31 de julho de 2010

Celebrar o Dom do Amor

Imagem retirada daqui
Vamos continuar nas linhas que se seguem a dirigir o nosso olhar e a nossa reflexão para a realidade da celebração.

Agora quero convidar-vos a centrar a nossa atenção sobre a realidade do amor.

Porque o nosso Jornal tem a família como centro das suas prioridades pode até parecer que este exercício é feito quase que por dever e não por convicção profunda e necessidade. A verdade é que se cuidamos um pouco esse exercício de atenção, facilmente podemos perceber que as coisas não são tão simples e evidentes. É que ao falar em amor não podemos ficar simplesmente no âmbito dos sentimentos por mais belo e nobre que o sentimento do amor seja, mas temos de ter a coragem e a ousadia de ir mais longe.

É verdade que a atenção que se deve dar à dimensão do sentimento é muito importante. Descobrir e viver o amor como um sentimento que toca toda a nossa existência, marcando-a com um sabor agradável, é verdadeiramente fundamental. Não há que ter medo em deixar que ele invada todos os poros da nossa vida, fazendo-a vibrar com intensidade e gozo. Por essa dimensão temos também de dar graças a Deus.

Neste sentido a celebração do amor é uma evidência que, apesar de tudo, nunca é demais sublinhar.
Porque estou bem, porque os outros me fazem sentir bem e eu faço os outros sentirem-se bem, porque o amor dá sentido à vida e à história, permitindo-me olhar para elas com um olhar positivo e cheio de esperança, por tudo isso deve celebrar, tomando consciência do bem que isso significa e deixando que esse bem se vá espalhando.

Mas o amor é muito mais do que um sentimento, ele implica também a vontade, a atitude, o querer e o compromisso. Ninguém ama simplesmente porque sim. É verdade que muitas vezes ouvimos dizer que se ama mesmo contra a vontade, mas sinceramente esta afirmação não acaba de me convencer, pois o amor implica a vontade de querer amar e não simplesmente a inclinação para amar. Claro que num primeiro momento são muitas as coisas que me podem aproximar de uma pessoa, fazendo-me olhar para ela de uma maneira diferente e com uma atenção mais cuidada.

Contudo nessa fase não creio que possamos ainda falar de amor.
Para darmos esse passo temos de estar já numa relação em que a nossa vontade nos compromete com a outra pessoa, com o bem da outra pessoa. Quem ama, quer que o outro seja feliz e compromete-se com essa felicidade e com a sua realização.

Claro que quem ama também quer ser feliz. Ignorar esta realidade seria um equívoco, pois ninguém pode contribuir para a felicidade dos outros a partir da sua própria infelicidade. O que acontece é que aquele que ama, vai descobrindo que a felicidade e realização do outro, a quem ama, vai constituindo cada vez mais a razão de ser da sua própria felicidade e realização.
Quando isto começa a ser evidente, quando o ser para o outro, a felicidade do outro, a promoção do outro são um compromisso assumido fielmente, então julgo que podemos dizer, sem margem para dúvidas, que estamos na presença do amor, que inclui certamente a dimensão do sentimento, mas que vai muito para além dela.

Ao falar na celebração do dom do amor é a esta realidade total que me quero referir. E porque é mais do que um sentimento ela pode marcar a totalidade da vida, mesmo quando não o sinto. Explico - m e, uma vez que esta última afirmação pode causar alguma estranheza. A intensidade, ao nível da sensibilidade e dos sentimentos, com que se vive esta realidade ao longo da existência não é a mesma, não sendo porque sinto menos, que amo menos. Pode até acontecer (e todos sabemos como acontece) que em determinados momentos estamos aborrecidos com aqueles que amamos e, apesar do nosso sentimento ser de aborrecimento, continuamos a amar.

Celebrar o dom do amor é pois celebrar o compromisso de querer ser para o outro, de modo a torná-lo mais pessoa e mais feliz.
É celebrar vontade de querer ser assim sempre, é assumir atitudes que concretizem esta vontade, este querer e este compromisso.
Por isso me parece absolutamente fundamental que os membros do casal encontrem momentos para, a dois, celebrarem e renovarem esta realidade, de modo a que ela continue a marcar a totalidade da existência.

A esses momentos é necessário também somar outros, onde o seu amor possa ser celebrado por todos aqueles que o partilham (filhos, amigos, familiares)
Estou verdadeiramente convencido de que é preciso celebrar o amor para que ele possa ser vivido como uma realidade quotidiana.

por Juan Ambrósio

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