1 de julho de 2008

Namoro, tempo de conhecer

Por Prof. Felipe Aquino
Quando vais comprar uns sapato ou um vestido, não levas para casa o primeiro que experimentas, é claro. Escolhes, escolhes… até gostares da cor, do modelo, do preço, e servir bem nos seus pés ou no seu corpo. Se escolhes com tanto cuidado um simples sapato, umas calças, quanto mais cuidado precisas de ter ao “escolher” a pessoa que deve viver ao teu lado para sempre, construir uma vida a dois contigo, e dando vida a novas pessoas.

Talvez possas um dia mudar de casa, mudar de profissão, mudar de cidade, mas não acontece o mesmo no casamento. É claro que não vais escolher a futura esposa, ou o futuro marido, como se escolhe uns sapatos. Já dizia o poeta que “com gente é diferente”. Mas, no fundo será também uma criteriosa escolha.
Se escolheres namorar aquela rapariga, só porque ela é “fácil”, pode ser que chores depois se ela te deixar por outro. Se escolheres aquele rapaz só porque ele é um “gato”, pode ser que amanhã ele faça com que tu chores quando se cansar de ti. A escolha do namorado não pode ser feita só “por fora”; mas principalmente por dentro. O Pequeno Príncipe nos ensinou que “o mais importante é invisível aos olhos”.
O namoro é este belo tempo de saudável relacionamento entre os jovens, onde, conhecendo-se mutuamente, vão se descobrindo e fazendo “a grande escolha”. Já ouvi alguém dizer, erradamente, que “o casamento é um tiro no escuro”; isto é, não se sabe onde vai acertar; não se sabe se vai dar certo. Isto acontece quando não há preparação para a união definitiva, quando não se leva a sério o amor pelo outro.
Todo o casamento começa num namoro; por isso não se pode levá-lo na brincadeira; é coisa séria. A preparação para o teu casamento começa no namoro, quando conheces o outro e verificas se há afinidade dele contigo e com os seus valores. Se o teu namoro for sério, o teu casamento não será um tiro no escuro, e nem uma roleta da sorte. O teu casamento vai começar num namoro. Por isso, não brinques com ele, não faças dele apenas um passa – tempo, ou uma “gostosa” aventura; estarias a brincar com a tua vida e com a vida do outro.
Só começas a namorar quando souberes “porque” vais namorar. Mais importante do que a idade para começar a namorar, 13 anos, 15 anos, 17 anos, 22 anos, é a tua maturidade. A idade em que deves começar a namorar é aquela na qual já pensas no casamento, com seriedade, mesmo que ele esteja ainda longe. Não se faz nada bem feito na vida se não temos uma meta a atingir.
Para que possas fazer bem uma escolha, é preciso que saibas antes o que queres. Sem isto a escolha fica difícil. Que tipo de rapaz tu queres? Que qualidades a tua namorada deve ter? O que esperas dele ou dela? Esta premissa é fundamental. Se não sabes o que queres, acabas por levar qualquer um… Os valores do teu namorado deve ser os mesmos valores teus, senão, não haverá encontro de almas. Se és religiosa e queres viver segundo a Lei de Deus, como namorar um rapaz que não quer nada disso? É preciso ser coerente contigo mesma. O casamento é uma unidade de almas e a religião é muito importante nessa união.
Se tens uma boa família, teus pais amam-se, teus irmãos estão juntos, então será difícil construir a vida com alguém que não dá importância para o valor da família. Tenho encontrado muitos casais de namorados e de casados que vivem uma dicotomia nas suas vidas religiosas; e isto é motivo de desentendimento entre eles. Há jovens que pensam assim: “eu sou religiosa e ele não; mas, com o tempo eu levo-o para Deus”. Isto não é impossível; e tenho visto acontecer. No entanto, não é fácil. E a conversão da pessoa não basta que seja aparente e superficial; há que ser profunda, para que possa satisfazer os seus anseios religiosos.
Não renuncies os teus autênticos valores na escolha do outro. Se é lícito tentares adequar-te às exigências do outro, por outro lado, não é lícito matares os teus valores essenciais para não perdê-lo. Diz o povo que é melhor andar só do que mal acompanhado. Tenho visto muita gente a chorar, depois de casado, porque aceitaram-se casar sem convicção, e fizeram-no mais por conveniência.
Não sacrifiques o que és, para conquistar alguém. Há coisas secundárias dos quais podemos abdicar, sem comprometer a estrutura básica da vida, mas há valores essenciais que não podem ser sacrificados.
Algumas raparigas e rapazes católicos aceitam um namoro com alguém divorciado, por medo de ficarem sós. É verdade que o casamento de um divorciado pode ser declarado nulo pela Igreja, mas é um processo que não é sempre rápido. E não se pode casar sem a declaração de nulidade dada pelo Tribunal da Igreja. É melhor ficar só, do que violar a Lei de Deus; pois ninguém pode ser plenamente feliz se não cumpre a vontade Dele. Portanto, é importante que saibas o que queres, e que saibas conquistá-lo sem te renderes. Não te faças de cego, nem de surdo, e nem de desentendido.
Para que possas chegar um dia ao altar, terás que escolher a pessoa amada; e, para isto é fundamental conhecê-la. O namoro é o tempo de conhecer o outro. Mais por dentro do que por fora. E para conhecer o outro é preciso que ele “se revele”, se mostre. Cada um de nós é um mistério, desconhecido para o outro. E o namoro é o tempo de revelar (= tirar o véu) esse mistério. Cada um veio de uma família diferente, recebeu valores próprios dos pais, foi educado de maneira diferente e viveu experiências próprias, cultivando hábitos e valores distintos. Tudo isto vai ter que ser posto em comum, reciprocamente, para que cada um conheça a “história “do outro. Há que revelar o mistério!
Se não te revelares, ele não vai conhecê-la, pois este mistério que tu és, é como uma caixa bem fechada e que só tem chave por dentro. É a tua intimidade que vai ser mostrada ao outro, nos limites e na proporção que o relacionamento for aumentando e se firmando. É claro que não vais mostrar ao seu namorado, no primeiro dia de namoro, todos os seus defeitos. Isto será feito devagar, na medida que o amor entre ambos se fortalecer. Mas há algo muito importante nesta revelação própria de cada um ao outro: é a verdade e a autenticidade. Sê autêntico, e não mintas. Sê aquilo que és, sem disfarces e fingimentos mostra ao outro, lentamente, a sua realidade.
A mentira destrói tudo, e principalmente o relacionamento. Não tenhas vergonha da tua realidade, dos teus pais, da tua casa, dos teus irmãos, etc. Se o outro não aceitar a tua realidade, e deixá-lo por causa dela, fica tranquilo, esta pessoa não era para ti, não te ama. Uma qualidade essencial do verdadeiro amor é aceitar a realidade do outro.
O amor pelo outro cresce na medida que o conheces melhor. Não existe verdadeiro amor à primeira vista. Não se ama alguém que não se conhece. Não fiques cego diante do outro por causa do brilho da sua beleza, da sua posição social ou do seu dinheiro. Isto impediria de o conheceres interiormente e verdadeiramente. Não te esqueça: “o importante é invisível aos olhos”. “Só se vê bem com o coração”. São Paulo lembra-nos que o que é material é terreno e passageiro, mas o que é espiritual é eterno. Tudo o que vês e tocas pode ser destruído pelo tempo, mas o que é invisível aos olhos está apegado ao ser da pessoa e nada pode destruir. Esse é o seu verdadeiro valor.
O namoro não é o tempo de viver a vida sexual; ela ainda não lhe pertence; vocês não colocaram ainda uma aliança na mão esquerda; amanhã ela poderá casar-se com outro… O sexo é o selo da união matrimonial.
A beleza do corpo dela hoje, embora seja importante, amanhã não existirá mais quando o tempo passar, e os filhos crescerem… O amor não é um acto de um momento, mas constrói-se “a cada momento”. Não se pode conhecer uma pessoa “à primeira vista”, é preciso todo um relacionamento. Só o tempo poderá mostrar se um namoro deve continuar ou terminar, quando cada um poderá conhecer o interior do outro, e então, puder avaliar se há nele as exigências fundamentais que fixaste.

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