7 de junho de 2010

Vamos continuar a celebrar


Ainda no âmbito das celebrações dos cinquenta anos do nosso Jornal da Família tive, há pouco tempo, a oportunidade de me encontrar com alguns dos seus colaboradores. Foi um momento informal, onde há volta de uma mesa partilhamos não só uma refeição, mas também olhares e ideias para o futuro. Confesso-vos que foi muito agradável e muito importante.
Agradável porque é sempre bom estar com os amigos, e aquilo que começou por ser uma relação meramente circunstancial entre mim e as Cooperadoras hoje já ultrapassou em muito essa fasquia, sendo agora uma relação de amizade e de uma certa cumplicidade ao nível de projectos.
Agradável também, porque é muito bom conhecer o rosto daquelas pessoas que, em certo sentido, já vamos conhecendo através dos diversos textos que vão escrevendo. Quando de novo tiver a oportunidade de ler os seus textos posso, agora, ‘ver ‘a sua cara e isso é, de facto, muito mais agradável.
Importante, porque, em conjunto, pudemos reflectir acerca do Jornal da Família, fazendo um breve balanço do percurso já realizado e, sobretudo, ousando olhar para a frente na tentativa de identificar caminhos que nos ajudem a mantermo-nos fiéis à missão desta publicação. Na verdade, um Jornal que tem como razão de ser a família só tem a ganhar se entre os diversos membros da sua redacção se respirar um ‘ar’ de família’.
Esta breve mas intensa e gratificante experiência leva-me, neste momento, a reflectir como é importante para a família a existência de tempos e espaços onde os seus membros possam partilhar olhares e projectos. Quando olhamos para a realidade que muitas vezes nos rodeia e que, por vezes, talvez demasiadas vezes, é também a nossa realidade, vemos como muitas famílias não têm estes tempos e espaços em comum onde possam avaliar percursos, sonhar projectos, em suma celebrar a vida.
Partilha-se a mesma casa, partilham-se os mesmos espaços, e os mesmos tempos, mas verdadeiramente acabamos por não nos encontrar. É por isso que os momentos de celebração se revelam, na minha opinião, da maior importância. Não simplesmente porque eles permitem alterar as rotinas, se bem que isso por si só já fosse o suficientemente importante, mas porque eles podem constituir-se como uma ocasião única para fazer uma paragem em ordem a olhar para trás e fazer uma avaliação do percurso realizado e em olhar para a frente para ousar continuar a caminhar, com forças e ânimos renovados.
As celebrações na família deveriam ser esta oportunidade única para que todos os seus membros se pudessem sentar e olhos nos olhos fizessem esse exercício de tornar conscientemente presente aquelas realidades que estão na base da sua existência. Cada celebração deveria ser esta oportunidade única de verdadeiramente nos concentrarmos naquelas que são as razões de ser da nossa existência familiar. Aquelas que foram no passado, aquelas que são agora e aquelas que têm de ser no futuro. Claro que há sempre algo que permanece, mas algo que tem sempre de ser concretizado em cada momento da vida que estamos a viver, algo que portanto tem de ser alimentado e perspectivado, algo que tem de crescer e amadurecer, que não pode nunca permanecer ao mesmo nível do princípio.
Só depois as celebrações deveriam ser ocasião para juntar os restantes familiares e amigos, para partilharmos com eles o sonho e o compromisso renovado, para os fazer participantes da nossa alegria e os comprometer também com ela.
Infelizmente muitas vezes trocamos a ordem e acabamos só por fazer a parte que junta os outros, sem antes termos nós celebrado, termos nós festejado, termos nós renovado o compromisso de continuarmos a crescer juntos.
Porque julgo esta realidade verdadeiramente importante gostaria de continuar a reflecti-la convosco pensando mais concretamente naqueles momentos em que celebramos a vida, o amor, a fé, a amizade.
Foi mesmo muito bom termo-nos juntado para celebrar a existência do nosso Jornal e para continuarmos a caminhar. Temos de fazer isso mais vezes. Assim a equipa que trabalha no Jornal da Família poderá também ela continuar a trabalhar num ambiente mais familiar.

por Juan Ambrósio

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