26 de março de 2008

Patriarca fala de crise do ensino e da educação


O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, considera que a complexidade da educação hoje “corresponde à complexidade da sociedade”.

“A sociedade tornou-se complexa, tornou-se plural, tornou-se com muitas interferências no processo de formação da consciência dos cidadãos e a equação entre essas diversas componentes”, referiu, em declarações ao Programa “A 3 Dimensões”, da Renascença.

D. José Policarpo destaca a influência “mediática”: “Hoje ninguém a comanda e a controla, no bom sentido do termo, em ordem a essa perspectiva da educação. No entanto, ela sobrepõe-se à família, sobrepõe-se à própria escola, acaba por ter uma influência decisiva, o que faz com que a escola e a família às vezes tenham a sua função quase correctiva”.

Segundo este responsável “a educação, em si mesma, é mais vasta do que o ensino, que a aprendizagem. A aprendizagem é hoje uma componente decisiva e inevitável da educação, mas conhecemos épocas na História em que a educação era, sobretudo, uma educação de valores e que relativizava muito a aprendizagem”.

Quanto à escola, defende que “tem de ser um lugar da educação. Não único, porque tem de ser convergente com outras realidades em que a criança e o jovem estão inseridos, mas não se pode conceber o crescimento e ajudar uma pessoa humana a caminhar para a maturidade — e para uma maturidade em liberdade e responsabilidade — sectorizando os aspectos da sua formação, porque eles são inevitavelmente interdependente”.

Ao Estado, disse o Patriarca de Lisboa, compete “garantir aquilo que só o Estado pode garantir, como é, porventura, a gratuitidade do ensino e, portanto, a redistribuição dos dinheiros públicos; garantir a qualidade e o cumprimento dessas orientações, se elas existirem, e deixar margem a quem tem genica para a educação e dar liberdade”.

Já a Igreja, prosseguiu, aposta na educação como forma de evangelização. “É evidente que não há uma matemática católica, de vida e de homem que é importante também para quem estuda matemática”, conclui.


Notícia da Agência Ecclesia| 26/03/2008 | 16:02

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