8 de fevereiro de 2010

O aniversário do Jornal da Família


Há 50 anos nascia o nosso jornal, surgido da inspiração de Monsenhor Alves Brás, mais um instrumento seu ao serviço da família, a quem dedicou toda a sua vida.
Comovido com a doença física que roía a família do seu tempo e mais do que isso a moral, que minava as jovens que procuravam a cidade, vítimas da exploração de toda a ordem, pagando duplamente com o corpo, Monsenhor Alves Brás advogou sempre a causa dos pobres, dos miseráveis, dos mais carenciados, sem deixar de implorar, para eles, a protecção divina, do Senhor da história, que àqueles acaba por assistir.
À margem de qualquer compromisso ideológico, "O Jornal da Família" mantém a obediência a uma linha de pensamento que concebe a família como o sustentáculo, o pilar da sociedade, a célula de agregação, sangue do tecido social, o núcleo poderoso que revitaliza a convivência humana. Ao fim e ao cabo o "Jornal da Família" presta culto a uma instituição milenar, que entronca e se erige numa união entre duas pessoas de sexo diferente em vista de um objectivo comum, de entendimento entre os seus membros, de estabelecimento de laços de carinho e amor, entreajuda, continuidade humana e moral intemporais.
Não abdica, em qualquer circunstância, deste sistema compósito, mas também não afronta agrupamentos humanos, de diferente integração.
Apoia a vida, que começa logo na reunião bicelular diferenciada, reafirma este princípio, que já ninguém ousa contestar, a não ser de má fé ou por pura ignorância.
Reclama uma fatia de aproveitamento correcto dos réditos alcançados pelo Estado, mercê do contributo de todos os cidadãos, porque todo o empreendimento do Estado é obra de todos e não deste, O Estado é uma ficção e ficcionado o seu empreendimento.
Lamenta o facilitismo do divórcio por parte do Estado, que se tornou muito mais divorcista do que os próprios cidadãos, admirados com a "esmola" avantajada.
Lacrimeja pelas crianças sem pão, que muitos são, e reivindica gastos públicos mais equilibrados que muito, mas mesmo muito, os aliviaria da fome.
Postula um convívio sadio entre os jovens, e repudia abertamente a promiscuidade sexual, a que a libertinagem instituída, aprovada por muitos, conduz. Está atento ao flagelo do desemprego e diz aos quatro cantos que foi o egoísmo, a ganância e a sede de tudo para si e o pouco para o outro que desencadeou a crise de pão, desespero e animosidade - esperemos que se quedem por aqui os seus efeitos - que crescem por aí.
Grita pelo apoio familiar dos idosos nas suas próprias famílias, através de um esquema assistencial público em nome do pagamento da prestação ao longo da sua vida em favor de todos e, portanto, a todos se impondo retribuir na recta final.
A família - modelo de Jesus, Maria e José, comunidade perfeita de amor e equilíbrio foi a atracção de Monsenhor Alves Brás, tão perfeita que a mãe de Jesus, não O abandonou na experiência dolorosa da Cruz; após a descida desta, Maria recolheu, abraçou e beijou o Seu filho, exangue, injustiçado pelos homens, invejado pelo poder terreno, mas num indizível gesto amoroso, de que a Pietá é pálida amostragem, perdurável na memória do tempo e até ao seu fim.
E é essa experiência de amor, quantas vezes dolorosa, e arrasadora, que Monsenhor Alves Brás proclamou para cada família, não se cansando de a exaltar, para um mundo melhor.
O "Jornal da Família", pelos seus colaboradores, dá eco ao valor da família, ao projecto divino que paira sobre ela, crê que foi atingida por ventos adversos, soprando de díspares quadrantes, mesmo por perseguição quer por via directa quer indirecta; desviar-se da promoção dos seus ideais, seria trair um dos apóstolos que nos nossos tempos, generosamente, esteve ao seu lado, amando o próximo em dificuldade, estendendo- lhe a mão, promovendo a sua elevação.


por Armindo Monteiro
Imagem tirada so site www.torchleader.com

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