29 de outubro de 2009

Inquisição

José Saramago volta a atacar grosseiramente a fé cristã. Se alguém lesse os livros dele como ele lê a Bíblia também não perceberia nada. Isto não é propriamente novidade, pois há muito se mostra perturbado pelo tema.
O escritor tem todo o direito às suas convicções. Graças aos 87 anos e prémio Nobel, também parece ter o direito de atacar as dos outros. Está isento dos requisitos de respeito e tolerância exigidos aos cidadãos civilizados. Aliás, segundo alguns, os católicos até deviam ficar agradecidos por serem insultados por tão supina entidade.
A reacção dele é: «O que me vale é que já não há fogueiras em São Domingos» (Expresso, 24/Outubro). E a nós, o que nos vale é que aqui não haja gulagues da URSS, purgas soviéticas, massacres estalinistas, maoistas e afins. Saramago teme acontecimentos com vários séculos, aberrantes na história da Igreja, repudiados pela generalidade dos cristãos e sempre empolados e recordados pelos ateus. Nós lembramos perseguições que só foram interrompidas na Europa há poucos anos e ainda perduram nos países comunistas; que fazem parte da estratégia própria da ditadura do proletariado e destruíram muitíssimo mais gente que os esparsos e morosos processos da Inquisição.
É bom lembrar ao grande autor que o agressor é ele. Insulta, é aclamado e depois ainda se queixa. Vivemos num mundo onde, no tema da religião, são os que atacam que acabam protegidos e beneficiados. Resta a consolação de, ao menos no longo prazo, estas atoardas acabarem por classificar quem as faz e não aquilo que atacam.


por João César das Neves
in Destak, 29/10/09

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