26 de março de 2008

"O génio feminino"

Por Elisabete Puga

De 7 a 9 de Fevereiro, realizou-se em Roma um Congresso Internacional em ordem a assinalar os vinte anos da Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, de João Paulo II.

“Mulher e homem, a totalidade do humanum na sua inteireza”, foi o título escolhido para este acontecimento que teve, entre outros objectivos, o de lançar um olhar reflexivo sobre o caminho percorrido nos últimos vinte anos, relativamente à promoção da mulher e ao reconhecimento da sua dignidade. Ao mesmo tempo, reflectiu-se sobre as dificuldades com que as mulheres católicas se deparam “para viverem a própria identidade e colaborarem em reciprocidade com os homens na edificação da Igreja e da Sociedade”.

No seu discurso a este Congresso, o Papa Bento XVI sublinhou que “ainda hoje persiste uma mentalidade machista, que ignora a novidade do cristianismo, novidade esta que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem”.

No mesmo discurso, o Papa chamou a atenção para realidades de tantos lugares e culturas onde, ainda hoje, a mulher é discriminada apenas por ser mulher. Perante este drama, Bento XVI apelou a que todos os cristãos assumam o compromisso de promoverem, onde quer que estejam, “uma cultura que reconheça à mulher a dignidade que lhe compete”, impedindo assim que ela continue a ser vista e usada como um simples objecto de prazer, realidade tão presente na nossa

Sociedade. Esta dignidade, tem origem primeiramente, no seu ser imagem de Deus. Uma das congressistas, a teóloga Castilla de Cortazar, afirmava mesmo que com a carta “Mulieris Digni- tatem”, João Paulo II marcou um “antes” e um “depois” na Igreja, já que foi aí que, pela primeira vez, no Magistério se afirmou explicitamente que a mulher, enquanto mulher, é imagem de Deus. Deste modo, foi ressaltada a “dimensão relacional que está inscrita no ser humano. Uma relação que supõe a perfeita igualdade”.

Na Carta “Mulieris Dignitatem”, João Paulo II falava do “Génio Feminino”. A propósito desta expressão, a congressista Paola Bignardi diz que “o génio feminino, é essa capacidade para ver longe, intuir e ver com os olhos do coração”. Estas são características tão particulares que a mulher naturalmente possui, e que podem fazer toda a diferença na construção de um mundo melhor. Concretamente no que respeita ao papel activo que a mulher deve desempenhar na Igreja, esta leiga italiana defende que a vocação da mulher “passa através do amor”, pelo que o seu contributo será essencial, na medida em que pode ser geradora de “uma Igreja com rosto materno”, a mulher pode testemunhar “uma Igreja que ama, que sabe expressar a sinfonia de um amor que dá sentido à vida”. Neste mês de Março, em que se celebra o dia Mundial da Mulher, que este dia oito não seja apenas mais um “dia mundial de qualquer coisa”, mas que seja de verdade um momento de ajuda a uma maior tomada de consciência da missão imprescindível da mulher na Sociedade e na Igreja. Que todas as mulheres, de um modo particular as mulheres cristãs, encontrem nos resultados deste

Congresso, desafios para lutarem, com um renovado vigor pelos direitos que o ser imagem de Deus lhes reserva.

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