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A próxima guerra

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
in DN 20091228

imagem tirada daqui
No seu esforço para promover consenso na cimeira de Copenhaga sobre as alterações climáticas, o primeiro ministro britânico Gordon Brown afirmou que, no caso de falhar o acordo, haveria uma «catástrofe económica sem precedentes... equivalente a duas guerras mundiais e a grande depressão» (Telegraph.co.uk; 7:30am 16/Dez/2009). Ninguém duvida das boas intenções da frase mas, mesmo assim, o que ele disse é um enorme disparate.
O mais significativo na declaração é o grau de banalização do horror inconcebível de uma guerra mundial que manifesta. Agora uma simples questão de temperaturas é considerada semelhante aos maiores morticínios da história. Mas esta não é uma afirmação estranha e até se pode considerar bastante representativa nos dias que correm. A cada momento se ouvem paralelos com as guerras mundiais. No ano passado por esta altura todos falavam de grande depressão como algo próximo. E ainda ninguém se lembrou de notar que, afinal, as semelhanças da crise acabaram por ser mínimas.
O problema de afirmações como estas não é o seu exagero e implausibilidade. Pelo contrário, elas são irresponsáveis precisamente porque podem ter razão. Este é o modo como, passado pouco mais de meio-século, vamos descendo devagar a escada que conduz a grandes catástrofes. Depois de 1945 toda a gente dizia "Nunca mais!". Hoje começa a dizer-se que "Talvez amanhã!". Não se deve ter dúvidas que banalizar algo é promovê-lo, como acontece com a corrupção, divórcio, aborto, etc.
A ligeireza destes discursos começa por manifestar alheamento. É evidente que quem fala assim não conhece aquilo de que fala. Se tivesse presente o que realmente implicaram duas guerras mundiais e a depressão nunca as invocaria sem tremer. Paradoxalmente, enquanto as afirma próximas, a própria maneira de falar mostra como estão remotas.
Por outro lado este tipo de conversa esquece a terrível probabilidade do horror. Uma situação como a que levou às desgraças de 1805, 1914 e 1939 pode repetir-se a qualquer momento. Por isso é que estas coisas não devem ser ditas de forma tão frívola. Hoje pode parece alarmismo dizer que é mesmo possível o mundo encontrar-se dentro de anos envolvido num conflito maciço. Mas é bom lembrar que em 1800, 1910 e 1930 também ninguém acreditava nisso.
A probabilidade nasce do facto que em última análise estas coisas não se devem a homens horríveis, como Napoleão ou Hitler, mas a pessoas normais como nós que, levadas ao desespero, dão poder a homens horríveis como eles. Sempre existem personalidades sádicas, sinistras e demoníacas. Felizmente só raramente levam a uma época sádica e demoníaca.
As pessoas também esquecem que o fanatismo com que os franceses seguiram Imperador e os alemães o Fuhrer se deve aos enormes sucessos que eles conseguiram. Não foi o mal que seduziu a França de oitocentos e Alemanha dos anos 30. O caminho que conduz à calamidade global é bem conhecido. Primeiro o desespero. Depois o medo. Finalmente e definitivo, o orgulho.
É evidente que o aquecimento global, mesmo que seja tão terrível como alguns prevêem, nunca terá as consequências invocadas. Mas as crises atómicas do Irão e Coreia do Norte podem abrir a porta, como uma crise político-económica na Rússia ou China. Oportunidades de calamidade existem em todos os tempos.
Felizmente a história raramente se repete. Apesar de tolices como as referidas, o fantasma de 1939-45 ainda assombra suficientemente toda a gente para ninguém o tomar levianamente. Aliás, o mais provável é que a próxima guerra global venha de um lado inesperado, precisamente como as anteriores. Foi por não haver Napoleão que as potências entraram em conflito em 1914 e foi para evitar uma nova Grande Guerra que se apaziguou Hitler. Mas em todos os casos foi a fúria e ganância que dominaram todos os outros interesses.
O progresso e a sofisticação tecnológica não nos protegem da nossa própria crueldade. Mas ao menos garantem duas características da próxima guerra: será curta e os mais infelizes serão os sobreviventes.

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Aos leitores do Jornal da Família

Posted by Jornal da Família
Caros leitores e Assinantes do Jornal da Família, tenho alegria de vos comunicar que o nosso Jornal em Janeiro próximo celebrará 50 anos de vida.
É uma efeméride digna de ser assinalada por todos e ao longo de todo o ano.
Neste sentido gostaria de fazer dois pedidos a todos os Leitores e Assinantes: Primeiro, que todos se empenhem na difusão do Jornal, conseguindo assinaturas, junto de pessoas amigas.
Segundo, gostaria que uma das nossas publicações ao longo do ano 2010, fosse feita de testemunhos acerca do Jornal. Cada Assinante, ou leitor, de forma simples e breve, poderia dizer o que para si tem sido, receber o Jornal todos os meses e respectivos conteúdos. Depois envie esse testemunho à redacção ou à Administração do Jornal. Para realizar este projecto, confiamos na generosidade e boa vontade de todos os Leitores.
Conceição Vieira
Redacção

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Papa Bento XVI apela à defesa do casamento 'tradicional'

Posted by Jornal da Família
por Patícia Jesus
in DN, 20091228

imagem tirada daqui
As palavras do Papa são desvalorizadas pela associação ILGA, que considera que a Igreja não tem nada de interessante a dizer sobre o casamento civil. Homossexuais católicos dizem ser urgente repensar posição da Igreja.O Papa Bento XVI saiu ontem em defesa da família "fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher", num vídeo difundido no encontro das famílias que decorreu em Madrid e onde estiveram dezenas de portugueses. Uma mensagem que insiste num tema que alguns bispos portugueses abordaram recentemente, a propósito da aprovação do casamento gay. Mas, para os católicos homossexuais portugueses, a Igreja tem de repensar urgentemente as relações afectivas entre pessoas do mesmo sexo.

No Domingo da Sagrada Família, foi em castelhano que o Sumo Pontífice se dirigiu aos milhares de cristãos de toda a Europa reunidos em Madrid para o terceiro encontro das famílias, uma iniciativa criada dois anos depois da aprovação do casamento gay em Espanha. Bento XVI enviou uma mensagem por videoconferência, apelando à defesa e promoção da família "baseada no casamento entre um homem e uma mulher". O Papa afirmou que Deus veio ao mundo "no seio de uma família", e que esta instituição é o caminho mais seguro para encontrar e conhecer" Deus.
O cardeal arcebispo de Madrid, António Rouco Valera, foi mais longe na sua recusa do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que afirmou ser "contra a natureza". Rouco Valera advertiu que o discurso actualmente utilizado sobre os diversos modelos de família "é avassalador e não responde à verdade natural da família". O bispo espanhol desenhou um panorama desolador para "os valores cristãos da família", devido à aceitação social do divórcio, do aborto e dos "diversos modelos", distintos do que considera ser o "verdadeiro matrimónio entre um homem e uma mulher".
O Grupo Homossexual Católico Rumos Novos, por sua vez, diz ser "urgente, por parte da Igreja, uma nova visão sobre a sexualidade humana e sobre as relações afectivas estáveis entre pessoas do mesmo sexo".

Num comunicado sobre as alterações propostas pelo executivo português ao casamento civil, o grupo Novos Rumos considera que "defender o Amor e as relações afectivas estáveis entre pessoas do mesmo sexo é também a tradução prática" do cristianismo, "porque Jesus Cristo pregou um Deus inclusivo e do Amor e não um Deus do medo e da exclusão, ao contrário do que defendem alguns sectores da própria Igreja".

Já para Paulo Côrte-Real, da Associação ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero), este discurso não surpreende. "Nós sabemos à partida que a Igreja tem dificuldade em aceitar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", lembra.

Mas para o activista, o Vaticano perdeu toda a credibilidade como interlocutor "a partir do momento em que se recusou a apoiar, nas Nações Unidas, uma declaração em favor da despenalização universal da homossexualidade, porque temia que servisse para promover o casamento homossexual". Paulo Côrte-Real lembra que há dezenas de países que ainda têm leis que criminalizam o sexo consensual entre adultos do mesmo sexo .

Assim, considera que a Santa Sé "não tem qualquer contributo interessante para a discussão sobre o fim da discriminação dos homossexuais" - "porque é isso que está em causa quando se discute o casamento entre pessoas do mesmo sexo", conclui.

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Conto de Natal

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves


O cristianismo é só isto: Cristo que passa. A tua fé é a única que não tem no centro livros, culto, mas uma pessoa, Jesus Cristo.


Adormeci e no meu sonho vi-me num grande campo com uma multidão incontável. Um enorme cartaz mesmo em frente dizia "Parada das religiões". De facto, tudo parecia orientado para um cortejo imenso que percorria uma estrada no meio do campo. Toda aquela gente, que compreendi ser a humanidade inteira, se amontoava dos dois lados do caminho, vendo avançar os carros referentes a cada crença.


Quando consegui chegar à primeira linha passava uma enorme plataforma sobre rodas levando uma gigantesca estátua de Buda. À volta do carro viam-se monges vestidos de açafrão que entoavam cânticos. A seguir, carros mais pequenos levavam símbolos budistas. Muitos espectadores saudavam a passagem inclinando o corpo, cantando e queimando incenso.


Os carros seguintes tinham símbolos estranhos que não consegui identificar. A aparência dos acompanhantes também não esclarecia, pois iam de fato e gravata. Só quando reparei nos aventais percebi que era a Maçonaria. Notei então o esquadro e compasso. Apesar das semelhanças indesmentíveis, a dimensão era inferior à apresentação do budismo mas ainda bastante imponente.


A religião que se seguia era conhecida, pois o cortejo parecia as paradas na Praça Vermelha ou Tiananmen: era o marxismo que passava. Os carros traziam foices e martelos, além de operários, soldados e mísseis. Na audiência, viam-se punhos fechados e ouviram-se palavras de ordem.


Foi então que decidi perguntar aos meus vizinhos quando passaria a minha religião, o cristianismo. Eles desataram a rir. Surpreendido dirigi-me a um velho de barbas brancas que tinha a farda da organização. Ele informou-me que, como o cristianismo era a maior das religiões, tinha a honra de ir à frente, abrindo a parada. Disse-me também que, se eu quisesse, havia ali perto um autocarro especial para levar os interessados a outras zonas do cortejo.


Segui-o e poucos minutos depois estávamos mais adiante no campo, num local onde a multidão ainda esperava. Percebi pelo ruído que algo se aproximava. Quando consegui vislumbrar os contornos do primeiro carro foi com espanto que constatei o que parecia ser um minarete. Não faltou muito para o confirmar que o que se aproximava era a delegação do Islão. Os carros eram ainda maiores e mais imponentes que os que vira antes. O primeiro trazia um enorme livro aberto cheio de caracteres árabes. O segundo era uma mesquita e em volta múltiplos fiéis desfilavam, rezavam e saudavam. O número era incontável.


Olhei com espanto para o velho, mas ele continuou impávido. Só nessa altura reparei que, afinal, esse carro não era o início do cortejo. Mesmo em frente ia algo tão pequeno que passava despercebido: um homem levando um burro com uma mulher em cima e um bebé ao colo. Aquela era a humilde presença do cristianismo.Apesar de minúscula, essa presença era controversa. Alguém dizia: "E isto não é o pior. Na parada da tarde vem um homem com uma cruz às costas, chicoteado por soldados." À minha volta muitos protestavam contra isso. Que acontecera a toda a riqueza milenar do culto litúrgico, arte sacra, doutrina teológica, caridade cristã? Como os vi a protestar, perguntei se eram protestantes. Alguns disseram que sim, mas a maior parte eram católicos.


Afastei-me confuso. Então o velho explicou-me: "O cristianismo é mesmo só isto: Cristo que passa. A tua fé é a única que não tem no seu centro livros, cultos, ética, mas uma pessoa, Jesus Cristo. Por isso ser cristão não é, antes de mais, aprender dogmas, rezas, ofertas ou mandamentos, mas viver uma relação pessoal de amizade, contínua e permanente com Alguém. Tudo o resto, e é muito e importante, são apenas ajudas para o essencial. Ele mesmo o disse: ser cristão é nascer de novo (Jo 3, 3). É ser corpo de Cristo (1 Co 12, 27). O cristão vive a vida toda com Cristo e em Cristo, no meio do povo que é a Igreja. Muitos cristãos tratam a sua fé como uma religião e vêem o cristianismo como regras, orações, obrigações. Mas a verdade da fé não é fidelidade. É intimidade. Viver sempre na presença de Cristo próximo."

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Natal Ideal

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
Estão criadas as condições ideais para o Natal. Basta olhar à volta e vê-se logo. Reparem como todos andam atarefados com a sua vida, festejos, compras, boas-festas. Tudo se centra em consumo, prazer, dinheiro, azáfama. Não é isto mesmo o ideal para o Natal?
Pelo menos na vida pública, ninguém parece interessado no significado desta festa, no presépio e no nascimento de Cristo. Vemos renas, árvores, sinos, trenós, mas poucas manjedouras. As montras, anúncios, jornais, televisões falam do Pai Natal ou do Obama em Copenhaga, não de Jesus.
Ninguém medita no acontecimento espantoso que é Deus nascer como um menino, o Omnipotente vir viver como um de nós para trazer toda a felicidade do Céu à tristeza deste mundo.Olhamos à volta e tudo parece alheio a essa espantosa Boa Nova, que mudou e muda o mundo. Basta ver isto e compreende-se: estão criadas as condições ideais para o Natal.Porque foi precisamente assim na primeira vez que houve Natal. Quando Jesus nasceu também ninguém lhe ligou nenhuma. Toda a gente se atarefava na sua vida, sem sequer saber do estábulo. As atenções estavam centradas nas árvores, no gado, no consumo, prazer.
Falava-se de Herodes, gordo e de barbas brancas como o Pai Natal, e no imperador Augusto, com enormes semelhanças a Obama. Apesar de avisadas pelos profetas, as pessoas não conseguiam sequer imaginar que Deus pudesse visitar o seu povo.
No dia de Natal ninguém achava possível haver Natal. Como hoje. Porque o Natal depende da vontade sublime de Deus, não das condições que nós criamos.

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Desemprego e atitude

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
in DN
O desemprego é o elemento mais dramático da crise. Não só o impacto produtivo é terrível mas os seus efeitos estão longe de ser apenas económicos ou financeiros. Nos tempos que correm, a profissão faz parte da identidade pessoal, e perdidas referências espirituais ou ideológicas, muita gente coloca na sua ocupação a própria razão de existir. Isso torna terrível a evolução da taxa, que começou a subir em 2001 e atinge níveis históricos.
O sofrimento é grande, mas lidar com um mal destes exige abandonar emoções e falácias, enfrentando de forma clara e decisiva a questão. A única forma de combater o desemprego é através de uma das coisas mais simples e mais exigentes: mudar atitudes.
Primeiro é preciso compreender que estar desempregado não é vergonha e pedir emprego é uma honra. Dignificar a situação é meio caminho para a resolver.
Depois há que recusar a armadilha política e esquecer o uso da questão como munição na luta de almofadas partidária que alimenta o ocioso circo mediático. O desemprego é uma questão económica, resolvida nas empresas, mercados e investimentos. Neste processo, os programas estatais costumam complicar mais que ajudam, mesmo quando se enganam presumindo da própria eficácia. Os melhores governos são os que estragam pouco, mas há muito que não temos desses por cá.
O terceiro erro consiste em achar que os empregos nascem nas árvores. Procura-se trabalho como numa apanha de frutos em pomar rebuscado. Os empregos primeiro criam-se, só depois podem ser ocupados. Muitos desempregados deveriam lançar o próprio negócio, sem acreditar na geração expontânea de tarefas. Trabalhar é ser útil, criar valor. O mal está na opinião pública, que começa por desprezar empresários e gestores, tratando-os como exploradores, parasitas ou pior. Depois, o Governo persegue-os com impostos, regulamentos e fiscalizações. No final, todos se surpreendem por faltarem postos de trabalho.
Outro disparate é pensar que se trabalha no que se quer, não no que é preciso. Não existe falta de empregos em Portugal, que criou centenas de milhares nos últimos anos. Esses trabalhos não agradaram a nacionais e tiveram de vir multidões de emigrantes para os ocupar. Mesmo com a crise persiste a falta de trabalhadores em muitas funções. É difícil encontrar canalizadores e electricistas enquanto sobram advogados e professores. Para funções à secretária há chusmas de candidatos, mas noutras secções as disponibilidades são escassas. Ainda há quem se indigne por já não ser verdade que o curso superior garante emprego bom e fácil. Mas é assim há mais de 20 anos. No antigo regime a escassez de licenciados concedia-lhes facilidades momentâneas, há muito desaparecidas. É tempo de compreender a realidade e procurar estudos e formações úteis, não pomposas. Aí o Estado só complica.
A quinta tolice é pensar que, porque o montante de trabalho é fixo, os empregados tiram empregos aos desocupados. Esta velha falácia é persistente, apesar de sempre negada. É trabalhando que se gera a necessidade de mais trabalho. Aqui não há partilha, mas crescimento. Ou queda se, em vez de aumentar o bolo, se lutar pela sua divisão.
Isto leva à estupidez suprema de considerar obsoletas e fora de prazo pessoas de certa idade, ainda com décadas de capacidade e eficácia à sua frente. Usar a reforma para promoção do emprego é um infame crime nacional, que estrangula empregos e paralisa a economia. Também aqui o erro tem origem histórica há muito inválida. Há décadas a saúde precária recomendava reforma aos 60 anos, que na altura era impossível. Hoje, podendo pagar, isso já não é preciso porque as pessoas vivem válidas até muito mais tarde. Políticos míopes usam o tema para demagogia e criam problemas terríveis. O mais espantoso é os próprios aceitarem a ociosidade e inacção, na triste irrelevância que lhes custa tanto quanto ao País.
Como o sistema económico funciona, não é fácil fazer subir o desemprego. Mas, como se vê, é possível atingir a catástrofe actual através de erros fortes e consistentes.

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Cultura e questões sociais em destaque no programa do Papa em Portugal

Posted by Jornal da Família
A visita de Bento XVI a Portugal irá decorrer de 11 a 14 de Maio de 2010, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto. Além dos encontros com as autoridades políticas do nosso país, o programa, apresentado oficialmente esta Segunda-feira, irá realçar três sectores: o mundo da cultura, os sacerdotes e as organizações de pastoral social. (ler mais)

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O matrimónio e o homossexualismo

Posted by Jornal da Família
Comentário de Felipe Aquino

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Os perigos da sociedade para acabar com a Família

Posted by Jornal da Família
Comentário de Felipe Aquino

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As ameaças contra a família

Posted by Jornal da Família


No Sínodo dos Bispos, em 1980, sobre a família, os Bispos apontaram os pontos mais preocupantes: “a proliferação do divórcio e do recurso a uma nova união por parte dos mesmos fiéis; a aceitação do matrimónio meramente civil, em contradição com a vocação dos baptizados “a casarem-se no Senhor” (1 Cor7, 39), a celebração do matrimónio sem uma fé viva, mas por outros motivos; a recusa das normas morais que guiam e promovem o exercício humano e cristão da sexualidade no matrimónio” (FC,7).

Na Carta ás Famílias, escrita em 1994, no Ano da Família, o Papa João Paulo II disse:“Nos nossos dias, infelizmente, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem apostados na desagregação da família. Às vezes até parece que se procure, de todas as formas possíveis, apresentar como “regulares” e atraentes, conferindo-lhes externas aparências de fascínio, situações que, de facto, são “irregulares”… Fica obscurecida a consciência moral, aparece deformado o que é verdadeiro, bom e belo, e a liberdade acaba suplantada por uma verdadeira e própria escravidão”(CF, 5).

Mostrando que a mentalidade consumista e antinatalista é uma ameaça à família, o Papa diz:“…uma civilização, inspirada numa mentalidade consumista e antinatalista, não é uma civilização do amor e nem o poderá ser nunca. (FC 13)
Mostrando os riscos que o 'amor livre' e o 'sexo seguro' representa hoje para a família, o Papa adverte:“O chamado 'sexo seguro', propagandeado pela civilização técnica, na realidade é, sob o perfil das exigências globais da pessoa, ‘radicalmente não seguro’, e mais, gravemente perigoso.
“Sem dúvida, contrário à civilização do amor é o chamado 'amor livre', tanto mais perigoso por ser habitualmente proposto como fruto de um sentimento “verdadeiro”, quando, efectivamente destrói o amor. Quantas famílias foram levadas à ruína precisamente por causa do 'amor livre'! … Mas não se tomam em consideração todas as consequências que daí derivam, especialmente, quando além do cônjuge, devem pagá-los os filhos, privados do pai ou da mãe e condenados a serem, de facto, ‘órfãos de pais vivos’ ” (CF, 14).
Quando, em 1994, justo no Ano da Família (pasmem!), o Parlamento Europeu, tristemente, reconheceu a validade jurídica dos matrimónios entre homossexuais, até admitindo a adopção de crianças por eles, o Papa João Paulo II, reagiu de maneira forte e imediata:“Não é moralmente admissível a aprovação jurídica da prática homossexual. Ser compreensivos para com quem peca, e para com quem não é capaz de libertar-se desta tendência, não significa abdicar das exigências da norma moral… Não há dúvida de que estamos diante de uma grande e terrível tentação” (20/02/94).
O pior problema, hoje, das famílias desestruturadas, não é de ordem financeira, mas moral. Quando os pais têm carácter, fé, ou como o povo diz, “tem vergonha na cara”, por mais pobre que seja, será capaz de impedir a destruição do seu lar. São inúmeros os casais pobres, mas que com uma vida honesta, de trabalho e honradez, educaram muitos filhos e formaram bons cristãos e honestos cidadãos.
Não consigo aceitar a desculpa de um pai que afirma que a sua família se destruiu por causa da sua pobreza. Sempre haverá alguém com o coração aberto para ajudar a um pai trabalhador, especialmente quando este tem filhos para criar.
Na Exortação Apostólica Familiaris Consórtio (Sobre a Família), o Papa João Paulo II apontou os graves perigos que ameaçam hoje a família: “Não faltam sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos… o número crescente dos divórcios; a praga do aborto; o recurso cada vez mais frequente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva” (FC, 6).
A Declaração do Rio de Janeiro sobre a Família, que traz as conclusões do Congresso Teológico-Pastoral, realizado de 1 a 3 de outubro, denunciou: "A família está sob a mira de ataque em muitas nações. Uma ideologia anti-família tem sido promovida por organizações e indivíduos que, muitas vezes, não obedecem princípios democráticos” (1.1).
“Temos testemunhado uma guerra contra a família, em nível tanto nacional quanto internacional. Nesta década, em Conferências das Nações Unidas, têm sido vistas tentativas para “desconstruir” a família, de forma que o sentido de “casamento”, “família” e “maternidade” é agora contestado. Tem sido estabelecida uma falsa posição entre os direitos da família e os de seus membros individuais. Sob o nome de liberdade, têm sido promovidos “direitos sexuais” espúrios e “direitos de reprodução”. Entretanto, estes direitos estão, de facto, principalmente, a serviço do controle populacional. São inspiradas em teorias científicas em descrédito, num feminismo ultrapassado e numa mal direcionada preocupação com o meio ambiente” (1.2).
“Uma linha social-materialista, ao lado do egoísmo e da responsabilidade, contribui para a dissolução da família, deixando uma multidão de vítimas indefesas. A família está a sofrer com a desvalorização do casamento através do divórcio, da deserção e da coabitação… Tanto a violência contra as mulheres aumenta, como a violência do aborto; o infanticídio e a eutanásia calam fundo no coração da família. Na verdade, as famílias de hoje estão ameaçadas por uma sub-reptícia cultura da morte” (1.4).
“A dissolução da família é uma das maiores causas da pobreza em muitas sociedades…”(1.5).
“A família é o “santuário da vida”. Seu compromisso com a protecção e a nutrição da vida, desde o momento da concepção, é preenchido verdadeiramente através da paternidade responsável” (3.3).
Estas alertas do Papa e do Congresso Teológico são seríssimos, e devem colocar cada cristão em prontidão para uma verdadeira cruzada em defesa da família, ameaçada até pela ONU!

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Guarda organiza Jornada da Família

Posted by Jornal da Família
A cidade da Guarda acolhe no próximo dia 28 de Novembro uma «Jornada da Família». O encontro, que começará às 9h30, decorrerá no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos.
As conferências reflectirão sobre os “Valores morais da Família em mudança” e as “Questões novas às Famílias cristãs de hoje”. As palestras serão proferidas pelo Cón. Jorge Cunha, da diocese do Porto, professor de Teologia Moral na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
A iniciativa é organizada pelo Secretariado Diocesano da Família.
As pessoas que desejarem almoçar no Centro Apostólico devem fazer a inscrição até 25 de Novembro. O custo é de 15 € por casal e 8 € por pessoa.

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Quem é revolucionário?

Posted by Jornal da Família
Por João César das Neves
in DN, 23/11/09


Quando a esquerda se torna estabelecida, burguesa, dominante, quem é realmente revolucionário?

No recente debate do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o mais curioso é ouvir dizer que se trata de um direito fundamental. Alguns põe um ar grave e afirmam estarem em causa valores básicos. Mas, se é mesmo tão básico, porque ficou omisso em trinta e tal anos de democracia? Porque não consta nos documentos de referência e declarações de direitos dos últimos séculos? Como é possível os militantes, que hoje o reivindicam com urgência, terem-no esquecido tanto tempo? Mas estas afirmações, mesmo se caricatas, apontam para um dos maiores problemas culturais da actualidade.

A luta pela justiça social é o valor supremo da nossa civilização. Outras épocas e regiões buscavam a sabedoria, glória, beleza, mas a nossa quer uma sociedade justa e livre. Todos fomos educados colocando a equidade no lugar máximo e vendo a sua busca como imposição definitiva e universal. Precisamente por isso a nossa sociedade montou múltiplos mecanismos de protecção, equilíbrio e compensação que pretendem eliminar a maior parte dos agravos.

Esse sucesso é a origem do problema. Claro que ainda permanecem muitas injustiças e discriminações, como haverá sempre. Mas na nossa cultura sofisticada estão afastadas as grandes causas, combates incontroversos, campanhas claras e indiscutíveis. Nós, que crescemos à sombra dos grandes lutadores contra o fascismo, racismo, machismo e afins, não conseguimos igualar esses tempos heróicos.

Por isso pululam os rebeldes sem causa, militantes desempregados, activistas em busca de quem proteger. Claro que é fácil encontrar quem precise de defesa e apoio. Quem quiser combater o mal tem muito a fazer, como sempre teve e terá. Mas as situações que restam são simples, rotineiras, menores, próximas. Falta- -lhes o romance e a dimensão das velhas lutas de Robespierre, Marx, Pankhurst, Luther King, Mandela, Xanana.Pior, as forças que lutavam pela liberdade, igualdade e justiça estão hoje no poder, vendo-se a si mesmas dos dois lados. Como protestar contra ministros, banqueiros e empresários, se são nossos correligionários? O resultado é a grande crise da Esquerda, a quem há décadas faltam causas e sobram remorsos.

As coisas são ainda mais graves porque as razões que motivam esses generosos movimentos vêm envolvidas em grande ambiguidade. Nos conflitos actuais de valores chocam argumentos onde é cada vez mais difícil determinar o bem e o mal.

Em certos casos, as ideologias conduzem mesmo a resultados terríveis. Na luta pelo aborto, por exemplo, os activistas vêem-se cúmplices de um crime de sangue, com morte de seres humanos. Não há dúvida que é morte e não há dúvida que é humana. Por muitos argumentos e elaborações que arranjem, estão do lado da agressão aos mais fracos entre os mais fracos. Também a banalização do divórcio foi feita evidentemente à custa dos desfavorecidos. A lei facilita a vida a marialvas, adúlteros e irresponsáveis, deixando desprotegidos as crianças, mulheres, pobres, idosos. No calor da argumentação ideológica é possível disfarçar, mas o quotidiano de sofrimento desafia as falácias dos activistas.

Aliás, como os proletários costumam ser conservadores na vida e família, a esquerda vê-se cada vez mais a defender interesses burgueses. Mesmo agora, no casamento de homossexuais, é difícil defender que se trata do socorro de classes desprotegidas, prioridade social, necessidades essenciais. A retórica repete tiradas bombásticas de outros tempos, mas a fragilidade, complexidade e ambiguidade da questão é muito maior.

Existe ainda uma ironia final gritante. Que é mais corajoso, lutar por causas libertinas que toda a opinião pública tolera, ou defender os valores exigentes do casamento, família e vida? Quem são realmente rebeldes, os membros do Bloco de Esquerda que a imprensa exalta e os intelectuais apoiam, ou os que enfrentam as teses politicamente correctas? Onde está hoje a verdadeira heterodoxia, rebeldia, atrevimento? Quando a esquerda se torna estabelecida, burguesa, dominante, quem é realmente revolucionário?

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Gasolina

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
in Destak, 19/11/2009

Os preços do petróleo estão a subir, apesar de ainda longe dos picos do ano passado. Em breve se voltará a falar de «choque», repetindo as queixas habituais. Sobretudo porque, como toda a gente sabe, quando o petróleo sobe os preços da gasolina sobem, mas quando desce nem sempre descem.


Isto que toda a gente sabe é falso, como se vê nos dados recentes. Os preços do barris de petróleo (média do U.K. Brent, Dubai, e West Texas Intermediate, acessíveis em http://www.imf.org/, convertida em euros) atingiram o seu pico em Junho de 2008, 105% acima do valor em Janeiro de 2007, início da subida. Depois caíram 67% até Dezembro, altura em que voltaram a aumentar, tendo já ganho 65% a partir do mínimo.

Entretanto, os preços de venda ao público das várias gasolinas em Portugal (acessíveis em http://www.dgge.pt/) começaram a subir em Fevereiro de 2007 e aumentaram cerca de 25% até Julho de 2008 (44% o gasóleo). Depois, contrariando a opinião pública, os preços desceram quase 30% até Janeiro deste ano (34% o gasóleo até Março), altura em que começaram de novo a subir, tendo ganho já cerca de 20% (13% o gasóleo).

Assim, como seria de esperar, os preços do combustível variam muito menos que os custos da matéria-prima, e até caem mais do que tinham aumentado. O que é inesperado é que eles sigam de perto o ritmo dos preços mundiais do barril. Não há razão económica para a coincidência, pois petróleo bruto é muito diferente de gasolina. Mas isto mostra que devemos ter muito cuidado com aquilo que toda a gente sabe, que é algo que nem toda a gente sabe.

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A destruição da Família

Posted by Jornal da Família
por Armindo Monteiro


Sim, já não vale a pena tentar tapar-se o sol com a peneira. A família está destruída, enquanto célula da coesão social, enquanto centro de sustentáculo do futuro, enquanto núcleo de projecção da paz individual e colectiva, enquanto criador de valores, suporte da estabilidade desejável, inexistente.
A causa da sua desagregação está diagnosticada: um mau uso da liberdade individual e colectiva, que desaguou na permissividade, no relativismo, em suma e em parte em libertinagem.
O relativismo é a ausência de consciência do mal; já não há valores absolutos de prescrição incontornável, de observância genérica, a que todos estamos obrigados; ao sofrimento que é próprio da condição humana, dele se foge ao mais pequeno sintoma e o que importa é o prazer imediato, donde os vínculos familiares entre pais e filhos, marido e mulher subsistirem enquanto não forem fonte de obstáculos, tropeços e limitações.



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Posted by Jornal da Família
Caros leitores e Assinantes do Jornal da Família, tenho alegria de vos comunicar que o nosso Jornal em Janeiro próximo celebrará 50 anos de vida. É uma efeméride digna de ser assinalada por todos e ao longo de todo o ano.
Neste sentido gostaria de fazer dois pedidos a todos os Leitores e Assinantes:
Primeiro, que todos se empenhem na difusão do Jornal, conseguindo assinaturas junto de pessoas amigas.
Segundo, gostaria que uma das nossas publicações ao longo do ano 2010, fosse feita de testemunhos acerca do Jornal. Cada Assinante e/ou leitor, de forma simples e breve, poderia dizer o que para si tem sido, receber o Jornal todos os meses e respectivos conteúdos. Depois envie esse testemunho à redacção ou à Administração do Jornal (familiaadm@netcabo.pt ou mailto:familiaadm@jornaldafamilia@netcabo.pt).
Para realizar este projecto, confiamos na generosidade e boa vontade de todos os Leitores.

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É preciso não esquecer

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
in DN, 16/11/2009

O primeiro-ministro reiterou que o Governo avançará com a proposta para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e afastou a hipótese de referendo, dizendo não aceitar "nenhuma lição de democracia" (Sol 6/Nov.). Pobre de quem, pela arrogância da resposta, mostra não entender a democracia. Mas a resposta é curiosa, porque foi nestes temas da vida e família que surgiram os maiores atropelos ao espírito e prática democráticos no Portugal moderno.
Lembremos que nunca a política desceu tão baixo como no longo processo que levou ao actual financiamento público do aborto. A lei da liberalização da prática foi chumbada no Parlamento por um voto a 20 de Fevereiro de 1997. Mostrando supino desprezo pelas instituições, a mesma câmara, depois de substituir alguns deputados, voltou a votar a mesma lei na mesma legislatura, aprovando-a a 4 de Fevereiro de 1998 por nove votos. O descaramento foi tal que até a Assembleia percebeu não poder deixar as coisas assim e convocou um referendo nacional, que a 28 de Junho de 1998 rejeitou a lei.
O veredicto era claro e democrático. Mas a arrogância de quem se julga sabedor e não precisa de lições nunca respeita a vontade popular. Pior ainda, ao convocar novo referendo foi decidido que o tema não ia ser o aborto, acerca do qual já se sabia a opinião. Toda a discussão em 2007 omitiu a referência a embriões, gravidez e até hospitais, para se centrar apenas em... mulheres presas. Quem é que quer as pobres mães atrás das grades? O magnífico embuste resultou e a 11 de Fevereiro, apesar de os votos de rejeição terem aumentado, os abortistas conseguiram a desejada vitória, que os levou não a libertar mulheres, porque nenhuma estava presa, mas a promover o aborto livre e barato.
A experiência eliminou de vez o respeito dos activistas pelo processo democrático. Nunca mais o povo foi consultado, usando-se os meios mais expeditos e manipuladores para atacar as leis mais essenciais e estruturantes.
Em Julho de 1999, o presidente Jorge Sampaio vetou a "lei da procriação medicamente assistida", referindo como razão o insuficiente debate público. Quando o Presidente Cavaco Silva promulgou a lei revista (Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho) teve de enviar uma mensagem à Assembleia, manifestando o seu desconforto. Depois, o Governo decidiu banalizar o divórcio e Cavaco Silva foi obrigado a devolver o diploma sem promulgação em Agosto de 2008 com graves críticas à irresponsabilidade do articulado. Acabou por promulgar a Lei n.º 61/2008 de 31 de Outubro, reiterando as críticas em mensagem de 20 de Outubro. Em Agosto deste ano, o Presidente não promulgou a lei das uniões de facto (Decreto 349/X), aprovada a correr no final da legislatura, citando mais uma vez "a ausência de um debate aprofundado" (Mensagem de 24 de Agosto). Como se vê, o Governo e os seus correligionários precisam mesmo de lições de democracia.
Dada a vergonha desta história, é claro que agora, na questão estrutural da definição do casamento, nunca admitirão um referendo, sabendo que vão perder. Só o fariam se tivessem uma coisa de que mostram carecer: vergonha. A recusa baseia-se num argumento sumamente desonesto: o facto de a proposta do casamento entre pessoas do mesmo sexo figurar nos programas eleitorais. Quem o diz sabe bem a enormidade do que afirma. Os programas não são menus, em que se possa escolher o que se gosta e rejeitar o resto. Os votos numa lista nada informam sobre a opinião em rubricas concretas. O mais elementar bom-senso e respeito democrático recomendariam uma ponderação cuidada na mudança de uma lei tão fundamental. Mas bom-senso e respeito democrático foi o que mostraram não ter neste tema há décadas.
As gerações futuras censurarão asperamente a nossa pelas terríveis infâmias legais cometidas contra a vida e a família. A apatia e comodismo generalizados merecem bem o repúdio. Mas não podemos esquecer também as enormes manipulações, fraudes e indignidades do processo que, sem desculpar a cumplicidade passiva, mostram bem a baixeza dos ataques.

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Capitalismo

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
Na segunda-feira, 9 de Novembro, celebraram-se os 20 anos da queda do muro de Berlim. Nesse dia, a BBC publicou um vasto inquérito sobre o sistema económico. Os resultados são devastadores: «Só 11 por cento dos inquiridos em 27 países consideram que a economia capitalista funciona correctamente e 51 por cento acham necessária mais regulação e reforma para a corrigir.» (Lusa 2009-11-09 às 12:25). Karl Marx no túmulo deve ter rido. Duas décadas após a suposta morte do seu sistema, o detestado capitalismo encontra-se doente. Na actual crise, muita gente relembra as críticas, se não mesmo as propostas d'O Capital.
Em grande medida, estamos hoje como há 150 anos, antes da intervenção dos reformadores socialistas. O nosso sistema é censurado pela injustiça que gera, pela instabilidade que promove, pela competição que instiga, precisamente as críticas que Karl Marx, com o seu inimitável estilo, arremessou contra a burguesia e a economia mercantil em 1867. Em muitas dimensões os seus diagnósticos mantêm-se válidos. É verdade que evoluímos muito e temos sindicatos, segurança social, regulação, participação dos cidadãos, defesa do consumidor, ambiente, etc. Mas a crise mostrou os erros que se mantêm.
Não há dúvida de que o capitalismo é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros. Pode-se aplicar à economia de mercado o mesmo que se diz da democracia. Aliás, pelas mesmas razões. Com o fiasco do sistema de Marx aprendemos que as alternativas ao capitalismo, que pareciam tão promissoras, se revelaram muito piores.

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Quem perdeu a década

Posted by Jornal da Família
por João César das Neves
in DN, 09/11/2009
Os especialistas já falam em década perdida na economia portuguesa. De facto, incluindo a previsão para este ano, a taxa de crescimento média anual nos dez anos desde 1999 é a mais baixa da economia moderna em Portugal (0.4%). Temos de recuar aos terríveis anos 20 para encontrar pior.Há suspeitos evidentes. O euro, nascido precisamente em 1999, parece o réu ideal. Impedindo desvalorizações, habituais nas décadas de crescimento, não se exime de responsabilidades. Apesar disso, a entrada na moeda única foi correcta, inadiável e vantajosa. Os inconvenientes verificados só aconteceriam se o resto da política económica não a levasse em conta. Como não levou. As culpas de um desastre não estão no carro se o motorista não tem carta de condução.Invocar a crise internacional, como hoje tantos fazem, também não colhe. Uma década não se perde em alguns meses. Se a crise explica de menos, a globalização explica de mais. A abertura financeira e comercial mundial e a consequente reestruturação produtiva são a grande força dinâmica da actualidade. O mundo nesta década cresceu à média de 3.5%, mais que nos anos 1980 e 90. Dividindo essa dinâmica planetária entre ricos e pobres surge uma pista curiosa para o nosso enigma. As regiões em desenvolvimento tiveram na média dos últimos dez anos o melhor crescimento do último meio século (5.9%), enquanto os países avançados viram a pior prestação (1.7%). Também os 12 fundadores da Zona Euro registam na década até 2009 o menor crescimento dos últimos 50 anos (1.4%). Assim, a nossa década perdida é paralela à dos países desenvolvidos, embora lá a taxa seja quádrupla da nossa.Esta breve inspecção trouxe bastantes elementos para reflexão. As recentes condições internacionais, excelentes para os pobres, não favoreceram os abastados, grupo a que, sem darmos por isso, já pertencemos. É irónico constatar que o mal está em sermos demasiado prósperos. Portugal cresceu menos que os pobres porque é rico, e menos que os ricos porque é novo-rico.A nossa falta de dinamismo sócio- -económico vem na cultura de parasitismo, direitos adquiridos, requintes, imposições e exigências, tudo pago pela tributação dos que produzem. Como novos-ricos, ganhámos hábitos refinados sem saber lidar com eles. Não se pensa em produzir como rico, mas em consumir como rico. Imitamos os europeus no centro comercial, não no emprego. Temos defesa do consumidor, ambiente, cultura, emprego, sexo. Só não há defesa do trabalho, empresa, produtor, desenvolvimento. Impomos muitas reivindicações, poucas realizações.O que mais choca na vida nacional é o alheamento político desta realidade, a irresponsabilidade de discursos e programas governamentais. Quem, perante a estagnação, fala de TGV e plano tecnológico, multiplica portarias, empola serviços, satisfaz interesses instalados, tudo à custa do orçamento, revela total incapacidade de vislumbrar o real problema do País. A nossa política centra-se em projectos fúteis e questões laterais e vistosas, como avaliação de professores e distribuição de portáteis, sem lidar ao essencial, o ensino. O Governo não cria condições para a recuperação; cria obstáculos por distracção.Alterar a situação implicaria enfrentar os grupos de pressão, fazer a tão falada consolidação orçamental, cortar despesas públicas, aliviar as receitas. Significava pôr os serviços públicos a servir as populações, não a seguir procedimentos. Exigiria reduzir os bloqueios à flexibilidade das empresas e criar um quadro regulamentar leve e eficaz, desmantelando miríades de exigências que, servindo múltiplos interesses e causas particulares, sufocam o dinamismo produtivo e atrasam a reestruturação. Ou seja, fazer o contrário do que dizem os governantes.A década não foi perdida porque, apesar de tudo, a reestruturação foi-se fazendo e a economia mudou. Mas se perguntarem aos ministros a razão de Portugal viver uma década estagnada, as respostas caem todas fora do alvo. Há anos que Governos de novos-ricos andam mais perdidos que a década.

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