7 de maio de 2009

Jornalismo

O Expresso da semana passada (1 de Maio) incluiu na secção Internacional uma grande peça em duas páginas intitulada "Desgoverno no Vaticano". O conteúdo era mexeriquice assumida, boatos tontos, distorções, calúnias. A coisa não melhora por os textos serem de um «correspondente em Roma» e incluir uma entrevista com o suposto «'vaticanólogo' mais rigoroso e independente do mundo» (como sabe?). Para confirmar o nível, a maior parte do espaço era ocupada por uma enorme caricatura enxovalhante do Papa.
Uma coisa destas é muito informativa, não sobre a Santa Sé, mas sobre o Expresso. É o jornal que fica mal visto perante tal material. Porque o que está em causa não é informação, opinião ou ideologia. A verdadeira questão é profissionalismo, dignidade, elevação. Mesmo quando a imprensa decide atacar alguma personagem, como o faz regulamente, é necessário manter os mínimos de decência e objectividade.
Habituámo-nos ao tratamento hostil e persecutório que a imprensa tem dedicado a Bento XVI, tão diferente da paixão mediática por João Paulo II. As posições da Igreja sobre os temas decisivos não mudaram, mas agora elas são tratadas com desprezo e ironia, enquanto antes eram respeitadas ou ao menos toleradas. É fácil entender a terrível tentação do jornalista de utilizar o enorme poder das páginas de um semanário para descarregar as suas raivas ou caprichos pessoais. Uma publicação respeitável tem de reprimir tais instintos. Isso deve-o o Expresso, não à Igreja ou Vaticano, mas à sua própria identidade como jornal de referência.

Por João César das Neves

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