27 de Maio de 2010

Os meios de comunicação social e a família

Ao reflectirmos sobre os meios de comunicação social, ninguém duvida que eles são instrumentos poderosos para o enriquecimento educativo e cultural, indispensáveis ao desenvolvimento da actividade económica, essenciais à participação dos cidadãos na vida política e também a uma maior compreensão e diálogo entre culturas e entre povos.
Par e passo com a evolução tecnológica, estes meios venceram praticamente todas as barreiras do tempo e do espaço, podendo mesmo dizer-se que qualquer dos cinco continentes está hoje à distância de um simples clique com o rato do computador ou de um dos botões do comando, que também à distância e sem fios, permite escolher um canal de televisão.
Com a mesma facilidade e rapidez, o menu de navegação rápida de um simples telemóvel permite-nos, não apenas ter acesso aos conteúdos dos meios de comunicação social, mas também publicar palavras, sons e imagens para uma audiência à escala mundial. As recentes catástrofes na Madeira e no Chile foram palco disso mesmo: a maioria das imagens da tragédia que jornais e televisões difundiram não foram captadas por profissionais desses meios, mas por repórteres amadores que as gravaram, as mais das vezes, com a câmara incorporada num simples telemóvel.
Impõe-se uma primeira pergunta: comunicamos depressa ou comunicamos à pressa? Na Roma Antiga, o filósofo Séneca legou-nos um aviso precioso: não chega primeiro o que vai mais depressa, mas aquele que sabe para onde vai. A este respeito, a sabedoria popular, de experiência feita, construiu uma conhecida rima com cinco palavras apenas: depressa e bem não há quem!
Segunda pergunta: Família e Comunicação Social – podem estas duas instituições ajudar-se uma à outra, em ordem ao desenvolvimento integral das pessoas e das próprias instituições?
O relacionamento proveitoso entre a Família e os mass media não é fácil. E não é só por causa da pressa em comunicar, nem do comunicar demasiado depressa…
A evolução rápida das tecnologias de informação e de comunicação continua a deslumbrar tudo e todos. Mas comporta pelo menos um paradoxo que é motivo de desilusão: é verdade que a tecnologia nos aproxima de quem está longe. Mas tende a afastar-nos de quem está perto! É verdade que a rapidez com que, através dos media, tomamos consciência das catástrofes no Haiti, na Madeira ou no Chile, muito ajudou a que, também rapidamente, aumentasse a nossa generosidade e solidariedade com quem sofre lá longe. Mas o mesmo não sucede relativamente às pessoas que nos estão bem mais próximas. Entre nós, na maioria das vezes em que as famílias aparecem referenciadas nos principais meios de comunicação, ou é para criticar medidas do Governo (ou a falta delas), ou para acusar os partidos da Oposição de postura pouco séria ou irresponsável. É muito raro encontrar nos media um apelo ou incentivo explícito àquilo que a Família pode e deve ser.
A minha convicção é a de que a Comunicação Social não é má em si mesma, nem sequer nociva para a harmonia familiar. A meu ver, a raiz do problema está mesmo na própria Família! Não porque os mass media tenham evoluído demasiado depressa, mas sim porque a Família se descaracterizou e se desestruturou. O nó do problema é o mau uso que a Família faz dos meios de comunicação social. O verdadeiro problema é quando a Família delega nos mass media funções que não devia delegar e que os media não estão vocacionados para desempenhar.
É um erro enorme usar a televisão ou a consola de jogos para entreter ou sossegar as crianças. E, pior ainda, delegar nesses meios as funções de educação e de socialização dos mais novos. É um erro pensar que a solidão das pessoas idosas se resolve abandonando-as em frente do televisor durante cinco horas e meia por dia, em média. Os estudos de audiência mostram que, de longe, o público que mais horas passa em frente do televisor é a população idosa. Para estar “entretida”, dirão alguns; por se sentir e estar, de facto, sozinha - digo eu.

por Joaquim Pedro
(Cont. no próximo número)

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