28 de junho de 2010

Os meios de comunicação social e a família (continuação)

Para o bom uso dos media, permitam-me que, sucintamente, vos deixe alguns avisos e também algumas propostas que considero deveras interessantes.

A primeira proposta é aquilo a que eu chamo o exercício do espírito crítico, bem fundamentado e sempre partilhado. Espírito crítico não significa ser-se sistematicamente desconfiado ou “do contra”. Significa, isso sim, saber observar a realidade toda (e não apenas parte), não ser preguiçoso quando é preciso pensar, saber prever as consequências dos vários cenários que se nos apresentam e também as dos nossos próprios actos, saber discernir entre o bem e o mal, saber ponderar custos e vantagens, saber escolher, ter a coragem de dizer “sim” a umas coisas e “não” a outras, saber decidir. Para saber agir e saber ser. E , naturalmente, partilhar este enriquecimento pessoal com quem nos está próximo.

Porque é o exercício do espírito crítico indispensável ao bom uso dos media? Aqui vão cinco motivos de peso.

O primeiro motivo é a tendência para tomarmos os comportamentos expostos nos media como paradigmáticos. Para muita gente, a realidade em que vivemos é mesmo aquilo que os meios de comunicação social apresentam e difundem. E a tendência é mesmo para ficarmos convencidos que aquilo que é dito, feito e mostrado nos jornais, rádio, televisão e internet corres-ponde à expressão e ao comportamento da maioria. Para muita gente, dizer e fazer o mesmo que os outros fazem, consumir o mesmo que os outros consomem e poder aceder aos mesmos bens que julgamos que à nossa volta também se acede, significa estar “bem inserido” na sociedade. E o contrário é sentido como estar isolado, desintegrado ou mesmo socialmente excluído. Assim se explica uma boa parte da influência que os media têm nos nossos comportamentos e atitudes.

Com o exercício do espírito crítico, bem fundamentado e sempre partilhado, nada disto acontece. Primeiro, depois de um exame mais atento, apercebemo-nos da dimensão excepcional e estatisticamente pouco relevante da maioria das opiniões, comportamentos e factos que os media nos apresentam como maioritários e significativos entre uma dada população. E logo a seguir apercebemo-nos do mais importante: o que os media nos apresentam é aquilo que os outros fazem; não necessariamente aquilo que está certo, exacto ou justo.

O segundo motivo em defesa do exercício crítico já foi aflorado há pouco: o mau uso dos media afasta-nos de quem está mais próximo, podendo mesmo conduzir a um maior isolamento das pessoas. A realidade chamada “virtual” não substitui nem o contacto ou convívio presencial, nem a expressão presencial do afecto, muito menos a partilha de emoções “olhos nos olhos”, seja entre namorados, entre pais e filhos, seja entre os espectadores na bancada de um recinto desportivo. A transmissão televisiva ou via internet, mesmo sendo em directo, também não substitui a realidade ritual dos Sacramentos, nem a partilha da presença real de Cristo na Eucaristia: há uma enorme diferença entre participar na Missa, estando presente, e assistir à sua transmissão televisiva.

O terceiro motivo de peso tem a ver com os muitos perigos de uma navegação desregrada e desatenta na internet. Não falo somente da facilidade de acesso a sites com conteúdos impróprios, sobretudo para os mais novos. Maior problema é mesmo o do fácil contacto com o mundo do crime organizado, sem nos apercebermos disso. A internet é uma fonte de contactos potencialmente perigosos, seja para a nossa segurança pessoal, seja para a integridade do nosso património, nomeadamente a conta bancária que possamos movimentar por via electrónica. Por muito cómoda que ela possa ser – e até é – a verdade é que a internet não é segura. Acrescem os riscos, por exemplo, das compras através da Internet: não só por se tratar muitas vezes de actividade comercial não ética ou, pelo menos, não regulada nem controlada por entidades públicas, mas também pela promoção de venda directa a crianças e adolescentes, atraindo-os a firmar compras não autorizadas pelos pais.

(Continua no próximo número)



por Joaquim Pedro
(ver a 1ª parte aqui)

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