19 de novembro de 2009

A destruição da Família


Sim, já não vale a pena tentar tapar-se o sol com a peneira. A família está destruída, enquanto célula da coesão social, enquanto centro de sustentáculo do futuro, enquanto núcleo de projecção da paz individual e colectiva, enquanto criador de valores, suporte da estabilidade desejável, inexistente.
A causa da sua desagregação está diagnosticada: um mau uso da liberdade individual e colectiva, que desaguou na permissividade, no relativismo, em suma e em parte em libertinagem.
O relativismo é a ausência de consciência do mal; já não há valores absolutos de prescrição incontornável, de observância genérica, a que todos estamos obrigados; ao sofrimento que é próprio da condição humana, dele se foge ao mais pequeno sintoma e o que importa é o prazer imediato, donde os vínculos familiares entre pais e filhos, marido e mulher subsistirem enquanto não forem fonte de obstáculos, tropeços e limitações.

Daí o divórcio generalizado, o abandono dos pais, a desresponsabilização na relação filial, o desrespeito e a violência dos filhos sobre os pais e vice-versa, o aborto e o adultério.
E sabemos quem são os grandes fautores da destruição familiar.
Logo após o 25 de Abril, no uso de uma liberdade imoderada, começou a divulgar-se a ideia de que a criança era um ser intocável; contrariá-la o maior mal, dizia uma vaga de teóricos, em contrário do que se defende na actualidade, com convicção, frontalidade e apelo firme.
Criou-se uma juventude rebelde, incontrolada e incontrolável, movida pelo denominador comum da máxima liberdade e irresponsabilização e a breve trecho sucumbindo ao consumo de drogas, álcool, praticando sem limites o sexo livre.
Essa juventude levou à escola a deseducação, a violência física e verbal, que espalhou entre si e atingiu, depois, os próprios docentes.
O divórcio, com todas as consequências perversas e desastrosas, alastrou a olhos vistos e o casamento, pelo facilitismo consentido, consumado hoje, é dissolúvel amanhã ao abrir da repartição pública.
A desnecessidade de tamanho facilitismo nem sequer comportava base sociológica.
O aborto, essa forma de matar inocentes, tornou-se mais permissiva na lei.
A união de facto, que, muitas vezes, é uma forma experimental de vida, um ensaio entre as pessoas, tende a ser muito próxima do casamento.
A união entre homossexuais tornou-se uma ideia a implementar futuramente na lei, não sendo expectável grande movimentação de massas em contrário, porque, infelizmente entre nós, verdadeiramente as pessoas só se sentem atingidas quando lhes mexem nos bolsos.
Claro que na base dessa desgraça que se abateu sobre o equilíbrio, segurança e a tranquilidade individual estão umas vezes, os políticos e os seus ideólogos, os intelectuais, que transpõem para o papel o seu pensamento próprio, sem mandato do povo que os escolheu.
Outras vezes são os mesmos políticos que, interessadamente, porque não ignoram que o facilitismo e a ruptura, o amostrar de facilidades lhes dá votos, eternizando-os no poder, promovem, decididamente, medidas legislativas inovadoras, alheios às concepções dominantes e disso plenos conhecedores.
Responsáveis, ainda, pela destruição aqueles para quem o único valor que importa respeitar é o máximo lucro na difusão de conteúdos, sabendo que neles se faz a apologia da violência e sexo fácil, não só pela via escrita como pela imagem, pela calada da noite.
Por fim todo um conjunto de pessoas que fazem negócio e vivem da potencial degradação da juventude, por exemplo os traficantes de droga, os chamados "cavaleiros da morte", inimigos sociais, temidos pelo tecido colectivo, sem grande espaço social.
O consumo de haxixe aumentou, entre nós, sobretudo no meio estudantil nas escolas, falando-se que já a partir dos dez e onze anos, com todo o cortejo de malefícios, que tendem, agora corajosamente a ser declarados, ao contrário do que sucedeu no passado, onde não passava dos que o consumo de um copo de vinho causava, mas que hoje se cifra na origem de graves psicoses e transtornos, graves e da mais diversa ordem. Entre nós esses efeitos foram ocultados e foi preciso os estudiosos ingleses decretarem-nos para timidamente se aceitarem. Sempre na vanguarda da dúvida ante a evidência, é este povo com tanto de invejoso como de desconfiado.
Destruída a família convencional, com pai, mãe e filhos, cedendo o passo à união de um pai, com filhos seus, uma mãe com filhos seus, a que se juntam os de ambos, no meio desta confusão são as crianças quem mais sofrem, as grandes vítimas da enorme confusão em que se vêem envolvidos.
Por fim, a essa crise de valores, que aproveita a muitos, soma-se uma crise económica, com tanto de inevitável, como provocada intencionalmente por uns quantos, de forma maliciosa, ou não fossem portugueses.

por Armindo Monteiro

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