11 de julho de 2008

A Família e a Educação: Para que se educam os filhos

Por Mª Helena Henriques M.

Que está a acontecer à juventude? Perguntam a si mesmos muitos pais de família. Basta sair à rua de qualquer cidade para se verem os sintomas de um caos considerável. Cruzamo-nos com rapazes e raparigas que andam de um lado para o outro, sem parar, tentando afogar com a sua extravagância o vazio interior que o seu olhar reflecte.

Às vezes são os filhos de pessoas muito próximas, os filhos dos nossos amigos...

Todos - como um só – sem rumo determinado, entre ruídos numerosos e indecifráveis.

Qualquer um deles, separado dos outros, fala de justiça social, de igualdade, de “sinceridade”... Aprofundamos e, afinal, nada. Derruba-se toda essa fachada de palavras. Todo esse afã de auto-afirmação desaparece e fica um indivíduo sem ideias, materialista, mole, sem responsabilidade, pouco ou nada religioso, sem sentido de pecado... Não sabe o que é que nos há-de dizer, desmascarámo-lo. Mas quando volta com o grupo, parece outra vez alguém. Quer mudar o mundo mas... com quê, se não tem nada dentro de si?

Não, não se alarme, porque, felizmente, nem todos são assim; há de tudo mas estes, como é lógico são os que dão mais nas vistas porque saem do normal. A virtude, como alguém disse, quase nunca é notícia, e isto não é mais do que um “retrato – chapado” de um sector muito concreto da nossa juventude.

A que se deve tudo isto?

São eles que têm a culpa?

Somos nós, os pais e outros educadores? A resposta não é fácil, porque na formação do homem intervêm mil factores diferentes e são outras mil as influências que vamos recebendo ao longo da vida - especialmente na infância e na adolescência.

Sejamos realistas; de pouco nos vale lamentar-nos. O que importa é reflectir, tirar experiências e pôr em prática os recursos que tivermos ao nosso alcance. Talvez tenhamos “adormecido” um pouco mas ainda estamos a tempo.

Vamos procurar falar um pouco deste complexo mundo da educação. Vamos analisar algumas das influências a que os jovens vão estando sujeitos e qual deve ser o nosso comportamento perante cada situação.

Os filhos não se educam sós. Nem a “escola da vida”, nem mesmo o melhor dos colégios os ensina a desenvolver responsavelmente a sua liberdade, nem a converterem-se em pessoas autónomas e equilibradas, nem, enfim, a serem pessoas maduras.

O recém-nascido tem em germe todas as suas potencialidades mas só com esforço se desenvolvem e adquirem maior perfeição operativa. O êxito nesta tarefa depende, de modo indispensável, da ajuda que recebe dos pais. Educar, é precisamente ajudar este desenvolvimento, e é essa a essência da paternidade.

Dedicar-se aos filhos

A primeira condição indispensável para levar a bom termo a tarefa da educação é dedicar tempo, mas um tempo constante, sem altos e baixos, com toda a atenção a todas as fases da vida do filho, porque em educação raramente existem mudanças bruscas. O processo é contínuo, embora os resultados só se manifestem após um longo prazo.

É frequente que muitos pais ao afirmarem que querem fazer dos seus filhos uns homens “completos”, não incluam nesta expressão o desenvolvimento de todas as suas capacidades, de tudo o que podem dar, mas sim do que eles consideram mais importante nesse momento.

Para resistir a estas influências e não sucumbir perante modas passageiras, impõe-se como necessidade veemente a obrigação de fixar objectivos educativos que encaminhem os respectivos esforços de modo firme e recto.

Para educar uma criança é preciso, além de muito carinho, dedicar-lhe tempo e saber muito bem o que se pretende.

Fixar objectivos

Para uns pais conscientes, ter objectivos a longo prazo é reflectir sobre os resultados que pretendem conseguir nos seus filhos, através de determinados meios ao seu alcance. É necessário apresentar uma diversidade de objectivos que cubram todos os campos da personalidade, para se conseguir formar homens verdadeiramente maduros e completos.

De acordo com uma escala de valores, os objectivos que devem guiar o esforço e a dedicação dos pais, diariamente, constituem uma longa lista que começa com os objectivos puramente físicos, continua com os instrutivos e operativos, passa pelos sociais e afectivos, e culmina com os morais e os religiosos, numa escala de graduação perfeita.

Filhos sãos e cultos

Não há um único pai que, no momento de educar os seus filhos, não tenha presente os primeiros, e para muitos eles constituem a única finalidade educativa. Crianças sãs, bem alimentadas, bons desportistas ou, indo mais longe, com hábitos de limpeza e de descanso, podem ser o orgulho dos pais, embora se trate, evidentemente, de um campo bastante limitado.

Há objectivos que duram toda a vida. E para formar homens completos é preciso traçar uma diversidade de objectivos que abarquem todos os campos da personalidade.

Trabalhadores e sociáveis

Ter objectivos instrutivos em relação aos filhos de pouco serve se não existirem outros que poderíamos qualificar de operativos, através dos quais os ensinamos a aplicar com proveito – em benefício deles e de outros – os conhecimentos e capacidades adquiridas. Uma educação para o trabalho deve ajudar os filhos a desenvolverem hábitos adequados pelos quais compreendam que este esforço humano corresponde a uma necessidade da natureza consciente do homem, que o ajuda a manifestar-se inteiramente e que produz o bem-estar de ter cumprido o mandato divino do trabalho.

Fomos criados para trabalhar!

Na aprendizagem para a vida convém não esquecer o mundo que nos rodeia. Somos seres sociáveis e sociais.

No campo afectivo, é necessário que haja duas condições essenciais: que cada um dos filhos se sinta amado pelo que é e não pelo que faz - com um amor nem dominante nem exigente - e se sinta em união e harmonia. Por outro lado, é importante estabelecer metas sucessivas e escalonadas ajudando-o a ultrapassar todas as etapas que dificultam o seu caminho para a autonomia, a desenvolver essa independência estimulando a sua autoconfiança e auto-estima.

Formação moral

É importante que cedo comecem a distinguir o bem do mal e a usar a sua liberdade com responsabilidade.

Não se pode pretender que os filhos se saibam comportar moralmente como adultos, se antes não se teve para com eles, como um grande objectivo a longo prazo, a valorização dos seus actos, para que os saibam dirigir de acordo com as leis universais da moral objectiva.

Ir propondo metas realistas e ajudá-los a consegui-las, num espaço de relativa liberdade.

Explicar com o exemplo

Na educação dos filhos, não se pode esquecer o mais importante: o exemplo, viver aquilo que se pede, aquilo que se propõe.

Exemplo nas coisas pequenas e insignificantes da vida diária no lar, para influir no que é grande e importante. Só através da firmeza dos pais nas coisas pequenas é que os filhos chegam a ter a sua própria firmeza, a aprender a tomar decisões com plena liberdade e responsabilidade, a ser úteis aos outros e a adquirir os ideais elevados que vão descobrindo no convívio com os outros.

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