24 de abril de 2010

A “Ecologia Humana” de Bento XVI


Recordamos que o ecologismo foi inicialmente definido como uma ideologia política, baseada na preocupação pelo eventual esgotamento dos recursos naturais e o futuro da vida no planeta, uma tese felizmente, não confirmada.
Preocupação que promoveu o "estudo das relações entre os seres vivos e o ambiente em que habitam", e que levou o cientista alemão Ernest Haeckel a designá-lo em 1869, pela primeira vez, com o termo “ecologia”. A partir daí, têm sido muitos os movimentos que se dedicaram ao estudo e defesa do ambiente: cientistas, políticos e, mais recentemente, o Nobel Al Gore.
O Papa Bento XVI na sua Encíclica Caritas in Veritate, assinalou que a questão do ambiente está ligada ao desenvolvimento humano integral pelo que, quando na sociedade se respeita a ecologia humana, é beneficiada também a ecologia ambiental.
Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, dedicada este ano à “questão do respeito pelo ambiente”, o Santo Padre defende que o respeito pela natureza está estreitamente relacionado ao respeito pela pessoa humana, porque “o livro da natureza é único”.
Para o Papa, a preocupação pelo meio ambiente é inseparável do respeito à vida do não nascido e do matrimónio concebido como a união entre o homem e a mulher. Defender o criado, exige respeitar a natureza do ser humano, o que realmente o distancia do movimento ecologista contemporâneo inclusive, o de Al Gore.
Jorge Weigel num artigo publicado em The Catholic Diffe-rence, considera que o facto de Bento XVI se referir à 'Criação', supõe um desafio aos dogmas seculares subscritos por muitos activistas do ecologismo actual.
Em 11 de Janeiro, dirigindo-se aos membros do corpo diplomático acreditado na Santa Sé, Bento XVI insistiu em que a visão do homem sustentada por pessoas e governos, tem consequências no meio ambiente. Refere que depois da queda do muro de Berlim e do derrube dos regimes materialistas e ateus, se tornou patente “o alcance das feridas profundas que um sistema económico, sem referências fundamentadas na verdade do homem, tinha infligido, não apenas à dignidade e à liberdade das pessoas e dos povos, mas também à natureza, com a contaminação da terra, das águas e do ar”.
Continuou dizendo que “a negação de Deus desfigura a liberdade da pessoa humana, ao mesmo tempo que devasta a criação. Por isso, a salvaguarda da criação não responde principalmente a uma exigência estética, mas acima de tudo a uma exigência moral, uma vez que a natureza manifesta um desígnio de amor e de verdade que nos precede e que vem de Deus”…
Estas reflexões, servem ao Papa para tirar duas implicações concretas que devem ir unidas à causa do ecologismo: o respeito pela vida humana desde a concepção até à morte natural e a defesa do casamento concebido como um vínculo estável entre um Homem e uma Mulher.
Acerca da primeira questão, o Papa pergunta: “Como é possível separar ou apresentar como antagónicas a protecção do meio ambiente e a protecção da vida humana, incluindo a do não nascido? É no respeito à pessoa humana onde se manifesta o sentido de responsabilidade pela criação. Pois como ensina S. Tomás de Aquino, o homem representa o mais nobre do Universo”.
Em relação à segunda, Bento XVI denuncia as tentativas de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo: “As criaturas diferem umas das outras e, como prova a experiência diária, pode-se protegê-las ou causar-lhes dano através de muitas formas. Um ataque provém das leis e propostas de leis que, em nome da luta contra a discriminação, atentam contra o fundamento biológico da diferença entre os sexos”.
É por demais evidente que o discurso clarividente do Papa estende a mão a todos aqueles que queiram construir um ecologismo integral. Convida ao respeito pelo sentido que o Criador inscreveu na sua Obra, confiando ao Homem o papel de guardião e administrador responsável da Criação, papel de que não deve abusar, mas também não pode abdicar.
O Papa sublinhou ainda que uma verdadeira protecção da natureza está intimamente relacionada com o respeito devido à dignidade da pessoa, a que chama “ecologia humana”.
Assim, reconhecemos como é importante uma educação na responsabilidade ecológica que salvaguarde uma autêntica ecologia humana! Por tudo isso, é necessário continuar a afirmar e a defender a inviolabilidade e dignidade da vida humana em todas as suas fases e condições; a missão insubstituível da Família (Pai, Mãe, Filhos...), onde se educa para o amor ao próximo e o respeito por toda a natureza.
O Papa, na sua Mensagem “01 de Janeiro 2010”, acrescenta ainda que é preciso preservar o património humano da sociedade. Um património de valores que tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, no coração de cada ser humano, e que é fundamento do respeito por toda a pessoa humana e pela criação. E conclui dizendo que não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados na família, na escola e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos! “O livro da Natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social”.

por Helena Marques

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