25 de junho de 2010

Celebrar o Dom da Vida

Com muita frequência ouvimos, hoje, falar na promoção e defesa da vida. Há, de facto, uma nova atenção às diversas situações da vida reconhecendo como indignas, condições que antes eram toleradas ou mesmo aceites.
Pena é, sabemo-lo bem, que esta atitude não se estenda à vida na sua totalidade, uma vez que naquilo que diz respeito ao seu início e fim naturais são vários aqueles que a não olham como algo a promover e defender.

Nesta situação, como em tantas outras, julgo que aquilo que está em causa é a maneira como se olha para a própria vida. Quando o nosso olhar sublinha, sobretudo, a dimensão biológica e física, então começo a entender, se bem que continue a não concordar, que se ponha em causa a ‘consistência’ dessa mesma vida quando ela é ainda tão frágil, ou quando já está claramente num processo terminal.
Mas aqui do que se trata é da vida humana e, então, os critérios biológicos e físicos, se bem que não possam ser ignorados, não chegam, são mesmo muito insuficientes, na hora de se falar e actuar no sentido da promoção e defesa da vida.
A vida humana, porque humana, remete-nos para outro patamar, o da pessoa, o que obrigatoriamente nos leva a ter que olhar de outra maneira para ela. Assim, a dignidade da vida humana, o seu sentido, a sua realidade, não residem apenas, nem principalmente, na sua dimensão biológica e física, mas na pessoa viva, na pessoa que vive. Por isso, a vida, em todos os momentos, desde o seu início até ao seu fim, é algo inviolável que jamais pode ser secundarizado.
Esta breve reflexão serve-me para o que convosco quero partilhar acerca da celebração do dom da vida. Todos sabemos como é importante para cada um de nós, para as nossas famílias e amigos a celebração do dia de aniversário.
Nesse dia costumamos introduzir modificações no normal decorrer da nossa existência, fazendo coisas diferentes e tendo outra atenção. Isso é verdadeiramente muito importante. É mesmo muito bom que ‘paremos’ para saborear a vida, para sentir a vida de uma maneira mais ‘densa’ do que nos outros dias.
Mas celebrar o dom da vida, não é apenas, não pode ser apenas, celebrar mais um ano de vida. Também nesta ocasião o nosso olhar não deve ficar pelo biológico e pelo físico. Também aqui o nosso olhar deve centrar-se na pessoa que celebra a vida.
É por isso, que as datas de aniversário devem ser tão importantes na família. Elas são momentos que nos permitem parar para centrar o nosso agir e a nossa atenção naqueles que ‘fazem anos’.
Elas são um momento privilegiado para lhes dizermos de uma maneira muito especial o quanto os amamos; elas são um momento único para lhes fazermos sentir como estamos felizes porque eles existem, porque fazem parte da nossa vida enriquecendo-a.
Elas são ocasiões verdadeiramente especiais para percebermos que a dignidade da vida humana reside na pessoa que vive. No fundo, ao celebrarmos a vida de uma pessoa, é a própria pessoa que celebramos, é por ela que damos graças ao Senhor da Vida.
Não podemos deixar de fazer festa nestas ocasiões, celebrando o dom da vida. O dom que a nossa vida é para os outros, o dom que a vida dos outros é para nós.

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