26 de fevereiro de 2009

Bater no fundo?

Quem todos os dias são bombardeados pelo progressivo adensamento da crise nas suas múltiplas facetas, tem a sensação de que se vai mesmo bater no fundo.
Todo o mundo 'grita' a necessidade de mudança: a família está mal, a escola está mal, os jovens vivem sem referência, verdadeiras marionetes das modas, do afecto, da droga, do vandalismo; a pobreza está aumentar; o desemprego a subir; os bancos a falirem; a natalidade a baixar e o país a envelhecer; a corrupção a aumentar; a dívida externa a crescer; a produção a inflectir, a Europa a reclamar etc... É normal que o comum cidadão diga para si mesmo, vai-se bater no fundo?
Na verdade as coisas complicam-se se, quando se está na iminência de bater no fundo, e se continua, teimosamente, a defender e a aprovar os princípios e as políticas que, gradualmente, foram atirando o país e os cidadãos para este caos.
Face a este panorama, as atitudes podem ser duas: A primeira, e a mais fácil, é aquela de, enraivecidamente, encontrar os 'culpados', acusando, lamentando, maldizendo, questionando, atirando pedras, etc. A segunda, e a mais construtiva, é a que se propõe aprender com os erros, os pessoais e os dos outros, para que panorama idêntico não se volte a repetir.
Esta última postura, é mais pessoal, desafia o sentido de co-responsabilidade. A pessoa assume uma postura cooperante, face ao inevitável, que não significa aceitação de tudo, antes, exige o confronto e a procura do melhor para todos e não apenas para 'mim'. É mais que evidente que se foi longe de mais em muitas situações, os interesses pessoais sobrepuseram-se, sem dúvida, ao bem comum e isso deveria ser penalizado, na proporção.
Evitar que se bata no fundo, diz respeito a cada cidadão e exige sobriedade, transparência, coerência de critérios, pois há contra-valores que não servem a mudança, porque nocivos ao bem comum. Não se sabe se Obama vai conseguir ser fiel ao que prometeu e às elevadíssimas expectativas dos
Americanos e do mundo, mas o que é verdade é que a apresentação de um código de ética governativo, foi uma das suas primeiras medidas para fazer face à crise. Que esta lição sirva a cada cidadão e ao governo português.


por Maria Vieira

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