Diário da Assembleia Geral do ISCF

“Tudo o que se fizer a bem da família, por pequeno que seja é grande”. (Mons. Brás)

A Família no centro das atenções

Encontra aqui os vários artigos do Dr. Juan Ambrósio sobre a Família...

Encontro Mundial das Famílias 2015

O Vaticano apresentou dia 24 de março em conferência de imprensa o 7.º Encontro Mundial da Família, que vai decorrer de 22 a 27 de setembro de 2015 na cidade norte-americana de Filadélfia.

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas...

O trabalho, dom e direito

A sociedade portuguesa e internacional, vive uma situação de crise generalizada e de aumento das desigualdades sociais...

Longe vão os tempos

Longe vão os tempos dos preconceitos culturais em que se aceitava que era a mãe que tinha de cuidar dos filhos...

Dar esperança em tempo de crise

Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da sociedade, é imediatamente afetada por esta crise generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos relacionarmos.

17 de maio de 2015

A Beleza e o resplendor da Fé


Conhecemos a definição de fé que no-la apresenta como uma virtude teologal que inclina a nossa inteligência, sob o influxo da vontade e da graça, a dar assentimento às verdades reveladas, por causa da autoridade de Deus.
A fé é, por isso, antes de tudo um ato de inteligência pois trata-se de conhecer uma verdade. Mas como esta verdade não é intrinsecamente evidente, não é possível a nossa adesão sem o influxo da vontade que ordena à inteligência que dê o seu assentimento. É assim, afinal, que a fé se torna um ato livre, sobrenatural e meritório…
Um ato elevado, que dá sentido à vida porque nada há maior ou mais bonito do que ter Deus como fim e como significado de todas as metas humanamente atingíveis: na família, trabalho profissional, oração, etc.
Compreendemos que bastantes pessoas tenham uma ideia defeituosa, equivocada, ou negativa sobre a fé e a religião. Porquê?
Sem dúvida, diversos fatores contribuirão para isso: porque a explicamos mal, ou de modo negativo, desordenado, e com uma linguagem ininteligível…Também se vem tornando evidente que algumas pessoas não têm a mínima disposição para escutar, ponderar e refletir. Dizem que, à partida, não lhes interessa porque no fundo vêem a vida de fé como antiquada ou algo obscuro, negativo e triste. Mas ao contrário é fonte de alegria, bela e sempre atual.
Uma parte da beleza radica na harmonia interior da pessoa, que a leva a discernir com lucidez e liberdade acerca do que é primordialmente, o cristianismo: uma identificação com Alguém, sumamente amável e livre: Jesus Cristo, que é Deus feito Homem!
Recordamos como no início do Ano da Fé, o Papa Bento XVI se referiu à importância do Concílio Vaticano II na vida da Igreja. Citando João Paulo II, apresentou este evento eclesial “como a grande graça de que a igreja beneficiou no século XX: nele foi-nos oferecida uma bússola segura para nos orientar no caminho do século XXI que se abria”.
Uma grande parte dos documentos do Concílio Vaticano II, a que devemos regressar “são também uma bússola para o nosso tempo que permite à igreja de Jesus Cristo avançar pelo mar dentro, no meio de tempestades ou com ondas calmas e tranquilas para navegar com segurança e chegar à meta”.
Bento XVI realçou a sua participação pessoal nesse evento como uma experiência única onde viu uma igreja viva com vários milhares de Padres conciliares de todas as partes do mundo, à escuta do Espírito Santo, o verdadeiro motor do Concílio, onde se tocava concretamente a universalidade da Igreja.
Exprimindo o pensamento de S. João XXIII no discurso de abertura do Concílio, disse: “O Papa desejava que a Igreja Católica refletisse sobre a sua fé, sobre as verdades que a guiam, delineando de modo novo a relação entre o cristianismo e certos elementos essenciais do pensamento moderno, não para se conformar com ele, mas para apresentar a este nosso mundo, que tende a afastar-se de Deus, a exigência do Evangelho em toda a sua grandeza e em toda a sua pureza”.
Alertando-nos para a importância e possibilidade de redescobrir em cada dia a beleza da fé, o Papa Bento XVI, animou-nos a testemunhá-la com a coerência da vida sendo assim capazes de “preencher os anseios mais profundos da alma” das pessoas.
É, sem dúvida, o elemento central do cristianismo e o que dá um sentido profundo à existência. Um sentido que não pode ser construído ou comprado pelo homem mas recebido como um puro dom porque é iniciativa de Deus. É um dom de Deus a que devemos aderir sempre com humildade e gratidão perante as suas propostas.
Cabe-nos também demonstrar a todos com a nossa vida a força e a beleza da fé. Com ela tornamo-nos magnânimos levando-nos à prática da caridade. Encontramos os seus conteúdos no Catecismo da Igreja Católica podendo fazer deles vida e testemunho na família, na escola, no grupo de amigos e na comunidade.

Por Mº Helena Henriques



16 de maio de 2015

A Família no centro das atenções


13. A mística do quotidiano

Ao ler o livro intitulado «Viver como crentes no mundo em mudança» (de Maria Clara Bingemer, professora da PUC-Rio, editado pelas paulinas em 2013), deparei-me com um ponto onde a autora reflete sobre os desafios atuais à existência crente. Entre os vários desafios aí apresentados surgiu um que prendeu de uma maneira especial a minha atenção e interesse, ao apontar a necessidade urgente de se reconfigurar, nos nossos dias, uma mística da profanidade, capaz de testemunhar que não é necessário ignorar a realidade, ou sair dela, para se poder fazer uma autêntica experiência de Deus.
Esse desafio trouxe-me à memória outros textos, onde Juan Martin Velasco fala na mística da quotidianidade, expressão que eu prefiro por me parecer mais adequada àquilo que quero partilhar e que, por isso, escolho para título destas linhas.
Antes de avançar, julgo, no entanto, ser conveniente explicitar, ainda que de um modo necessariamente muito breve, o que se pode entender por mística.  Com esta categoria não me quero referir àqueles acontecimentos que normalmente são descritos ao falar da experiência mística. Quando lemos com atenção o testemunho dos místicos, esses fenómenos, se bem que muitas vezes referidos, não são, contudo, considerados como sendo o mais importante da experiência que estão a narrar. O central, aquilo que verdadeiramente os místicos nos querem testemunhar com a narração das suas experiências, é o encontro pessoal com Deus. Esse sim é o centro sempre destacado e sublinhado e a experiência desse encontro é o que querem testemunhar, como convite a que os leitores a ousem também fazer. Isso é claro quando lemos, por exemplo, os textos de Teresa de Jesus, cujo quinto centenário do nascimento se celebra durante este ano.
Ao falar da mística do quotidiano o que se quer, então, referir e apontar é a experiência de Deus no quotidiano da vida, ou seja, a experiência de encontro com Ele no meio dos acontecimentos do dia-a-dia. É precisamente a este nível que a temática me parece sugestiva, podendo ser muito interpelante quando abordada, também, no contexto da reflexão sobre a família.
A necessidade urgente de reconfigurar uma mística do quotidiano passa por ressituar o sagrado e a experiência de Deus no coração do mundo e do humano. Isto de modo nenhum quer dizer que não sejam possíveis, e até necessários, momentos e tempos em que uma pessoa se retira para poder ter mais intensamente presente esse encontro; tal como não quer questionar as vocações de clausura, das quais somos capazes de intuir a importância e, igualmente, a necessidade. O que se quer afirmar é que, mesmo nesses momentos e experiências, a realidade do mundo e a vida humana não podem estar ausentes.  De certo modo, também para aqueles que vivem ‘retirados’ faz todo o sentido falar em mística do quotidiano, pois trata-se de fazer a experiência de Deus no meio de todas aquelas experiências e momentos com que se tecem os seus dias. Mesmo no ‘meio das panelas’, como nos testemunha Santa Teresa.
Nesta mística do quotidiano é igualmente necessário redescobrir a importância dos sentidos, da corporeidade e da dimensão das emoções na experiência espiritual cristã. Quando a experiência da fé não toca no afetivo, sem contudo se reduzir a ele,  há dimensões  da vida humana que ficam  como que ‘de fora’, correndo-se o risco de se segmentarizar essa mesma experiência da fé, que assim parece só ter a ver com certas coisas da vida.
A mística do quotidiano é, no fundo, a experiência do Deus encarnado, e de outro modo não poderia ser, quando a encarnação é uma das notas maiores da identidade cristã. Sem a encarnação, em bom rigor, não poderíamos falar em cristianismo. Nada do que é humano pode ser estranho à mística cristã, por isso a vida humana, no seu concreto, não pode ser olhada como algo que atrapalha a experiência de encontro com Deus, pelo contrário, tem de ser percebida como aquela realidade da qual ela se alimenta.
A vida familiar é simultaneamente escola e lugar onde esta realidade se vive. No dia-a-dia da vida da família os seus membros fazem a experiência profunda do amor que os une. Todos sabemos como, tantas e tantas vezes, é no meio daquelas coisas, ‘quase que insignificantes’, daqueles acontecimentos, ‘quase que irrelevantes’, que fazemos a experiência de sermos tão importantes uns para os outros. Nas coisas comuns do dia-a-dia sabemo-nos e sentimo-nos amados e, por isso, até preparamos momentos especiais para celebrar essa realidade que experimentamos todos os dias, em todas as ocasiões, mas que nem sempre temos conscientemente presente. Também pode ser assim com a experiência de encontro com Deus. A vida familiar pode, igualmente, ser esta escola e lugar onde se vive a mística do quotidiano. No meio daquelas coisas com que se tece a existência humana de todos os dias, podemos fazer a experiência de sermos sustentados e amados por Deus e podemos, também, amá-lo. Quando assim é, certamente seremos capazes de experimentar que não é Deus que se reduz ao tamanho do nosso viver, mas é a nossa vida que se pode engrandecer até ao tamanho do viver de Deus.

Por Juan Ambrosio


10 de maio de 2015

Que é a Verdade?

Da pergunta de Pilatos ao conflito entre Verdade e Política


O confronto de opiniões, de afirmações categóricas e desmentidos, a contradição de versões dos mesmos factos, a análise valorativa de comportamentos pessoais e suas intenções constituem o quotidiano de noticiários, comentários e debates na nossa sociedade mediática. Para distinguir a segurança das informações e a validade das opiniões publicamente difundidas, formarmos as nossas próprias convicções e fundamentar racionalmente escolhas conscientes e comprometidas precisamos de nos orientar, ter critérios e apoios fiáveis. 
As nossas decisões, processam-se no espaço público, determinam interacções e influencias no quadro das instituições em que decorre a nossa vida e acção comum. Impõem-se referências que orientem, dêem estabilidade e coerência ao meu proceder e forneçam critérios para avaliar e distinguir no universo das opiniões aquelas que estou disposto a favorecer para configurar as instituições, segundo valores que subscrevo e com outros partilho. A reflexão, o nível da minha actividade em que o exercício do pensamento me coloca acima dos factos, dos desejos e das emoções, leva-me a questionar-me sobre a verdade. Espontaneamente me ocorre a situação paradigmática do diálogo de Pilatos com Jesus e a pergunta que Lhe dirige: “Que é a verdade?”.
As autoridades religiosas judaicas conduzem Jesus ao tribunal de Pilatos. Pretendem transformar a questão religiosa interna do ensino e acção de Jesus, em acusação de conspiração política para forçarem uma decisão da autoridade romana que, só ela, pode decretar a pena capital. Pilatos interroga Jesus que prontamente esvazia o conteúdo da acusação: “A minha realeza não é deste mundo… O meu reino não é daqui”. E adianta: “Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Um perante o outro, Jesus e Pilatos, estão em mundos opostos. Dificilmente as suas linguagens podem convergir.
 Não é a primeira vez que Jesus fala da “verdade”. Ele próprio se define no Evangelho de S. João como “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6) e refere ao Espírito Santo como “espírito de verdade” (Jo 14, 17; 16, 13). O Evangelho escrito em grego usa a palavra aletheia que significa manifestação, revelação daquilo que estava encoberto, oculto. “Verdade” tem o sentido de des-velamento, des-ocultação, aquilo que aparece e revela o seu modo de ser, a sua “realidade”, no caso, a “manifestação” do mistério de Deus. A Tomé que pede para lhes mostrar o Pai, Jesus responde: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9). Jesus é a verdade do Pai. Ao afirmar perante Pilatos que vem para “dar testemunho da verdade”, reclama que a sua missão está acima da polémica em que o envolveram. Vem apenas para levantar o véu que esconde a realidade transcendente de Deus, mostrar os caminhos que conduzem a Ele e, a essa luz, revelar a dignidade do homem. 
Na cultura hebraica de Jesus, o campo semântico de “verdade” é ocupado pelas palavras emunah e emet que acrescentam ao seu significado a crença de que Deus é infinitamente fidedigno e tudo o que revela é seguro, merece inteira confiança e reclama firme acolhimento e plena sujeição da vontade. 
A verdade de que Jesus fala revela Deus numa história de fidelidade e amor ao seu povo. Reclama a inteira confiança no Deus fiel à Aliança e a plena abertura da inteligência para aceitar o contínuo aclaramento da sua mensagem. Testemunhar a verdade acarreta a disposição firme da vontade para passar das crenças à acção e levá-la às últimas consequências como Jesus. O testemunho da verdade perante Pilatos implicou a responsabilização pela palavra que anunciou e pela actividade que desenvolveu, a aceitação das consequências da sentença injusta de Pilatos, a sua morte. “Jesus não é um rei como os reis deste mundo que exercem um poder meramente político. Jesus é o “rei dos judeus” no sentido de seu Salvador que exerce um poder que é divino e é aceite por uma adesão interior. Não vem para reavivar um reino judeu independente, mas para estabelecer o reino da verdade mudando os corações dos seres humanos” (The New Community Bible, comentário a Jo, 18, 28-38).
Pilatos está em posição oposta à de Jesus. Está do lado do poder e visa resolver pragmaticamente a situação. É uma posição política. “Está cego para a verdade e atascado na falsidade” (Ib). A sua argumentação não tem como referência a verdade ou a justiça, uma solução racionalmente sustentada em evidências, princípios ou leis, mas apenas aquela que preserve a sua situação pessoal e o poder que representa. Por isso ele vai de estratagema em estratagema, de cedência em cedência até à condenação daquele que repetidamente reconhece inocente. O evangelho de S. Mateus refere que Pilatos lavou as mãos perante a multidão, dizendo: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem”. Onde não há pretensão de verdade, não se assume responsabilidade.  A relação entre a verdade e a política tem sido desde Platão conflituosa. A filosofia platónica situava a verdade acima das coisas mutáveis, no plano dos princípios. A política que discute os assuntos humanos e os interesses divergentes dos cidadãos é o domínio da opinião variável. Na perspectiva de verdade o debate reclama o diálogo, para que possa surgir o “esclarecimento” (Aletheia) das questões, a verdade como referência da acção. No plano político, a discussão visa o confronto de opiniões, a supremacia duma sobre outra e a adesão da maioria a uma actuação prática que faça evoluir as instituições. Tem por referência o futuro, aquilo que se quer que seja, mais do que aquilo que é. É o terreno do incerto. Pode ser o domínio da miragem, da argumentação retórica, da sedução, no limite, da mentira e da manipulação. 
Hannah Arendt tem um ensaio em que aborda a questão sob o título “Verdade e Política” (Relógio D’ Àgua Editores, 1995; ed. Original, 1968). Dele deixo duas citações: uma que, para nossa reflexão, pode responder à pergunta de Pilatos; outra que situa o conflito do ponto de vista da política.
“Conceptualmente podemos chamar verdade àquilo que não podemos mudar; metaforicamente, ela é o solo sobre o qual nos mantemos e o céu que se estende por cima de nós”. p.59
“A discussão constitui a essência da vida política. Os modos de pensamento e de comunicação que têm a ver com a verdade são, quando na perspectiva política, necessariamente tirânicos; não têm em conta opiniões de outros, quando esse ter em conta, é a marca de todo o pensamento estritamente político.” p. 28

Por Octávio Morgadinho


9 de maio de 2015

Cuidar de Quem Cuida


Identidade…

Todo o ser humano é único. O(a) seu(sua) filho(a) existe, descobre e reconhece-se na relação consigo! À nascença, o(a) seu(sua) filho(a) possui um rosto, um corpo particular. Com o desenrolar do tempo, ele(a), através das suas acções, das suas reacções, das suas necessidades e dos seus sentimentos, demonstra-lhe que é diferente das outras crianças e de si, embora possa haver traços em comum - “tens uns olhos bonitos como a mãe ou o pai”. Ao longo do desenvolvimento, através das relações, das comunicações e das experiências, ele(a) tomará consciência de si próprio(a) e aperceber-se-á das suas diferenças relativamente aos outros, ou seja, do que o(a) distingue... Não tem a mesma morfologia ou a mesma fisionomia, possui um conjunto de habilidades que lhe são próprias nos planos físico, intelectual e social! 

Pais...

É perfeitamente normal ter expectativas em relação ao(à) seu(sua) filho(a), mas é importante que sejam realistas! As expectativas devem estar em conformidade com os interesses, capacidades e ritmo de desenvolvimento. Aceita e respeita a individualidade do(a) seu(sua) filho(a)? O que ele(a) é? E o que gostava que ele(a) fosse? De que maneira propõe ou impõe o seu desejo? É muito importante que o(a) seu(sua) filho(a) se sinta único(a), pelas suas qualidades e forças mas também pelas suas dificuldades. Se não aceitar a diferença dele(a), de si e dos filhos dos amigos e conhecidos, rejeitam a sua própria identidade e o seu direito de existir enquanto indivíduo único. É no olhar dos outros, sobretudo no das pessoas que ama, que o(a) seu(sua) filho(a) encontra a confirmação da sua existência! Quanto mais importante um adulto é para uma criança, tanto mais impacto terá na descoberta de si!
Uma dica que pode ajudar à participação na construção da identidade do(a) seu(sua) filho(a)...

Filhos | Até 12 Meses | 

* Fazer o luto do(a) filho(a) sonhado(a);
* Dar provas de empatia e calor humano;
* Ter regularmente reacções positivas;
* Utilizar uma linguagem respeitosa;
* Centrar-se nas forças, nas qualidades e nas competências;
* Reconhecer e aceitar as diferenças entre os seus filhos
   e os dos outros;
* Evitar colocar etiquetas, como as de «preguiçoso(a)», «lento(a)», etc.

Filhos | 12-24 Meses |

* Reconhecer e aceitar as diferenças entre os seus filhos e os dos outros;
* Centrar-se nas forças, nas qualidades e nas competências;
* Favorecer a afirmação e autonomia;
* Evitar colocar etiquetas, como as de «preguiçoso(a)», «lento(a)», etc;
* Estabelecer limites.

Filhos | 2- 5 Anos

* Continuar a evitar colocar etiquetas, como as de «preguiçoso(a)», «lento(a)», etc.;
* Continuar a favorecer a afirmação e autonomia;
* Continuar a estebelecer limites;
* Continuar a centrar-se nas forças, nas qualidades e nas
   competências;
* Incitar o(a) seu(sua) filho(a) a tomar consciência de que é único     no mundo pelas características corporais, bem como
   pelas suas  qualidades;
* Propor objectivos realistas, tanto no plano da aprendizagem como no do comportamento;
* Ajudá-lo(a) a tomar consciência das suas necessidades e dos seus sentimentos e a expressá-los adequadamente.

Marina Amaro, a psicóloga|jornaldafamilia@iscf.pt



16 de abril de 2015

Não substituir a Família!

Monsenhor Brás e a sua regra de oiro no apoio familiar:
“Não substituir a Família!”

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Monsenhor Joaquim Alves Brás - por muitos considerado “O Apóstolo da Família” em Portugal deixou-nos esta regra de oiro, que ele mesmo seguiu: “ …colaborar o mais eficientemente possível com a família, mas não substituir a família”. 
Ao falar da Família, o Venerável Servo de Deus referia-se à autêntica família, fundada no matrimónio de um homem com uma mulher, os dois conscientes e responsáveis do acto que assumiram, embora sujeitos às fragilidades próprias do ser humano e às vicissitudes da vida. 
Não substituir a família, significava reconhecer, a esta instituição, a sua dignidade natural, e a capacidade desta em conduzir o seu destino segundo o plano que Deus lhe traçou, através de uma vida de fidelidade e amor conjugal, abertura à vida, e consequente cuidado, educação, e protecção da mesma.
Nessa medida, qualquer tipo de apoio - material, moral, espiritual – deveria ser subsidiário, logo, sempre a partir das potencialidades da família, no sentido de as fazer emergir e/ou desenvolver para que esta nunca deixasse de ser, e melhor pudesse revelar, “aquilo que é”, na sua essência e na sua missão. 
Não substituir a família tinha, ontem para Monsenhor Brás, como hoje tem para nós, implicações práticas, tanto de ordem pastoral, como de ordem social e política, as quais, eram para ele baseadas no conceito de que a família precede todas as demais instituições e desempenha nelas um papel fundamental. Por isso, deveria ter sempre a primazia e, como tal, ser livre de imposições, impedimentos ou condicionantes, nocivos ao bom exercício da sua missão.
Infelizmente, porém, sabemos que não é assim. A família não só não tem a primazia daqueles que têm por obrigação criar-lhe as melhores condições, como é ainda prejudicada, atacada, ferida, por uma ideologia e uma práxis anti-Família e de substituição da família, que grassa, por desgraça, nas nossas sociedades hodiernas. 
Vejamos, então, de que modo, se pode substituir a família: Em primeiro lugar, tentando impor, pela propaganda, conceitos de família que vão contra os verdadeiros princípios da sua instituição natural, pelo Criador, assim como conceitos de educação, de paternidade e maternidade e da consequente função de autoridade em relação aos filhos, hoje tão posta em causa nalgumas circunstâncias. Em muitos casos, famílias que, ao princípio, se prezam, em ser autênticas acabam por deixar que doutrinas erróneas substituam os mais perenes valores em que se fundaram e com que pautaram a sua vida.
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Depois, o próprio sistema económico e social, com horários pesados que obrigam o homem e - diria Monsenhor Brás - que obrigam sobretudo a mulher, a trabalhar horas excessivas fora e dentro do lar, retirando-lhe as melhores condições de prestação de cuidados à família, nomeadamente a educação dos filhos e à assistência aos mais idosos. Por isso, se criaram os substitutos da família – os Infantários, para os filhos crianças, e os Lares de Pessoas Idosas, para os pais velhinhos. 
Vem depois a escola, que ninguém contesta porque é ao Estado que cabe a instrução. Disse bem, instrução, e não a educação, se considerarmos esta palavra no seu sentido etimológico, que provém do termo latino “educere”, e que significa, precisamente, fazer emergir, desenvolver, a partir de dentro, neste caso da criança, aqueles valores e potencialidades intrínsecos que Deus imprimiu em cada ser humano. Ora, se assim é, quem melhor que o pai e a mãe sabem, primeiro, despertar com a sua palavra e o seu exemplo, as mentes e os corações dos seus filhos, para esses valores que, pouco a pouco enraizados e cuidados na família, hão-de crescer e desenvolver-se a fim de orientar e dar maior segurança às suas vidas?
Mas, muitas vezes não é isso que acontece. O Estado tenta mesmo substituir a família, em termos de educação, e fá-lo precisamente naquilo que é, que deveria ser, mais sagrado para a família - o mistério da transmissão da vida humana. Ao impor o chamado programa de educação, melhor dito, de deseducação sexual, nas escolas, o Estado como que invade a própria intimidade familiar, põe em causa valores de muitas famílias, viola o direito dos pais sobre o que só a eles diz respeito.
Neste ponto, se o Venerável Servo de Deus pudesse falar hoje de viva voz a esta sociedade, haveria de utilizar os novos púlpitos para se insurgir veementemente contra esta violação e substituição da família pelo Estado. E não se ficaria por aqui: chamaria, também, a atenção dos pais para que não se deixassem substituir na função que, entre outras, lhes é própria: a educação dos filhos nos seus valores mais puros e perenes.
Antes, porém, Monsenhor Brás haveria de despertar a consciência das famílias ditas cristãs, ou de algum modo fundadas nestas raízes ainda que ancestrais, para as acordar da letargia em que muitas estão mergulhadas, para já não reagirem aos males que ameaçam, não só a estabilidade e felicidade própria, mas de toda a sociedade. Entre esses males, estão, como sabemos, o aborto, o divórcio, e as muitas caricaturas de família, que culminam na mais aberrante de todas que é o dito casamento de homossexuais. 
Por isso, não substituir a família, depende também e muito da própria família: Depende, em primeiro lugar, da consciência que cada membro da família tem das suas próprias funções e do seu cabal desempenho. Porque todas as vezes que um membro do casal em relação ao outro, os pais em relação aos filhos ou aos pais idosos, e todos em relação uns aos outros, se demitem das suas funções, estão a criar espaços vazios, que facilmente serão preenchidos por estranhos, tornando a família mais frágil, menos capaz de reagir às tais ameaças.
 Não é, porém, unicamente em relação ao Estado e à sociedade que a família se demite muito das suas funções. O mesmo se passa em relação à Igreja, e um exemplo disto é o que se refere à catequese onde muitos pais colocam os filhos sem mais se importarem sequer de os acompanhar na respectiva caminhada de fé. Ora, a catequese paroquial deveria ser um complemento, um subsídio, uma ajuda, e não um substituto da catequese familiar, que deveria começar em casa, na família, logo a partir do berço. Se assim fosse, poder-se-ia esperar que mais tarde, saísse da boca dos filhos, jovens e adultos, aquela expressão que saía tantas vezes, e tão consoladoramente, da boca do Venerável Mons. Brás, que dizia: “A melhor catequista que eu tive foi a minha mãe.” E tal catequista, e tal mãe, foi, quem soube enraizar tão ampla e profundamente as sementes da fé e das demais virtudes, que os frutos não se fizeram esperar. Destes, talvez seja a santidade de Monsenhor Brás, o fruto mais visível, o mais amadurecido e o mais fecundo, no espaço e no tempo.
Neste tempo inter-Sínodos sobre a Família - tempo de Kairós, Graça, é tempo mais que propício para que, todos, contribuamos para dar à Família o lugar que lhe pertence, ajudando-a, como e com Monsenhor  Brás,  a ser na sua existência, aquilo que é na sua essência: Imagem do Deus-Trindade, Canal e Berço da Vida Humana, Fonte da Sociedade, Escola de virtudes, Igreja Doméstica e Espaço de Evangelização. 

Por Mª da Conceição Brites



12 de abril de 2015

Cuidar de Quem Cuida - Vinculação


O seu filho(a)...

Durantes os primeiros anos de vida há uma relação priveligiada que se estabelece entre si e o(a) seu(sua) filho(a). Esta relação tece-se gradualmente ao satisfazer as necessidades físicas e emocionais do(a) seu(sua) filho(a). Qual o “resultado”? Sentir-se amado(a), confiante e, sobretudo, segura(o)! Ele(a) precisa de si! A qualidade desta vinculação está na base do desenvolvimento, para que ele(a) se desenvolva de forma harmoniosa: estimula a confiança, a segurança e auto-estima. O(a) seu(sua) filho(a) sentir-se-á apreciado(a), amado(a), desejado(a) e, por conseguinte, mais confiante perante o mundo que o(a) rodeia. 

Pais...

Já foi criança, mas ainda é e será filho(a). O tipo de vinculação com os seus próprios pais influencia toda a vida futura, por exemplo, o tipo de relação que tem com o(s) seu(s) próprio(s) filho(s). Quando filho(a) contava com os seus pais para ser tranquilizado(a), consolado(a)? Explorava o meio sem receios? Sabia que alguém zelava por si? Como ficava quando as referências desapareciam? Angustiado(a)? Ou não sentia disponibilidade para si? Não era constante? Ficava inquieto(a) por não ter a certeza se podia contar com os seus pais? Ou ainda não estava lá ninguém e/ou eram agressivos consigo?  
O que hoje está na relação com o(a) seu(sua) filho(a) é igual e/ou diferente à relação com os seus pais? O tipo de vinculação é, de facto, o mesmo?

Uma dica para a vinculação com o(a) seu(sua) filho(a)...
Filhos | Até 12 Meses | 

A dica para uma boa vinculação é a sua disponibilidade e a sua sensibilidade em relação às necessidades do(a) seu(sua) filho(a). 
Para a idade dele(a) isso significa ser embalado(a), ser consolado(a), etc. Antes dos 12 meses, o bebé está num período muito fusional, ou seja, um período em que tem uma grande necessidade de contacto físico directo com os pais. 
Pegar ao colo, mimá-lo(a), cantar canções de embalar, fazer-lhe festas...É isto! Responder de forma constante, afectuosa e previsível às necessidades não fará crescer um mimado(a), mas uma criança preenchida, que saberá que é amada e que, por conseguinte, estará pronta a conhecer o mundo.

Filhos | 12-24 Meses |

Começa a querer ser mais autónomo(a) e cria uma base de segurança cada vez mais sólida, que permite afastar-se mais facilmente de si. Está a afirmar-se cada vez mais. Estas novas necessidades requerem, da sua parte, uma maior capacidade de contenção, para que lhe mostre bem quais são os limites e as regras.
Mimá-lo(a), contar-lhe histórias, fazer-lhe festas, brincar com ele(a) ...É isto! Responder de forma constante, afectuosa e previsível às necessidades não fará crescer um mimado(a), mas uma criança preenchida, que saberá que é amada e que, por conseguinte, estará pronta a conhecer o mundo.

Filhos | 2-5 Anos

Insiste em ser mais autónomo(a) e cria uma base de segurança cada vez mais sólida, que permite afastar-se mais facilmente de si e conhecer outras relações, por exemplo com os pares. Está a ficar muito mais autónomo(a). Está a afirmar-se. Estas novas necessidades requerem, da sua parte, uma maior capacidade de contenção, para que lhe mostre bem quais são os limites e as regras.
Continua a precisar de si: mimá-lo(a), contar-lhe histórias, brincar com ele(a) ...! Responder de forma constante, afectuosa e previsível às necessidades não fará crescer um mimado(a), mas uma criança preenchida, que saberá que é amada e que, por conseguinte, estará pronta a conhecer o mundo.

Marina Amaro, a psicóloga|jornaldafamilia@iscf.pt



A Páscoa da Ressurreição


Como recordo aqueles tempos de menino e moço, como diria Bernardim Ribeiro, quando, no sábado de “aleluia”, me invadia um misto de ansiedade e incontida vontade de ouvir as dez sonoras e compassadas badaladas, para, de maneira célere e decidida, trepar pela longa escadaria que me levava até ao cimo da torre sineira e aí, de maneira frenética, pegar no badalo do sino e começar a tocar e a gritar: “Aleluia, Jesus ressuscitou”.
É verdade, que nessa altura, tudo isto era feito por um rito tradicionalista, não tendo a verdadeira noção do seu significado.
Muitos anos mais tarde, estive em Jerusalém, na Igreja do Santo Sepulcro, junto ao túmulo que foi cavado na rocha dum jardim do José de Arimateia, onde Jesus havia sido deposto e aí, rezando e meditando neste grande mistério pascal, melhor compreendi que foi precisamente daquele local, do túmulo de Cristo, que saiu vida nova para a humanidade, à imagem da ressurreição gloriosa do Senhor, Jesus Cristo. 
A vida cristã, mais não é que uma Páscoa permanente, o êxodo constante, uma passagem da morte do pecado, para a vida da felicidade e de graça. Em todas as Páscoas, revivem os cristãos, o mistério pascal da RESSUREIÇÃO, que nos dá uma nova vida, cheia de graça espiritual.
É que, a Páscoa dos cristãos, é Cristo, o novo fermento que nos dá ânimo para viver, para suportarmos o sofrimento, para crescer na fé.
Mas, para vivermos, em plena graça, é preciso estarmos em conjugação com Cristo, formando com Ele, um único corpo místico, a fim de com Ele partilharmos o mesmo espírito e vida espiritual.
Só vivendo em Cristo, poderemos viver com Ele. Se eu quiser ter a mais alta glória de ser Cristo, terei de seguir os Seus preceitos e de cumprir os seus mandamentos.
A PÁSCOA é uma forma de vida cristã. Pelo Baptismo, sacramento da ressurreição, renascemos do pecado original, para uma vida em graça, pondo à margem os liames do pecado e as limitações inerentes ao homem velho. Ser cristão é levar, nas obras e nas virtudes da vida diária, o testemunho de Cristo ressuscitado. A essência dos Evangelhos, a Boa Nova, consiste em comunicar aos nossos irmãos, em Cristo, o mistério do Senhor ressuscitado. Porém, ao fim, ao cabo e ao resto e vendo bem as coisas, o Cristo pascal, somos nós próprios, dando o nosso testemunho de vida, onde quer que estejamos, alvoraçando o nosso próximo, com o grito que promana do túmulo vazio, junto a Gólgota, em Jerusalém. 
Se quisermos ser, autênticos cristãos, na verdadeira acepção da palavra, temos o dever de dar, à nossa vida de cristãos, os valores que conferem à vida, um sabor de rectidão, de santidade.
Neste mundo, onde prolifera tanto ódio, tantas vindictas, tanta violência e actos tão bárbaros, como os praticados pelos desumanos jihadistas islâmicos da Líbia, que nos deixam horrorizados e em pânico, temos de mais nos unir a Cristo ressuscitado, que proclamou apenas a paz, a concórdia, o perdão, a fraternidade, o amor ao próximo. Sempre que um cristão se levantar da sua cama, após um sono tranquilo e reparador, que seja sempre uma radiosa manhã de Páscoa.
A PÁSCOA, é fundamento de toda a nossa fé. Por seu lado, a RESSURREIÇÃO é o grande sinal, a anunciada prova que todos esperavam e da qual chegaram mesmo a duvidar. “Se Cristo não tivesse ressuscitado, era vazia a nossa fé e toda a pregação do Nazareno” (I Cor 15,14).
A PÁSCOA é mistério de fé. E isto porque só através da fé se pode compreender CRISTO RESSUSCITADO. Do mesmo modo que os apóstolos, também nós, cristãos, às vezes vacilamos e somos tardos no acreditar. Frequentemente tropeçamos nos escolhos dos escândalos, no opróbrio da cruz, na dúvida que, amiudadamente se instala em nós.
Porém, não nos podemos esquecer que PÁSCOA é mistério de amor de fraternidade, de perdão, de resignação. A morte e Ressurreição de Cristo é, para nós cristãos, a maior prova de amor, a autêntica e perfeita doação de Cristo ressuscitado, para que nós, um dia, ressuscitemos também. Vendo bem as coisas, éramos nós que tínhamos necessidade de ressuscitar e não Cristo, que já era Deus, vértice supremo de toda a cristandade.
Mas tudo sucedeu, de modo tão diferente e tão célere, tudo aconteceu a correr, naquele inolvidável dia de Páscoa Judaica. Foi uma correria do Sinédrio para o Pretório; da casa de Anãs, para Caifás; de Pôncio Pilatos para Herodes Antípas e deste novamente para Pilatos. Jesus apressou-se a consolar Sua Mãe e os Seus amigos. Pedro e João, correram para o sepulcro. As piedosas mulheres e os discípulos de Emaús correram ao encontro do Senhor. E tudo por ódio, despeito, amor, e acrisolada afeição. Jesus foi querido, estimado, amado e odiado, vilipendiado e cruelmente crucificado. Foi beijado de três maneiras bem diferentes. Teve o beijo do amor, de sua mãe. O beijo do arrependimento de Maria Madalena e o beijo da traição de Judas Iscariotes.
Nesta Páscoa, com qual destes beijos vamos oscular Cristo?

Por Fabião  Baptista



24 de março de 2015

A Família no centro das atenções

12. A ousadia de mudar o 'foco' da nossa atenção.

Recentemente tive a oportunidade de ler um texto sobre a família do qual transcrevo o parágrafo que se segue:
"A importância do tema não carece de especial justificação. As mudanças rápidas que se verificam em todos os setores da vida repercutem-se e condensam-se também na família, emergindo aí às vezes ainda com maior virulência. E à estabilidade e segurança de outrora corresponde hoje, com frequência, a sensação de que a família está «em crise», de que pairam sobre ela «ameaças de destruição». De qualquer modo e ao nível mais elementar, põe-se a pergunta pelo futuro da família: o futuro das relações e das estruturas que a constituem, do lugar que é chamada a ocupar na maturação da pessoa e na construção da sociedade."
O texto parece-me ser o suficientemente claro, dando conta da situação em que nos encontramos e dos desafios a que somos chamados a responder, pelo que não carece de maiores e mais desenvolvidas explicações. O motivo pelo que o partilho convosco, queridos leitores, não reside aí, mas na sua data. Com efeito, este pequeno excerto foi tirado da introdução de um dos números da Revista Communio (Revista Internacional Católica, na sua edição Portuguesa) no longínquo ano de 1986. Feitas as contas podemos perceber que ele foi escrito aproximadamente há trinta anos, e, no entanto, por aquilo que afirma, poderia tê-lo sido hoje. Ora é precisamente essa circunstância que motiva esta minha partilha.
Trinta anos são, poderíamos dizer, o espaço de uma geração, pelo que julgo ser possível afirmar que existe uma geração que sempre ouviu falar da família como estando numa situação de crise, ou seja, esta linguagem corre o risco de já pouco a interpelar. Com isto não estou a querer ignorar, ou mesmo reduzir, todas as dificuldades e desafios que se levantam hoje à família e aos quais não devemos deixar de estar atentos, nem podemos deixar de responder. O que quero destacar é que esses mesmos desafios e dificuldades, se bem que tenham contornos novos, não são novidade para a família. Se pensarmos bem, talvez tenhamos de reconhecer que a família, em todos os momentos e circunstâncias, sempre teve de os ter em conta e de os enfrentar, pelo que tentar caraterizar a situação atual da família a partir da categoria da crise não me parece ser a melhor opção.
Qualquer reflexão minimamente séria sobre a família põe em destaque aquilo que poderemos considerar serem duas evidências. Por uma lado, a família revela-se ao longo dos tempos como uma forma de organização humana de caráter universal e supracultural; por outro, sabemos que não existe a família «em si», pois ao longo da história descobrimos os mais variados modelos familiares que se configuraram conforme os desafios que surgiram das mais diversas situações geográficas, sociais, religiosas, culturais, económicas, etc. A partir destas evidências torna-se mais fácil perceber que existe uma certa tensão que é inerente à  própria realidade familiar, uma vez que esta, em cada momento presente, é chamada a refletir e a assumir uma práxis que seja capaz de contribuir para o amadurecimento da pessoa e a construção da sociedade.
Sinceramente estou convencido que  devemos ousar outro caminho e outra linguagem, que sem ignorar, repito, as dificuldades e os desafios, destaque outras realidades que estão igualmente presente  na família. Seguindo esta linha de reflexão, recorro de novo ao texto anteriormente citado, transcrevendo um outro parágrafo: 
"Investigações recentes indicam que, mesmo nas sociedades mais evoluídas da Europa, a família não ocupa um lugar marginal no interesse das pessoas. Pelo contrário, e não obstante mudanças na avaliação global e em aspetos pontuais, ela continua a ser vista e experimentada como um valor fundamental. E para a consciência crente, que lê os sinais dos tempos dentro de uma confiança original que brota do saber-se inserida numa história da salvação, a pergunta pelo futuro da família é vista com uma grande esperança. A esperança de que, não obstante todas as transformações e sobretudo através delas, a família se conserve e se renove como algo indestrutível ao serviço da vida, da pessoa, da sociedade, como lugar privilegiado de experiência de Deus e de construção da Igreja." 
Também este excerto poderia ter sido escrito hoje, já que é igualmente capaz de traduzir bem o momento em que nos encontramos, não só na importância que as pessoas continuam a atribuir à família, como também naquilo que deve ser a atitude da comunidade crente. Destacar esta importância da família, sublinhando como ela continua a ser considerada um valor fundamental e um sinal de esperança, parece-me ser um caminho mais acertado para, no tempo presente, anunciarmos e propormos o Evangelho da família. Em vez de olharmos o momento que estamos a viver a partir da perspetiva da crise, talvez o devamos olhar mais a partir da perspetiva da oportunidade, percebendo como o Evangelho é uma proposta capaz de apontar sempre novos caminhos de realização do humano. A este nível as famílias cristãs têm uma papel fundamental a desempenhar. Sem deixarem de viverem e pertencerem ao tempo presente, podem testemunhar a beleza profunda do Evangelho, pelo sentido e felicidade que ele confere às suas vidas.

Por Juan Ambrosio



Antes pais e agora avós...


Na miríade da obra da Criação é avassaladora a do homem, porque a sua perfeição é incomparável e obra de carinho e amor inefável do Criador. 
E a sua genuinidade e autenticidade é levada a um ponto da máxima exponencialidade, de criação inimitável; o Deus Criador não deixa esse trabalho de Sua criação à reinvenção de quem quer que seja.
As transformações e benefícios alcançados no seio da Humanidade com as descobertas cientificas admiráveis no séc. XX, da penicilina e das telecomunicações, sobretudo com Stelz e a da teoria da relatividade, havendo quem fale que em Einstein pousara o Espírito de Deus porque não podia ser obra do homem, tomado como foi por Aquele para expressar a grandiosidade da fórmula E= mc2. E o mesmo se passando com outros gigantes da Humanidade cujas criações são obra gravada de Deus.   
Apesar de tudo ainda se não produziu um ser humano em tubo de ensaio, prescindindo de uma componente da vida gerada por um homem e uma mulher. É por isso que a obra da criação de um pequeno ser é uma obra maravilhosa, amorosa mesmo, sem par. 
Quando o ventre da mãe começa a abaular um desejo de inigualável agradecimento vem ao pai para com quem, com ele, vai dar vida. 
 Dá vontade de, com o ser minúsculo em embrião, estabelecer conversa, de falar com ele, de colar os ouvidos ao ventre da mãe, de dialogar perguntando-lhe pelo estado, se gosta do nome que vai ter, que se lhe comunica, se sabe que estamos à espera que veja a luz do dia e que seja um ser que cresça no bom caminho, de verdade e bem. 
E chegado o dia da vinda ao mundo é com olhos de alegria, extasiados por tamanha beleza, que se contempla a flor da nossa vida, por entre sentimentos de tudo lhe dedicar. 
É belo esse momento que perdura para sempre, que temos, que tenho no meu coração, quaisquer sejam os desmandos, os caminhos desviantes que percorreram e ainda que tragam sofrimento e dor, que são perdoados, porque eles são carne da nossa carne e sangue do nosso sangue, pelos quais vibramos mesmo nas horas de angústia e de verter lágrimas. 
Se as pessoas soubessem o quanto é belo o nascimento de um filho não o aniquilariam pelo aborto, que o nosso Estado isenta de custos, promovendo a cultura da morte e descuidando a da vida, sobretudo dos idosos e dos mais gravemente doentes. 
Se as pessoas soubessem a beleza e a dignidade do nascimento não atentariam contra o seu corpo indefeso, pequenino e inocente, como, agora, se noticia, com maior incidência, embora o fenómeno já viesse do passado, dos antepassados. 
 E esse espectáculo, readquire uma feição renovada e não menos cristalina, quando chegam os filhos dos nossos filhos. Aí o entusiasmo parece redobrar. 
Neles e com eles fazemos reabilitação dos nossos erros, corrigimos caminhos de outrora, porque não houve, não há, não haverá pais perfeitos, sem mancha e a disponibilidade ainda é mais livre, seja na noite seja no dia. 
E a gente enche-se de orgulho quando as nossas novas crianças ensaiam as primeiras palavras ou os primeiros passos ou as primeiras letras, tornando-nos mais ciosos, às vezes, do que os próprios pais, na sua protecção, no carinho, no amparo, na ajuda, na educação, na construção em cada um de um novo ser sem motivo de reparo, que prometem, mas que, como os pais, e já nós antes, necessariamente que, aqui e ali, não vão cumprir.
Mas é enorme o espaço que ocupam no nosso coração, sendo de desenvolver uma cultura que os aproxime ou mantenha unidos aos avós, porque o conceito de família a todos abrange e essa abrangência é tanto mais benéfica ao desenvolvimento harmónico da personalidade e vida equilibrada quanto maior for o elo de ligação entre todos.
Esse contacto é, de todos reconhecido com vantagens, retorna aos tempos passados, onde os avós eram respeitados e amados até ao fim, agora transformados em alheios, salvo se algum benefício material, e só material estiver à vista.  
De madrugada foi caso de levar o Joãozinho ao hospital, o sono não me pesou, e, descontada a natural preocupação da doença de momento, não foi sem orgulho que me senti quando o técnico de RX se me dirigiu, dizendo: “Avô, segura o menino, agarra as costas“, ou quando se sentou no banco da Igreja, a meu lado, sossegado, sempre atento aos movimentos, sem nunca perguntar quando a celebração terminava, todo direito, parecendo um discípulo adulto, atento ao Mestre. 

Por Armindo Monteiro



19 de março de 2015

Carta ao meu herói


Olá pai, se soubesses as saudades que tenho de um abraço teu, ou apenas de acordar e ver-te sorrir ou mesmo resmungar que eu sou muito preguiçoso e que nunca te ajudo. Tenho imensa pena de não estar hoje aí contigo nesse dia especial mas guardo te no meu coração nestas terras de outra nação. Vou-te contar uma pequena mas longa história de vida em que o herói principal és tu.
Todos os dias me vejo ao espelho e dou por mim a sorrir e a pensar que estou orgulhoso do homem que me tornei. Sou trabalhador, simpático, honesto, lutador, inteligente, sonhador, sempre pronto a ajudar quem precisa. Isto faz-te lembrar alguém? Sim pai, eu sou um pequeno e ainda verde Joaquim Penedo Martins. 
Toda a educação que me deste está agora a dar frutos e o meu sonho é ser um dia a imagem do meu pai. Quando me perguntam sobre o meu pai, eu sorrio e aponto para o coração, porque a minha família é quem me faz lutar todos os dias para seguir os meus sonhos. Posso estar longe mas não há um único dia em que não pense em vocês e em todas as lições de vida que me ensinaste.
Há 6 primaveras chegaste perto de mim com aquele teu ar característico e disseste-me que estava na altura de começar a trabalhar e a ajudar porque a quinta é a nossa vida. Eu reagi como qualquer miúdo de 16 anos, só queria fugir e esconder-me porque era ingénuo, inocente, não sabia o que era trabalho. Mal eu sabia que te ia agradecer mais tarde por me teres tornado tão forte e me teres ensinado que sem lutar não consigo atingir os meus objetivos. Para ser ainda mais específico eu até posso dizer que o meu pai é ninguém, porque ninguém é perfeito.
Escrevo-te hoje para expressar os meus pensamentos, porque tiveste fé em mim, foste o meu agente e mais que isso, foste um PAI. Resta-me desejar-te um feliz dia do Pai e dizer-te um muito obrigado por tudo o que fizeste e continuas a fazer por mim. O meu pai? O meu pai é eterno, viverá para sempre no meu coração." 

O Filho - Joaquim P. Martins



17 de março de 2015

Uma Igreja mais próxima e ao serviço de todos


Estive a acompanhar na televisão vaticana o cerimonial da criação dos novos vinte cardeais onde se incluia o Patriarca de Lisboa. D. Manuel Clemente sabe da pré-determinação da sua escolha. A Bula «Inter praecipuas apostolici ministerii» de Clemente XII, de 17 de Dezembro de 1737 garante [?] ao Bispo nomeado para a Sé de Lisboa o privilégio de ser admitido no Colégio dos Cardeais e usar o título de Cardeal Patriarca. A admissão deve ocorrer no primeiro consistório realizado após a sua tomada de posse ou, caso exista um Cardeal-Patriarca emérito, após este perder a sua condição de cardeal eleitor. Foi o caso de D. Manuel Clemente. Quando se tornou Bispo de Lisboa, D. José Policarpo que resignou, manteve a sua condição de cardeal-eleitor. Só após o seu falecimento, se cumpriram as condições para a integração efectiva de D. Manuel no Colégio dos Cardeais. É natural que futuramente a situação mude pois o porta-voz do Papa, ao anunciar as presentes escolhas, fez saber que “o Papa não se considera vinculado à tradição das “sede cardinalícias”, centradas por razões históricas nalguns Países”. De facto os novos arcebispos de Veneza também Patriarca, Turim e Bruxelas já não cumpriram a tradição.
A novidade deste Consistório revela-se na afinação da sua representatividade universal pela integração de Bispos de Igrejas periféricas, de culturas e situações diversificadas da Ásia, África e Oceania. A maioria das comunidades que os novos cardeais representam são minorias religiosas (1% da população). Entre elas estão as dioceses de Santiago (Cabo-Verde), “uma das mais antigas Dioceses Africanas”, Yangon (Miamar), Bangkok (Tailandia) pequenas comunidades cristãs dispersas em meio budista. A de Tonga, no Pacífico fica com o cardeal mais jovem, (D. Mafi de 54 anos). Na América Latina, o Arcebispo de Montevideu (Uruguai) representa um dos países mais secularizados do mundo com uma população de 45% de católicos.
A celebração da criação dos novos cardeais foi a fase mais visível do Consistório reunido em sessão reservada para debate e apreciação do processo de reestruturação e reforma em curso da Cúria Romana e das estruturas organizativas e de comunicação da Igreja. 
Tradicionalmente a Igreja foi uma estrutura centralizada de governo resultante duma concepção demasiado pessoal do poder do Romano Pontífice e da subordinação fortemente hierarquizada do ministério dos Bispos. A Igreja adoptou secularmente o modelo monárquico estrito com o Papa no vértice da Hierarquia  assessorado por colaboradores por ele escolhidos. A face visível do poder e do governo da Igreja era a Cúria romana que, legitimada pela delegação papal, se interpunha na comunicação e governo da Igreja entre os Bispos e o Papa. A Cúria tudo controlava e organizava desde a ortodoxia da fé, a supervisão e regulamentação do culto às relações do Papa com os Bispos e com os Estados. A sua resistência ao Concílio Vaticano II foi notória. Este só avançou e tomou os rumos inovadores que conhecemos, quando o episcopado da Igreja universal presente na aula conciliar fez aprovar propostas para que as estruturas organizativas, deliberativas e doutrinais do Concílio fossem constituídas por representantes por ele eleitas.
Do Concílio resultou a doutrina da Colegialidade dos Bispos, a associação dos Bispos ao Romano Pontífice no governo da Igreja: “Este sagrado Concílio…pretende declarar e manifestar a todos a doutrina sobre os Bispos, sucessores dos Apóstolos, que, com o sucessor de Pedro, vigário de Cristo e cabeça visível de toda a Igreja, governam a casa de Deus vivo.” (LG18). Esta doutrina pôs em causa os fundamentos da concepção monárquica do primado do Papa, do centralismo Vaticano e duma Cúria romana interposta entre Papa e Bispos.
“O primado do Papa […]  não pode entender-se como monarquia absoluta, como se o Bispo de Roma fosse o monarca ilimitado dum estado centralista e sobrenaturalmente concebido, chamado “Igreja”. Significa antes que dentro da rede das Igrejas que estão em comunhão entre si e sobre as quais assenta a única Igreja de Deus, existe um ponto fixo de união, a sedes romana, para a qual tem de se orientar a unidade da fé e da “comunhão” – escrevia já depois de aprovada a Constituição Conciliar Lumen Gentium, ainda antes de terminar o Concílio, o actual Papa emérito Bento XVI  (“As implicações pastorais da colegialidade dos Bispos”, Concilium, ed.portuguesa, nº 1, (Janeiro 1965), pp.27-49).
Passar da doutrina à prática, reformar uma instituição com rotinas, expectativas, cumplicidades e interesses por mais espirituais que fossem – e muitos não o eram de certeza – era tarefa árdua e persistente que exigia verdadeiro espírito de conversão. A implantação da dinâmica conciliar da colegialidade dos Bispos teve refluxos, embora fosse produzindo frutos: o sínodo dos Bispos, as Conferências episcopais, a consulta mais frequente dos Bispos, as sucessivas alterações na composição do Colégio dos Cardeais e progressiva integração nas Congregações Romanas de Bispos de toda a Igreja.
Os escândalos do Banco do Vaticano foram a face mais visível e chocante duma lógica dos interesses e cumplicidades que pode corroer endemicamente as instituições administrativas da Igreja e que o Papa Francisco não tem cessado de criticar duramente.
É claro hoje que a preparação do conclave que elegeu o sucessor de Bento XVI, se fez sob o choque da sua renúncia e do debate das questões que o preocupavam e quiçá influenciaram a sua decisão. Francisco tem repetido que a sua acção visa aplicar a plataforma eleitoral que determinou a escolha do seu perfil. Tem muito a ver com o seu carisma e experiência pessoal, mas corresponde a uma vaga de fundo na qual sobressai uma visão de uma Igreja de pessoas, centrada na fé em Jesus Cristo para O qual converge toda a sua estrutura, ao serviço da comunhão de todos, pastores e fiéis e do exercício do “ministério petrino” como serviço da comunhão eclesial e tarefa pastoral de edificação da Igreja, evitando a lógica do poder mundano. 
A reforma da Cúria está a realizar-se sob a direcção dum Conselho de oito Cardeais representantes do episcopado universal, de acordo com as sugestões do Conclave. Pretende modernizá-la segundo padrões de “racionalização, simplificação, eficiência”, privilegiando os critérios de “espírito de serviço e de responsabilidade” para melhor atingir o objectivo último de “coadjuvar o Papa no governo diário da Igreja”.
Segundo o Papa, é “um meio para dar um forte testemunho cristão, para favorecer uma evangelização eficaz, para promover um espírito ecuménico mais fecundo; e para encorajar um diálogo mais construtivo com todos”. 
A reforma da Igreja desejada pelo Papa Francisco pretende concretizar a perspectiva de uma Igreja verdadeiramente católica – universal - que vá ao encontro de todos, os de perto e os de longe e chegue às mais longínquas periferias geográficas, culturais, religiosas, sociais e económicas. A descentralização da Igreja mais que reestruturação funcional é realização prática da “sinodalidade e colegialidade” que faz parte da sua natureza. Acentua a co-responsabilidade de todos no anúncio do evangelho e na solicitude por todos no exercício da comunhão fraterna. As igrejas locais não são delegações da Igreja universal. São a Igreja de Deus que “está em…”, em comunhão com as outras na Igreja universal, partilhando entre si as suas preocupações, os seus dons, os seus carismas, o seu serviço, a sua missão. “O caminho da Igreja é … sair do próprio recinto para ir à procura dos afastados nas «periferias» da existência; adoptar integralmente a lógica de Deus (Francisco, Homilia 15.02.15).

Por Octávio Morgadinho



13 de março de 2015

Conclusões da Assembleia geral das Cooperadoras da Família

Reportagem: Ecclesia



10 de março de 2015

Reflectindo...


Há dias, a propósito do “Dia dos Namoradas”, que, segundo os novos cânones, teve lugar no pretérito dia 14 de Fevereiro, ouvimos, nas pantalhas da televisão, uma jovem fazer a apologia do “amor livre”, adiantando que “nos tempos dos nossos avós é que um homem e uma mulher, se uniam, pelo casamento, para toda a vida...”
Esta expressão, deixou-me a pensar. Será que esta manifestação verbal, é mesmo o que ela pensa? Será que a sociedade contemporânea  também pensa deste modo?
De facto, já vimos tanta coisa, tanta mudança, tantos valores a dissiparem-se, tantos conceitos a desfazerem-se, que já nada nos espanta.
Quando me consorciei, já lá vão 56 anos, jurei, perante Deus, amor e fidelidade à minha consorte, até à morte, tanto na saúde, como na doença, tanto na alegria, como na tristeza. Será que já não é assim?
No meu entender de católico, o matrimónio, faz de um homem e duma mulher, um único casal, casal este unido por laços matrimoniais, de maneira indissolúvel, até à morte. Nada, nem ninguém os pode separar. É uma união sagrada, que tem a bênção de Deus, através do mútuo compromisso da amorosa entrega, de um ao outro, o que é reforçado através do aparecimento dos rebentos biológico, dos filhos, da oração comunitária, da Eucaristia, do diálogo, do comum entendimento e, quantas vezes, através das aquiescências, do perdão e da compreensão recíproca.
Tudo isto encontra-se simbolizado, na aliança que cada um dos membros do casal, traz no dedo anelar e que mais não é do que o símbolo vivo da união sem limites e sem reservas, de um casal que deseja viver a dois, através do grande amor que dedicam um ao outro.
Quem se debruçar sobre as sagradas Escrituras, lá encontra que o amor de Cristo, foi sempre difundido e vivido, como um amor nupcial, em que Deus é o esposo e a Igreja a esposa. É por isso mesmo que cada família, nascida através do sacramento do Matrimónio, é chamada IGREJA DOMÉSTICA. De facto, Igreja, somos todos nós, em nossas casas, no seio do lar, vivendo em jeito da Trindade, em que o amor faz com que três pessoas, sejam como um só Deus. Reparem que nos casais, onde abunda o amor familiar, entre os seus membros, há mais amizade, mais unidade.
É verdade que isto hoje, em dia, está a diluir-se, pelo que se torna muito difícil  de entender, como muitos jovens têm tanta dificuldade de compreender que o matrimónio faz dum homem e duma mulher, um único ser, um casal, na verdadeira acepção da palavra.
Hoje, o rapaz e a rapariga, começam a ter medo de assumir compromissos, tal a desorientação que grassa por esse mundo além. Os constantes ataques que se fazem à instituição familiar, a desvalorização do matrimónio, as enormes dificuldades económicas por que estão a passar a grande maioria das famílias, muitos elementos delas engrossando o medonho pélago do desemprego, a carência de recursos financeiros, as enormes solicitações que conduzem ao adultério e a promiscuidade laboral, são elementos que conduzem, muitas vezes, à divisão das famílias, à separação dos seus membros e por fim, ao divórcio. 
Muito raramente isto sucede nas famílias unidas, crentes, onde se reza, frequentemente, em ambiente familiar. A intransigência, a incompreensão e a ausência de perdão, colocam amiudadamente, muitos casais, em querelas contínuas, em constantes litígios familiares, em perniciosos dissídios, em perigosas quezílias, que invariavelmente, levam ao divórcio, com todas as nefastas consequências daí resultantes. 
Quando as desavenças são frequentes, os insultos, de parte a parte, são quotidianos, quando faltam ao respeito, um ao outro e o afastamento conjugal é um facto, o casal começa a periclitar, acabando, infelizmente, por desaguar no divórcio, irremediavelmente.
Agora veio a moda dos casamentos de homossexuais. Como será possível, conceber uma tal atrocidade?
Se observarmos o Art.º 1577 do Código Civil Português, lá encontraremos que “O casamento é um contrato celebrado entre duas pessoas, de sexo diferente, que pretendem construir família”. Por sua vez, o Código do Direito Canónico, assevera no cânone nº 1055 que o casamento é “O facto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem, entre si, a comunhão íntima de toda a vida, ordenada por sua índole natural, ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole”.
Nas escrituras, efectivamente, também se fala em dois seres humanos que sentem atracção sexual, entre si, que nos Evangelhos dos tempos coevos, mais não são do que um homem e uma mulher, que se amam e nunca, por nunca ser, de dois homens ou de duas mulheres. Não me dirão, como poderão procriar dois homens ou duas mulheres? Se não podem gerar filhos, nunca poderá haver matrimónio, nem casamento. E isto porque o casamento não é a mesma coisa que acasalamento. Poderá haver uma união de facto, um convívio íntimo, mas nunca se poderá considerar como sendo a maravilhosa realidade que é a união de duas pessoas, de sexos diferentes, unidas pelos laços imorredouros do matrimónio, prescrito por Deus e deixado como sacramento, que foi selado por Jesus Cristo, nas célebres e históricas Bodas de Canná, na baixa Galileia, junto de Nazaré.
Neste sentido e embora o Parlamento, tenha reconhecido a existência de casamentos homossexuais, nós cristãos, não nos devemos deixar enganar, nem sequer permitir que nos enganem com leis cerzidas “contra-naturam”. A simples união de dois homens ou de duas mulheres, nunca convergirá em casamento, nem nunca realizará a graça do amor matrimonial, mesmo que esses homens e essas mulheres, se amem acrisoladamente e desejem viver juntos e em união de facto.  

Por Fabião Baptista



A Mulher

Quando pensamos em escrever sobre uma mulher é impossível não pensar naquela que foi a primeira mulher a não ter medo. O seu nome era tão simples como ela. Maria. Ela mesma deu o nome a tantas outras mulheres que hoje conhecemos. Não terá sido por acaso. Maria inaugurou o caminho de todas as mulheres que a seguiriam até aos dias de hoje. Não se deixou vencer pelo medo do desconhecido, ainda que o tivesse. Não deixou que a sua vontade fosse a primeira e escolheu a vontade de todas as vontades. A do Pai.
Passou a viver em função de um filho que, por ser eternamente especial, lhe traria as maiores alegrias mas também o maior e o mais indizível de todos os sofrimentos.
Foi mãe, mulher e esposa. E não abdicou de nenhuma das partes do seu coração. É essa a responsabilidade da maioria das mulheres de hoje. Uma responsabilidade que deixa de o ser para ganhar um outro nome. O nome do Amor, na verdadeira aceção da palavra e não cheio da banalidade que muitas vezes lhe atribuímos. 
Não é fácil ser tantas pessoas numa só. Ceder a tantas pressões, pedidos, dificuldades, apelos. Não é fácil ser mulher do século XXI. A carreira desde sempre sonhada e a família desde sempre desejada. Cada desafio vai sendo enfrentado com um sorriso, ainda que o cansaço esteja quase a levar a melhor. Cada dificuldade é acarinhada como se de um filho se tratasse e transformada numa flor que qualquer brisa será capaz de levar. Cada lágrima é substituída pela recordação mais feliz e pelo motivo primeiro que deu à luz o caminho. Cada queda é transformada numa escada para subir mais alto e mais longe. Cada dia de desânimo é transformado numa história alegre de princesas que se lerá à noite à cabeceira do filho pequeno. 
As mulheres são, por isso, filhas da alegria e da boa vontade. Não fazem promessas, porque cumprem sempre tudo. São alento, teimosia, motor para o caminho, bênção, ternura, colo, disponibilidade, afeto, sorriso, capacidade infinita. Têm o coração do tamanho do mundo porque na sua pele mora um poro da pele daquela que foi a primeira de todas as mulheres. Não só por ser mulher mas por ter aceitado sê-lo. Incondicionalmente. É por isso que nada pode derrotar uma mulher, mesmo quando parecer que esta perdeu a batalha. As suas armas não fazem sangrar nem fazem nascer feridas. As suas armas nem sequer são armas. São flores. São orações pequeninas como conchas com as quais se podia fazer um colar para trazer ao peito. 
É por isso que as mulheres tudo podem. Porque quando sentem que nada podem se ajoelham à beira da alma de Maria e lhe entregam tudo o que são e hão-de vir a ser. 

Por Marta Arrais




3 de março de 2015

E a Família? (Editorial)


“Quem te ama, não te agride” - é o mote de uma campanha nacional lançada no dia dos namorados, pelo governo, contra a violência no namoro, prevenindo os jovens de que certos procedimentos de controle” de um dos parceiro sobre o outro, não são formas de ‘amar’, mas antes indiciam traços de violência mascarados.
Numa entrevista à Rádio Renascença de 18/02, a propósito da referida campanha, Teresa Medina, dirigente de várias associações contra a violência a mulheres e crianças, afirmou que a “prevenção da violência tem que começar na creche” e é fundamentalmente uma questão de “ensinar as crianças, a respeitar os direitos humanos”.
“Se queremos prevenção, temos que ir mais cedo, ao nível do primeiro ciclo, às creches, começar a trabalhar os aspectos fundamentais”. Afirma ainda que a “violência não é coisa que nasça com a pessoa, é um comportamento aprendido, o que significa que as escolas terão que ser envolvidas (…) mas tem de ser qualquer coisa estruturante da própria criança”. Nesta lógica, basta intervir cedo na creche, para se conseguir minorar a violência. Mas a questão levanta-se: “e a família, fica de fora deste processo? Não é ela anterior à creche? 
Não tem a família um papel único e insubstituível na estruturação da personalidade, desde o berço? Não reúne a família condições psicológicas e afectivas únicas, porque permeadas pelo mundo das vinculações e dos afectos, para a aprendizagem e interiorização dos valores que hão-de garantir o respeito pelos direitos humanos? 
Reabilite-se, então, a família criando políticas e estruturas de apoio que as ajudem a serem protagonistas na prevenção da violência. Entre nós, as políticas dos últimos anos, atentam contra a vida e a família. Pretende-se manipular a vida e a família a bel-prazer, como se cada um a pudesse fazer à medida dos seus desejos. 
Existe de certeza uma relação de causa e consequência entre a crescente violência, transversal a todas as idades, e a desvalorização da família no contexto actual. 
Investir apenas a partir da creche, descurando a família, é sem dúvida, investir ao lado.

Maria Vieira


22 de fevereiro de 2015

Eleita a nova Coordenadora Geral do ISCF


Maria Alice Marques Cardoso, nasceu em 25/07/1965, na freguesia de Barreiros, concelho, distrito e diocese de Viseu.
É licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior de Serviço Social de Coimbra.
É membro da direcção da Escola Profissional de Agentes de Serviço e Apoio Social - Fundação Monsenhor Alves Brás em Lisboa.
Ingressou no Instituto Secular das Cooperadoras da Família em 1985. Fez a oblação perpétua em 1995.
Foi membro do conselho geral cessante, na função de vice coordenadora geral.


“No coração do mundo com o coração de Deus, ao serviço da família” foi o mote orientador dos trabalhos da Assembleia Geral do Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF), reunida em Fátima, de 14 a 22 de Fevereiro.
A Assembleia Geral, como órgão máximo do governo do ISCF, constituída por delegadas vindas dos diversos países onde o Instituto está presente - Portugal, Espanha, França, Itália, Brasil e Angola – teve como objectivo avaliar os últimos seis anos de vida e acção, projectar os próximos e eleger a Coordenadora Geral e seu Conselho.
Na fidelidade ao Carisma do Fundador, Venerável Mons. Joaquim Alves Brás, e tentando perscrutar a vontade de Deus, as participantes, com a colaboração de especialistas nas matérias, reflectiram sobre a sustentabilidade do ISCF nas várias vertentes (humana, vocacional, espiritual, organizacional, económica, financeira e patrimonial).
Reflectiram também sobre a Missão hoje à luz da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium e Sínodo dos Bispos sobre a Família, em busca de respostas para os desafios que se colocam hoje à Igreja, ao Instituto e à Família.

Da reflexão alargada, sobressaem as seguintes linhas orientadoras:
- Dimensão espiritual como principal prioridade no Instituto, conscientes de que esta é o garante da fidelidade vocacional, carismática e fonte de dinamismo apostólico, junto das famílias a quem por missão somos enviadas.
- Formação integral dos membros do Instituto, colocando especial relevo na área da formação familiar e no reforço da identidade carismática e missionária.
- Divulgação do Instituto e maior dinamismo na pastoral juvenil/vocacional, proporcionado experiências missionárias ad gentes, particularmente em Cabinda.
- Dimensão social e apostólica
a.    Investir na preparação dos jovens para o matrimónio;
b.   Apostar na evangelização e formação da família, privilegiando as famílias com quem trabalhamos no MLC – Movimento por um lar Cristão e nos
c.    equipamentos sociais;
d.    Fomentar a abertura de mais CAF`s – Centro de Aconselhamento Familiar.
Estar no coração do mundo como “sinal” da bondade e da beleza divina, levando a todos a “consolação de Deus” é o grande desafio que se coloca a cada cooperadora da família sob a dinamização da recém eleita Coordenadora Geral do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Maria Alice Marques Cardoso.

Fátima, 22/02/2015
Sandra Sousa e Deolinda Araújo




16 de fevereiro de 2015

Lançamento do documentário "O padre das prisões"

No próximo dia 20 de fevereiro, dia internacional da Justiça Social, as irmãs Inês Leitão (blogger e argumentista) e Daniela Leitão (realizadora) apresentam o seu novo documentário sobre o trabalho da Igreja em Portugal.
Exactamente um ano depois de entregarem ao Papa Francisco o documentário "O meu bairro", mostram agora a vida do "Padre das prisões" (Pe. João Gonçalves, coordenador da Pastoral Penitenciária portuguesa, padre visitador há mais de 40 anos)
O documentário estará disponível nas redes sociais durante o dia 20 de fevereiro e terá uma apresentação oficial na Capitania de Aveiro, dia 21 de fevereiro pelas 16:00. Lisboa, Braga e Porto também terão apresentações (ainda não agendadas).
Para as duas irmãs, este trabalho permitiu-lhes "entrar na realidade prisional portuguesa pelos olhos de alguém cuja prioridade é a dedicação às pessoas reclusas… e as pessoas presas não deixam de ser pessoas. Nós cá fora é que nos esquecemos disso com demasiada facilidade (…) a vida do padre João Gonçalves ajuda-nos a não nos esquecermos que somos todos iguais. Podíamos ser nós lá dentro", dizem. O documentário conta com participações especiais (Dr. Moita Flores, Dr. Laborinho Lúcio) e a banda sonora inclui a música "Que Deus" cedida por Boss Ac/Valentim de Carvalho e músicas de Tiago Melo.




15 de fevereiro de 2015

Perscrutar o que o Espírito Santo diz às igrejas


O primeiro dia de trabalhos da Assembleia Geral do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, que ontem dia 14 de Fevereiro de 2015 se iniciou, decorreu sobre a tónica da oração, da escuta, da intimidade com o Senhor que chamou e chama cada uma a responder ao hoje da Igreja, do Instituto, da história. Escuta do que o Espírito Santo diz às Igrejas, ao Instituto a cada uma das Delegadas, por si e em representação das que as elegeram; num esforço de perceber em comum qual a vontade de Deus.
Desde Fátima, terra que Maria escolheu para chamar o mundo ao reencontro com Seu Filho, as Delegadas a esta Assembleia, representantes dos países onde o Instituto está implantado: Portugal, Espanha, França, Itália, Brasil e Angola, abandonam-se nas mãos de Deus e confiam-se à oração de todas as Cooperadoras e todas as pessoas de boa vontade pelos bons frutos deste evento.

Fátima, 15/02/2015
Deolinda Araújo





Símbolos do cardinalato

Imagem retirada do Jornal SOL online






D. Manuel Clemente é o 44.º cardeal português

Numa mensagem à diocese de Lisboa gravada em Roma momentos após ter recebido os símbolos do cardinalato, D. Manuel Clemente relembra a importância de ter sido criado mais um cardeal português. O vídeo foi partilhado no canal de YouTube do Patriarcado de Lisboa. 



por Aura Miguel
in RR 



O Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, já é Cardeal. Este sábado, numa cerimónia na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o bispo de Lisboa foi o segundo dos 20 novos cardeais a receber os símbolos do cardinalato das mãos do Papa Francisco, que lhes lembrou que “a dignidade cardinalícia é certamente uma dignidade, mas não é honorífica”. 
“Não se trata, portanto, de algo acessório, decorativo que faça pensar a uma honorificência, mas de um eixo, um ponto de apoio e movimento essencial para a vida da comunidade. Vós sois ‘junções cardinais’ e estais incardinados na Igreja de Roma, que ‘preside à universal assembleia da caridade’”, reforçou Francisco. 
D. Manuel Clemente percorreu a pé o caminho entre o Colégio Português de Roma e a Basílica de S. Pedro, acompanhado pelos seus bispos auxiliares, o seu secretário e alguns padres. 
Em S. Pedro, juntou aos outros 18 bispos (um deles, da Colômbia, não esteve presente na cerimónia por já ter 96 anos), que receberem do Papa Francisco não só os símbolos da sua nova condição, mas um programa de vida baseado no Hino à caridade de S. Paulo. 
“A caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” – foi este o programa que D. Manuel Clemente recebeu para sempre do Papa a quem este sábado jurou fidelidade e obediência até à morte. 
De joelhos no altar da confissão, diante do actual sucessor de Pedro, o Cardeal Patriarca de Lisboa recebeu o barrete, o anel e a bula com a sua nomeação, que lhe atribui em Roma a Igreja de Santo António dos portugueses. 
Dignidades que, como reforçou o Papa Francisco, só têm sentido para servir e dar a vida pela Igreja e pelos outros, se for preciso até ao derramamento de sangue, como aliás a cor purpura das vestes cardinalícias recorda a todos. 
O Patriarca de Lisboa passa, a partir de agora, a colaborar mais directamente com o Papa e a fazer parte do Colégio de Cardeais. 
Com D. Manuel Clemente foram também investidos o bispo Arlindo Gomes Furtado, de Cabo Verde, país que pela primeira vez tem um cardeal, e Júlio Duarte Langa, bispo emérito de Xai-Xai, Moçambique, que, por ter mais de 80 anos, não terá capacidade eleitoral. 
O Estado português esteve representado na cerimónia pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. 
O Papa emérito esteve presente no consistório. Desde que renunciou ao pontificado, Bento XVI tem levado uma vida bastante recolhida, sobretudo de oração, como era seu desejo, e raramente aparece em público. 
Na segunda-feira, dia 16, D. Manuel Clemente irá celebrar a missa na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, (11h30, menos uma em Lisboa). 
De regresso a Portugal, a primeira celebração do novo cardeal vai decorrer na Sé de Lisboa, a 18 de Fevereiro, com a Missa de Quarta-feira de Cinzas (19h00). A 22 de Fevereiro, D. Manuel Clemente vai proferir a primeira catequese quaresmal, no Mosteiro dos Jerónimos, às 16h30, a que se segue uma sessão de apresentação de cumprimentos, aberta a todos os que desejarem participar.



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