é: a política na verdade é um instrumento formidável de promoção da pessoa humana.”
Segundo Mauro, “não há página da encíclica que, de uma forma ou outra, não seja um juízo sobre como fazemos política e sobre como o fazer político pode-se transformar no instrumento mais adequado para a realização do bem comum”.

“Números do relativismo”

Os participantes da conferência realizaram uma reflexão antropológica e filosófica, mas também económica e social.
“Para ser mais específico – disse Mauro –, vale a pena recordar entre os grandes perigos que ameaçam o homem contemporâneo um grande ataque, tanto antropológico como social e económico, à pessoa humana, advindo do relativismo.”
O deputado alertou do perigo que se corre quando o relativismo se converte em ideologia e ofereceu também alguns “números do relativismo”: há um aborto a cada 27 segundos na nossa sociedade europeia, 10 milhões de divórcios que pesam sobre 15 milhões de filhos e uma população envelhecida que faz com que um país como a Turquia ou o Egipto tenha mais da metade dos jovens da União Europeia.
Para Mauro, estes dados reflectem “uma concepção na qual se perde a esperança de construir: não há nada pelo que valha a pena viver, não há uma verdade para se comprometer”.
“E isso tem como consequência – continuou – que faltem para a geração actual razões para formar a sua casa, formar a sua própria família, trazer filhos ao mundo...”.

Pobreza e pessoa

O deputado referiu-se ainda ao facto de ter lido a encíclica no ano europeu contra a pobreza.
“A nossa estratégia sobre a pobreza é de desenvolvimento, não simplesmente uma iniciativa de distribuição de recursos procedentes dos países mais ricos, mas a promoção da pessoa”, disse.
Como para Bento XVI, “é a pessoa que se faz protagonista de seu tempo, seu país, graças à educação, na qual a fé tem uma função relevante, tem a força de enfrentar os problemas”.

Fonte: Zenit

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