26 de junho de 2009

Com a crise que por aí vai... pobres dos pobres

Com a crise económica que esta assolando o mundo inteiro, são cada vez maiores os desequilíbrios que afectam a balança orçamental doméstica da grande maioria das FAMILIAS PORTUGUESAS, verdadeiro “tsunami” ou vaga alterosa que tudo submerge, avassaladoramente.
Daí a crescente preocupação que neste momento domina, tanto governantes, como governados.
Como reflexo de tudo isto, já ascende a 9,6 por cento (600 mil trabalhadores) o desemprego, no nosso País. Consequentemente, o crédito mal parado, já trepa a 2,6 por cento; as receitas fiscais, tiveram um acentuado decréscimo, de 11 por cento e o subsídio de desemprego, já se alcandorou a 21 milhões de Euros. É obra…
Neste circunstancialismo ocasional, as FAMÍLIAS PORTUGUESAS estão a ficar, economicamente, asfixiadas, vivendo, neste momento, em tormentosa agonia lenta, sem vislumbrarem um futuro melhor, nos tempos mais próximos, nem uma réstia de esperança, de melhores dias.

Tanto os noticiários da Imprensa, da rádio e da Televisão, como os analistas financeiros e comentadores políticos, só nos dão conta dos melindrosos problemas económicos, de gestores corruptos e de desvarios orçamentais, que atingem, impunemente, milhões de Famílias, deixando endividados os agregados familiares e assim, aumentando o intransponível fosso que existe entre ricos e cidadãos, reduzidos a aflitiva pobreza.

Bem proclamavam os líderes do “putsch” do 25 de Abril, há 35 anos, que a “Revolução dos Cravos” tinha como firme propósito, acabar com a guerra do ultramar; descolonizar os territórios ultramarinos; instaurar a democracia; suprimir, de maneira irreversível, censura; liquidar a PIDE; extinguir os riscos; para trabalho igual, haver salário igual; reduzir, drasticamente, o leque salarial.

Só que, 35 anos depois, o fosse que existe entre os vencimentos dos administradores de empresas e os restantes empregados, é abissal e ultrajante, para as classes médias e baixas.

Daqui resulta que, enquanto uns vivem como nababos, na opulência e num clima de magnificência, 90 por cento dos Portugueses, levam uma existência espartilhada e cheia de dificuldades financeiras, por graves problemas económicos e sociais e por um progressivo endividamento, através das “generosas” linhas de crédito que diariamente lhes são facultadas. Neste contexto, as FAMILIAS PORTUGUESAS estão, em cada dia que passa, a ficarem mais pobres, havendo já três milhões de cidadãos, a estender a mão à caridade pública. Esta vaga de pobreza, está já a atingir muitos que ainda há bem pouco tempo, pertenciam à classe remediada e agora, fazem parte integrante da pobreza envergonhada do nosso País, por não terem tido possibilidade de liquidar os créditos que haviam contraído, com a aquisição de casa e carro, para morar e para se transportar. Recentemente, a Eurostat revelou que 30 por cento da população portuguesa, já vive na miséria, ou seja, três milhões de portugueses, já vivem na indigência.

Na União Europeia, a taxa de pobreza, situa-se nos 16 por cento, o que coloca Portugal, à frente da média dos países da U.E., no que se refere à pobreza.

Segundo alguém informou, “pode ser considerado pobre, quem aufere um salário menor de 60 por cento da média dos vencimentos que praticam no seu país, ou seja, quem possuir rendimentos inferiores a 60% dos ordenados recebidos por metade da população. No que respeita a Portugal, essa importância corresponde a 380 Euros, por mês”. Segundo este critério, na U.E. parece que há 70 milhões de pobres. Mas isto tem-se acentuado com a introdução da Moeda Única, que se dizia ser um meio redentor de se mitigar a pobreza, quando está a verificar-se que a Moeda Única só tem servido é para ajudar a degradar, cada vez mais, o nível de vida das sociedades. Veja-se só quanto custava um “café” antes do euro. Uma média de 50 escudos. Agora custa 50 cêntimos, ou seja 100 escudos.

Nas igrejas, muito raramente se via nas cestas do ofertório, uma nota de mil escudos. Agora é frequente ver-se dar de estipêndio, cinco euros (mil escudos).

Por isso, neste momento, é ver como desaparecem dos nossos bolsos, os Euros, do que resulta ter emprego, já não ser sinónimo de estar no patamar superior da pobreza. Nos dias que correm, a asserção de que só é pobre, quem não quer trabalhar, perdeu toda a razão de ser. E isto porque 15% dos trabalhadores, estão no limiar da pobreza, tendo em conta o princípio supracitado. Além do mais, um quinto dos portugueses, vivem com menos de 450 euros, por mês.

As estatísticas, editadas pelo Instituto Nacional de Estatísticas, dão também a conhecer, uma situação bastante preocupante que é a seguinte: Se não existissem as pensões de reforma, e os prestimosos apoios da Segurança Social, mais de cinco milhões de portugueses estariam em sério risco de indigência. Mesmo assim, acentua-se cada vez mais, o desequilíbrio entre os poucos portugueses que vivem sumptuosamente e os pobres que à sorrelfa, vão apanhar a pestana do bacalhau que os ricos, desprezivelmente, deitaram fora, para a rua. Este fosso, é o maior dos países da comunidade. E, se dissermos que a este nível está associada uma tremenda desigualdade de rendimentos produzidos, que é a mais elevada de todos os países da U.E., então a preocupação redobra.

O mesmo relatório, da Eurostat, revela que Portugal é o segundo país, logo a seguir à Polónia, onde o risco de pobreza infantil é o mais elevado. O crescente desemprego, o baixo nível da vida, o insucesso de aprendizagem escolar, e a elevada taxa de abandono da vida académica, são as causas principais apontadas para esta lamentável situação.

Depois de tudo isto, só podemos concluir que, no nosso país, continuam a imperar as desigualdades entre alguns poucos cidadãos, que tudo têm e vivem em opulento estadão e outros, os milhões, que arrastam uma vida difícil, desesperada e quase nada tem para sobreviver. Vejam só, como o Banco Alimentar

Contra a Fome, através das suas permanentes e caritativas acções de solidariedade e filantropia, ajudaram, só no ano de 2008, cerca de 400 mil pessoas carenciadas de auxílio alimentar. Venham ver como, quase diariamente, batem à porta da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, inúmeras pessoas, a mendigarem alimentação. Procurem Arnel

Afonso, que de maneira desvelada e proficiente, se encontra à frente do Banco Alimentar Contra a Fome, no conselho de Castelo Branco, e ele vos conduzirá a casa de quem tem de passar fome, por carência de recursos económicos.

Vão até à sala de espera das Consultas Externas do Hospital Amato Lusitano, de Castelo Branco, e ali encontrarão pessoas, que não tem necessidade de serem consultadas, mas só ali estão esperando que passe a senhora, voluntária, com o carrinho das bolachas, do leite e do chá. Porém, indiferentes a estas situações, e alheios a tudo isto, muitos continuam a viver na crista da onda, de maneira faustosa e opulenta, aprovando projectos megalómanos e nalguns casos desnecessários, os quais irão custar, ao erário público, isto é, ao bolso de todos nós, somas astronómicas. Na Assembleia da

República, escândalo dos escândalos, os partidos com assento parlamentar, acabam de aprovar, com apenas um voto contra do deputado socialista, António José Seguro, a Lei do Financiamento dos Partidos, que concede às formações partidárias, mais um milhão e trezentos mil euros, mais 55%, para poderem gastar em campanhas eleitorais.

Enquanto o Povo anónimo tem de apertar o cinto, até que um dia possa surgir alguém, com pulso, dinamismo e discernimento, capaz de travar esta onda de irresponsabilidade e de hilariante e opulenta ostentação, à mesa do orçamento estatal…
por Fabião Baptista 

0 Comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More